janeiro 27, 2005

INTERACT - Revista de Arte, Cultura e Tecnologia

Depois de um tempos de descontinuidade aí está o n.º 11 da "INTERACT" (link constante dos "Confortos" aqui ao lado), a única revista digital portuguesa ligada à arte, cultura e novas tecnologias, dirigida por Teresa de Sousa da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Nova.
Este n.º está, à semelhança dos anteriores, bastante rico, contando com estudos e ensaios sobre hipertexto, ética e literatura, linguagem dos jogos de computador, arte simbólica e uma entrevista a António Câmara por Gonçalo Felino.
Neste n.º 11 da INTERACT contamos com as participação de J. Rosa, J. Godinho, Luís Soares, Luís Filipe Teixeira, Guilherme Xavier, Mark Stephen Meadows, dr Bakali, José Augusto Mourão, Jorge Leandro Rosa, Leonel Moura, Pedro Gadanho, Patrícia Gouveia, Filomena Moita, Gonzalo Frasca e Pitch Gonçalves, por ordem de inserção.
Para além de estar totalmente disponível on-line, a INTERACT permite o download em formato "pdf" para quem pretender. Nota menos positiva é o site estar construído totalmente em "flash", tornando-se muito pesado para quem não tem computadores "bomba" para navegar.

Transcrição da missão do projecto INTERACT:

«A interact é uma publicação digital, de periodicidade quadrimestral editada pelo Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens (CECL).
O seu objectivo é a reflexão e a discussão em torno de temáticas importantes do pensamento contemporâneo, o acompanhamento crítico de acontecimentos e práticas culturais e artísticas e o incentivo ao trabalho de experimentação com as tecnologias digitais e as redes de informação.
Diminuir o fosso ainda existente entre a cultura e a cibercultura é ainda uma das suas principais motivações, procurando por isso o encontro (e o confronto) entre práticas mais tradicionais no âmbito da cultura (como o ensaio, a crítica e a recensão), e práticas de expressão, de reflexão e de criatividade próprias à cultura digital, como as da hipertextualidade e hipermedia, interactividade e conectividade.»

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janeiro 12, 2005

Remix Ensemble no IRCAM

O "Institut de Recherche et Coordination Acoustique/Musique", (IRCAM, com link aqui mesmo ao lado na secção "confortos"), numa iniciativa intitulada "Invitations au tour du réportoire", convidou este ano o Remix Ensemble, do Porto, para se mostrar ao público de Paris e proporcionar-lhe, durante uma semana uma aproximação e familiarização com o que chamam de "música mista" em estreita colaboração com os compositores do IRCAM e seus assistentes. As peças saídas destes "ateliers" serão apresentadas ao público juntamente com o reportório que os convidados já levam preparado:

- Luis Fernado Rizo Salom Al Umbral del abismo, para piano e ensemble
- Emmanuel Nunes Nachtmusik I, para 5 instrumentos e orquestra
- Salvatore Sciarrino Introduzione all'oscuro, para 12 instrumentos
- Gérard Grisey Jour, contre-jour

dirigidos por Peter Rundel e assistência musical de Éric Daubresse, beneficiando com a capacidade informática do IRCAM, numa co-produção da Casa da Música e do IRCAM-Centre Pompidou que ocorrerá a 20 de Janeiro no IRCAM e a 22 no Teatro Helena Sá e Costa, no Porto. (link)

Para os menos familiarizados com estas coisas da música electro-acústica, o IRCAM foi fundado pelo Centro George Pompidou em 1969 tendo então sido convidado para a sua direcção o compositor e maestro Pierre Boulez, a quem deve o seu sucesso, sendo hoje o maior e mais bem apetrechado centro de investigação científica exclusivamente dedicado às tecnologias para a criação musical do mundo, contando com cerca de 90 investigadores permanentes e sede de estágios dos mais reputados compositores da área.

Sinceros parabéns ao Remix Ensemble que consegue ser mais um dos que demonstra que os portugueses sabem e conseguem fazer bem quando a politiquice não perturba e deixa trabalhar.

Publicado por ideias-soltas em 09:59 PM | Comentários (0)

abril 12, 2004

Casa da Música - avanços e inquietações

Por diversas vezes dei destaque à gestão da Casa da Música como um exemplo a evitar no que concerne à gestão de equipamentos culturais, em especial, tudo o que decorreu antes de Alves Monteiro aceitar a Presidência do Conselho de Administração. Afirmei que este gestor era, para mim, um garante do rigor, apaixonado embora, necessário à prossecução do projecto, evitando que continuasse a navegar ao sabor de interesses partidários, camarários, pessoais e, em especial, de "lobbies" há muito instalados no meio musical portuense, dali se estendendo, qual polvo encapotado, para todo o país.
Alves Monteiro iniciou o seu trabalho cumprindo cautelosa mas firmemente a missão a que se propôs (pode-se ver aqui), longe dos holofotes da ribalta mediática que muito gratificantes poderão ser a nível pessoal, mas incompatíveis com uma gestão que antes de se cumprir tem de mandar o lixo para o lixo e conservar o que valia e não tinha sido feito, i.e., "arrumar a casa".
Cedo, e salomonicamente, mostrou não ceder a pretensões mesquinhas e vazias de sentido profissional, nomeando Pedro Burmester para seu assessor único, mantendo deste forma uma valia que não poderia encontrar noutro personagem - a memória e a justificação do já realizado. Contudo, a Casa da Música, não manteve a figura da direcção artística no seu novo organigrama - apenas administração e executores.
Daí que não assista a Pedro Burmester qualquer razão em sentir que a nomeação de Anthony Withworth -Jones possa ter um sentido de retirada de confiança do Presidente do Conselho de Administração, uma vez que nunca tal foi prometido e a não nomeação do músico para essas funções não augurava que Alves Monteiro tivesse, aprioristicamente, intenção de resolver essa delicada lacuna organizacional com o seu nome
Poderá ter sido surpresa para muitos, mas para quem conhece a correcção pessoal e profissional saberia que o novo gestor, ao abraçar o comando de um projecto que saía do âmbito que conhecia, iria antes do mais inteirar-se da especificidade da gestão da coisa cultural, deixando espaço para, a seu tempo, tomar as decisões que considerasse mais adequadas. E a nomeação de A. Withworth-Jones (ver aqui o seu percurso profissional) mais não confirma senão a segurança de entregar os destinos da programação a quem já possuía créditos firmados, estivesse disponível e exigisse uma remuneração adequada ao projecto.

Poderia ser evidente que a contratação de Pedro Burmester para essas funções era, como diziam, incontornável, mas a nomeação de um estrangeiro experimentado em palcos mundiais deitava essa "pressão" de matiz "lobbística" por terra. Assim, muitos poderão ter pena de não ter sido Pedro Burmester o eleito, muitos poderão "torcer" para que corra mal com o actual, mas não se ouviu uma única voz a desmerecer a esmagadora experiência do novo director artístico. Pedro Burmester saiu, com honra, diga-se (não foi em momento algum enxovalhado pela actual administração, nem tal seria aceitável, como aconteceu em passado recente), mas certamente entristecido, mas a responsabilidade de formar equipa não era a ele que competia e, por tal, não considerei oportuno, em Fevereiro, pronunciar-me sobre essa ocorrência.
No entanto, uma outra mais recente, embora sem visibilidade mediática (ah como os media querem e precisam de nomes que vendam...), inquieta-me de sobremaneira - a demissão de Fausto Neves do "Serviço Educativo" e a quase imediata nomeação do director artístico, em acumulação de funções, para assegurar essa tarefa. É que, sem barulhos nem buscas de ocos protagonismos, Fausto Neves deu muito à Casa da Música. E deu porque em si encerra a experiência de uma vida a dar, aos jovens pela música, tradição que já de seu pai lhe adveio, e com inquestionável obra em Espinho - na Academia, na Escola profissional, no Coro, enfim uma obra que não precisa nem de apresentação nem de protecções de "lobbies". Está à vista de quem quiser ver. Não é insuflada, não é de "curriculum vitae", é curricular.
Ora, Fausto Neves era a pessoa certa no lugar certo! Não reconheço, em Portugal, na sua geração, ninguém com a sua experiência e dedicação neste particular contexto. E, não fora já esta uma preocupação bastante, adiciona-se uma outra não menos imperativa - a da entrega de um "Serviço Educativo" a quem desconhece, por completo, o panorama português, não só as suas particularidades legais, como especialmente as carências curriculares, sociais e financeiras e terriroriais. Para mais, esse conhecimento, "Know how", não é coisa que se estude, é assunto que a sabedoria advém proporconalmente aos anos de exercício efectivo, num país em que a didáctica e o desenvolvimento curricular das artes em geral e da música, em particular, é um deserto. Um deserto de competências, mas também legislativo e organizacional (atente-se que Portugal não tem um único mestre, pós-graduado ou doutor, em educação artística!)!
Das duas uma, ou Alves Monteiro insiste na pessoa do director artístico para desenvolver o "Serviço Educativo" da Casa da Música não restando ao responsável importar um qualquer modelo estrangeiro, desadequado às nossas carências ou a acumulação de funções de Withworth-Jones é mais uma medida de Alves Monteiro para medir os danos causados pela demissão de Fausto Neves e conseguir tempo para decidir, mais uma vez, com rigor e propriedade.
Opto pela segunda hipótese, a de confiar no Presidente do Conselho de Admnistração, mas vinco que a demissão de Fausto Neves é uma enorme perda para o projecto Casa da Música. Não sei, confesso, se reparável.

Publicado por ideias-soltas em 06:30 PM | Comentários (0)

abril 08, 2004

A Visita ao Conservatório

"Saímos da nossa escola às 9h 15m e chegámos ao conservatório às 9h 30m.
Houve uma senhora que nos recebeu. Depois o professor Nuno mostrou-nos várias coisas sobre o cravo, o piano, o acordeão e o orgão. Sobre o piano aprendemos por exemplo que tem 88 teclas, que tem um martelo para bater nas cordas e dar som.
O acordeão dá som porque as teclas trabalham com o ar. O cravo tem uns saltitantes que beliscam as cordas e por isso nos dá o som, um som muito bonito!
O orgão, também chamado de "Rei dos Instrumentos", também nos foi mostrado e explicado que dá som muito grave devido ao ar.
Gostamos muito da visita e recomendamos!!!
"

Este texto foi retirado da edição n.º 7, de Abril de 2004, da revista «Girassol», publicação trimestral dos alunos do «Jardim Infantil Nossa Senhora da Conceição», em Beja, da responsabilidade da turma do 4º ano.

Esta escola foi uma das 14 que visitaram o Conservatório Regional do Baixo Alentejo por ocasião da «Semana das Teclas» que decorreu entre entre 1 e 5 de Março, com actividades na Igreja do Seminário de Beja, na Sé de Beja e, evidentemente, nas instalações do Conservatório. As actividades repartiram-se por:

- exposição «Os Instrumentos Musicais de Teclas»;
- Concerto de Professores;
- Audições diárias de Alunos;
- Actividades com as Escolas de 1º Ciclo do Ensino Básico de Beja

Esta iniciativa contou com uma adesão de mais de 300 visitantes, dos quais, mais de 80%, crianças das escolas, alunos do Conservatório e seus pais. Um sucesso? Bom , foi de facto, gratificante, quanto amis não fora pelo texto que acima reproduzi, mas lamento, com tristeza, que nem um orgão de comunicação regional publicitasse o evento ( a verdade é que os bejenses não se aperceberam da iniciativa) e que a Agenda Cultural que a anunciou tenha chegado aos munícipes quase 15 dias depois!

Mas às crianças, a essas, não passou despercebido! E é por elas que mais devemos fazer para que possamos ser outros, amanhã! Quem sabe?

Publicado por ideias-soltas em 12:24 PM | Comentários (0)

abril 02, 2004

Preciosa oportunidade

No passado fim-de-semana Peter Roebke esteve em Lisboa a convite da Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) para oriemtar um seminário sobre "Didáctica dos Instrumentos" a professores das nossas escolas de ensino vocacional, vulgo Conservatórios.

De parabéns está a ESML por convidar um dos mais conceituados personagens mundiais nesta matéria, professor catedrático na "Universität für Musik und darstellende Kunst Wien", isto é, tentando traduzir, Universidade de Música e Artes Performativas de Viena. Estes seminários em anos anteriores vinham sendo levados a cabo por António Mário Meneres Barbosa e esta alteração não é passível de ser comparada. Este género de convites trazem sempre valor acrescentado ao nosso país e, se for necessário recorrer a estrangeiros, venham eles, para colmatar faltas de competência em sectores particulares, como é o caso.

Dos participantes que contactei não encontrei nenhum que não desse por muito bem empregue o tempo ganho neste seminário de 16 horas em dois dias. Concentrado, mas muito proveitoso. Não é por acaso que Peter Roebke é um dos mais requisitados pedadgogos pelos cursos superiores de música das Universidades europeias e norte-americanas.

Vem esta apresentação a propósito da oportunidade que ocasionalmente tive de conviver breves horas com tão despretensioso mestre e constatar, sem ele se aperceber, do desiderato educacional que nos separa e afasta ainda desta nossa Europa!
Com efeito, abordando a realidade do ensino da música e das artes performativas, em geral, na Austria, Peter Roebke disse que há 220.000 alunos naquele país de cerca de 8 milhões de habitantes, sendo que apenas (nas suas palavras) 1% chega a profissional. Ora, em Portugal temos cerca de 15.000 alunos e menos de metade de 1% chega a profissional, em mais de 10.000.000 habitantes!

Há muitas deduções a fazer em torno destes dados meramente estatísticos, desde logo as condições (lá vêm elas) sóciais, económicas dos respectivos países e as financeiras das famílias. No entanto, ouso algumas reflexões:

1 - Um dos erros do nosso sistema de ensino das artes performativas (música, dança, teatro, por exemplo) é que as nossas escolas vocacionais, por influência das determinações do Ministério da Educação, têm uma missão desadequada ao contexto em que se inserem. Com efeito, estas escolas orientam-se, única e exclusivamente, pela superior missão de querer preparar profissionais desde a mais tenra idade (lembramos que há instituições que recebem, e bem, alunos a partir dos 3 anos). Ora esta postura pedagógica inviabiliza à partida que um qualquer jovem que não queira ser um profissional possa fruir de conhecimentos e sensibilização adequadas para poder ser um futuro cliente desses espectáculos, sentindo-se, na maior parte das vezes, marginalizado por não obter resultados equivalentes à "imensa" minoria que por vocação seguirão a via profissionalizante.

2 - Por outro lado, o sistema que se iniciou este ano lectivo (de forma gratuita) chamado de ensino articulado, entre as escolas básicas regulares e as vocacionais de artes, que sofre ainda de fortes resistências e boicotes à sua prossecução, tem mais de 20 anos de sucesso na Áustria e em grande parte dos países da Europa, por exemplo, Alemanha, Hungria, Reública Checa, Polónia, Eslovénia, Suíça, França...

3 - A inexistência de escolas verdadeiramente profissionalizantes às quais apenas acedam os alunos do ensino obrigatório que demonstram aptidão e interesse inequívoco para a profissionalização, obrigam a que a missão das actuais escolas vocacionais seja demasiadamente elástic, com o inconciliável objectivo de, por um lado, conseguir não desmotivar os poucos ousam não desistir após o 6/7º ano e incentivar as exigências necessárias aos que podem ir mais além.

Sem me deter em mais pontos posíveis de contacto entre a nossa realidade do ensino de música e artes performativas e o austríaco, sempre retorno à minha ideia de que temos perdido muito tempo (a mudança entre os antigos Conservatórios e as Escolas Superiores ainda nem sequer produziu frutos notórios e seguros) e a de que muito há a fazer no domínio dos desenvolvimentos curriculares do "trivium" e do "quadrivium".

E, por favor, senhores mandantes, à falta de um modelo educativo consensual, por favor, cuide-se mas é de ensinar, de educar, como sempre se fez, mesmo sem o modelo "óptimo"!

Publicado por ideias-soltas em 04:29 PM | Comentários (0)

março 22, 2004

Belgais na encruzilhada esquerda/direita

Como parece ser já institucional «os alinhados» por uma esquerda ou direira auto-purgam-se do mínimo pensamento ou ideia que não seja enquadrável dessa redutora dicotomia. O que lá não encaixa é marginal, não passível equacionar ou sequer de ser!

Maria João Pires, em entrevista oa «El Pais» queixa-se do incumprimento por parte do Ministério da Educação do contrato celebrado com Belgais e o facto do próprio Ministério repetidamente publicitar ter já entregue muitos euros a Belgais. Após Maria João Pires ter marcado presença na manifestção de 22 de Março esquerda e direita começaram a defender e a atacar o projecto Belgais através de posições sobre a propriedade ou não de subsídios estatais. É pena, dos que li, que não façam a mínima ideia do que estão a falar e insistam do cimo do seu arrogante desconhecimento a debitar disparates!

Ilustremos:

1 - Maria João Pires deu uma entrevista a um periódico espanhol e não a um português. É verdade! O que não é verdade é que Maria João Pires tenha recusado qualquer entrevista aos periódicos nacionais ou às televisões e rádios públicas e privadas.

2 - Maria João Pires não pede subsídios para a sua actividade como concertista nem para gravações, bem pelo contrário, todo o dinheiro que consegue com essa sua actividade coloca-o ao serviço do projecto Belgais. Este projecto de instrução/formação e divulgação ímpar é subsidiado a vários títulos, a saber:
2.1 - Produção de espectáculos e captação de novos públicos consubstanciados em concertos para as escolas na região de Castelo Branco, pelo Ministério da Cultura através do extinto IPAE e actual IPA (donde me parece provir estas notícias de sobre-financiamento) e passo a transcrever a missão definida para este contexto:

Concertos para as Escolas
Além da temporada regular de concertos de Belgais, que este ano inclui concertos mensais dedicados a vários países ou regiões, o Centro para o Estudo das Artes de Belgais criou recentemente uma nova modalidade de concertos, especialmente dedicados a escolas que queiram visitar o centro.
Nestes concertos serão apresentadas diversas obras do repertório clássico que, pelas suas características, são de uma mais directa e evidente assimilação por parte de um público jovem, e por outro lado trata-se de repertório que suscita estimulantes referências a universos extra-musicais como a literatura, as artes plásticas, etc.

Estes concertos serão comentados e haverá sempre espaço para um diálogo aprofundado entre o público e os músicos intervenientes sobre todos os aspectos relacionados com o fenómeno musical, desde os instrumentos, até à rotina de estudo ou ao nervoso de estar num palco.
Trata-se de uma forma estimulante de fazer chegar a jovens estudantes o mundo dos grandes mestres da música, criando pontes e relações com universos culturais que lhes são familiares, evitando assim algum tédio que, por vezes, formas de apresentação pouco imaginativas, ou escolhas de repertório pouco adequadas, podem provocar.

2.2 - Depois do Ministério da Educação determinar o encerramento de várias escolas do ensino básico dos arredores rurais de castelo Branco, Belgais propos-se acolher os alunos dessas escolas que seriam deslocados, apresentando um projecto educativo para o efeito, onde a formação e sensibilização para a arte teria uma presença idêntica às restantes áreas do saber e sentir, tendo o Ministério da Educação celebrado o primeiro Contrato-Programa com uma entidade privada para assegurar o ensino básico do qual se tinha demitido, com o prazo de 50 anos. Chama-se a este projecto "A Escola da Mata" sendo o atraso do cumprimento do financiamento deste projecto ímpar a que Maria João Pires se referiu. Passo a transcrever a missão que Belgais assumiu para si própria neste projecto:

Escola da Mata
Os projectos com crianças assumem-se como prioritários nos temas e objectivos do Centro para o Estudo das Artes de Belgais. Neste contexto, nasceu o projecto de uma Escola Primária Bilingue, baseada no estudo das Artes. Uma escola que pretende, ao longo dos anos, edificar um projecto global de intervenção cultural e social dedicado não só à população da Beira Baixa, mas a todos os que desejem fazer parte deste projecto inovador, que desincentiva a desertificação e que repõe a confiança das populações na sua região através das artes eruditas e tradicionais.

O projecto educativo da Escola da Mata apoia-se em três pilares fundamentais: a presença das artes na educação básica, o bilinguismo e uma consciência activa dos valores da comunidade em que a escola se insere. Pretende-se, desta forma, acrescentar a uma abordagem séria e criativa dos programas urriculares, um ensino que possa desenvolver nas crianças valores consolidados de integridade e auto-estima.
Assim, todas as áreas curriculares da escola devem, de algum modo, reflector os três pilares anteriormente referidos nos seus conteúdos programáticos

Há quem diga que estas crianças são beneficiadas em relação às restantes. Têm toda a razão. Belgais providencia a suas expensas, o transporte, a alimentação e dormida se necessário for aos seus alunos. Nisso têm toda a razão!

Estes são os subsídios do Estado que Belgais aufere perfeitamente enquadrados em princípios que deveriam orientar a atribuição de subsídios dos Ministérios da Cultura e da Educação já que é evidentemente o seu carácter pedagágico na formação de jovens a que o Estado se demitiu e não à prossecução de concertos itinerantes ou dúbias produções teatrais!

Quanto aos restantes doações, patrocínios e apoios recebidos por Belgais deixo aqui o rol para que possam constatar que mesmo apesar dos que abordei, os do Estado, os restantes são bem mais representativos:

Doações

Sua Alteza Real, o Príncipe de Gales
Hattori Foundation
Carlson Family Foundation
Jacob Foundation

Patrocínios actuais

Electricidade de Portugal
Portugal Telecom
Instituto Português das Artes do Espectáculo
Banco Português de Negócios
Yamaha Pianos
Deutsche Grammophon Gesellschaft
Grupo Lusomundo

Apoios

Ministério da Educação
Câmara Municipal de Castelo Branco
Câmara Municipal de Idanha-a-Nova
Jornal do Fundão
Revista Raia

É por isto que talvez me exceda quando vejo, em nome de esquerda ou direita que ainda não sei o que é senão o tratamento evidente de clientelas, dizerem e escreverem coisas só porque gostam de o fazer pois demonstram um cabal desconhecimento do assunto de que se reservam no direito de abordar.

Sobre este assunto ver o que escreveu Aviz, Bloguítica e outros que, eventualmente, não tenha detectado.

Publicado por ideias-soltas em 06:03 PM | Comentários (1)