«Páscoa no Alentejo... », «Já agora fica a dúvida», «Outra curiosidade» por Piotr Kropotkine e «Mértola por Pedro Gomes Sanches.
"1. Reúne-nos o dever de fazer memória. De vigiar. Contra as forças do esquecimento. Contra a memória que esquece e que, como a água, arrasta tudo na sua voragem. A vigília pascal é a mãe de todas as vigílias durante a qual o mundo inteiro vigia, dizia Agostinho. Porque é ditosa esta noite? Porque recomeça aqui o mundo como ordem e justiça. Porque o grande Domingo começa. Porque o acontecimento pascal é o dom de Cristo presente ao seu corpo. Porque a saga da encarnação tocou o nosso desejo e a nossa carne. “Toda a carne será salva”, eis o que anuncia esta noite santa. Nesta noite Cristo desceu aos infernos assumindo a totalidade da humanidade passada e a vir. A imagem do Deus invisível salvou a imagem a partir da qual fomos criados.
2. Nesta noite todas as definições anteriores e restritivas do mundo voam em estilhaços. As etimologias supostas da palavra paskein, sofrer, ou a ideia de passagem (pascha-transitus) marcaram muito o sentido desta festa. Melitão de Sardes propõe o verbo paskein, como etimologia da palavra Páscoa, sem que isso afecte a compreensão daquilo a que foi o primeiro a chamar “o mistério pascal”. Militão transforma a Páscoa judia - a feliz passagem (diabasis = transitus) de Deus para lá das portas marcadas pelo sangue do cordeiro - no Logos, no seu hino sobre a Páscoa que é tanto uma homilia como um praeconium, um louvor a Deus, muito próximo do Exultet: “Corruptível o cordeiro, incorruptível o Senhor; imolado como cordeiro, ressuscitado como Deus”.
3. Ele é a imagem pática e desejante. Páscoa é o triunfo da imagem e o triunfo da carne. O nosso destino é pascal. É o triunfo de tudo o que deve ser atravessado, a saber um ventre de mulher, a ordem do sangrento, o cumprimento do sacrifício, a morte, tudo o que traz a marca da imagem e em que se encarna o desenrolar do seu destino, que é ser incorruptível. A imagem tem que ver com o ventre das mães, com a questão do sofrimento, do sangue e da morte, é preciso levá-la à ressurreição. Encontrá-la sob o modo de uma visibilidade transfigurada, i.e, de uma outra matéria, de uma visibilidade espiritual. Figura para lá da figura, forma para além da forma, luz antropomórfica do mundo redimido.
4. Se não interpretamos esta saga sob a ordem do pathos – da paixão, que foi antes de tudo um paskein, a morte passa -, e sem a ressurreição, nada compreendemos do Verbo que se fez carne e não corpo, pois que ele é a vida da palavra encarnada e não a morte dum invólucro caduco. O nosso destino, como imagem, é doravante pascal. Mas nem Orígenes nem Agostinho se satisfazem com esta maneira de ver a Páscoa. Na paixão do Senhor e na sua ressurreição é sacralizada a nossa passagem da morte à vida (2ª Carta a Januarius, Epist. 55, a, 2). A luz é o símbolo do dom de Deus, dos anos e da trindade, fonte de toda a luz. Gregório de Nazianzo vê a Páscoa como a atracção da luz para o alto e das vestes brancas que os baptizados traziam até ao domingo seguinte, in albis.
5. Não podemos olhar face a face nem a morte nem a vida. Só partilhamos o que não vemos – o invisível. Para acreditar não é mais preciso tocar, é preciso renunciar a tocar para ser tocado. Os relatos de Emaús ou de Tomé são exemplares. É preciso abrir os olhos. O túmulo vazio só existe para pupilas vazias e olhares cegos. Túmulo, pupila, clausura só pode abrir-se sobre a pura luz da nova aparição da carne. Não é corpo que ressuscita, mas a carne porque é nela que assenta a similitude reencontrada. Os olhos de Tomé procuram as provas da presença de um corpo. A carne ressuscitada propõe-lhe o “contacto” dos buracos! “Noli me tangere”. Não podemos tocar a imagem, ela está lá para a ressurreição dos olhos e não para a reanimação dum cadáver tangível. Aquele que caminha para Emaús não é uma alma penada, um simulacro fantasmático, mas a imagem eternamente viva do Verbo que permanece invisto para a cegueira do espírito, visível para o olhar transfigurado, eikon.
6. A ressurreição não é um regresso à vida. É a glória do seio da morte, uma glória obscura cuja iluminação se confunde com a treva do túmulo. Não é um processo de regeneração (semelhante ao das mitologias como as de Osíris ou de Dionísio), mas consiste na relação com aquele que disse: “Eu sou a ressurreição”. “Quem se fia em mim, ainda que morra, viverá”. Fiar-se nele, na fé, não é acreditar que pode haver ressurreição do cadáver, é manter-se com firmeza na certeza duma posição diante da morte. É isso a anastasis. Esta revelação mostra que nada há a mostrar, a aparecer; não há “adeus” entre Jesus e Maria. O corpo glorioso é simultaneamente aquele, que parte e aquele que fala, e que fala partindo, apagando-se tanto na obscuridade do túmulo como no aspecto do jardineiro. A sua glória só brilha para aqueles que o sabem ver e os seus olhos nada mais vêem que o jardineiro. Mas este fala e diz o nome daquela que chora o desaparecido. Dizer o nome é o que morre e não morre. É dizer o que parte sem partir (o que fica gravado nos túmulos). “Maria!” revela Maria a si própria, revelando-lhe ao mesmo tempo a voz que se vai e que a nomeia e o envio a que o seu nome compromete: que ela parta também e que anuncie a partida, o dia, a glória do ressuscitado e a nossa.
7. A vida do ressuscitado está escondida em vós, como o fermento que leveda o pão e essa massa é a espessura da nossa humanidade sofrente, pecadora, jubilosa. A vida do ressuscitado é-nos dada, mas ela é discreta e leve como uma palavra ou um perfume. Mataram o profeta em sexta feira santa para o fazer calar, mas hoje a palavra do pastor convoca ainda, suscitando testemunhos que encarnem esta palavra e a transplantem para a terra boa do desejo de que o amor os toque. Esta Palavra tocou-nos através dos homens e mulheres que dela testemunharam na sua vida. A vida do ressuscitado está escondida em vós, como o fermento que leveda o pão e essa massa é a espessura da vossa humanidade sofrente, pecadora, jubilosa. A vida do ressuscitado é-nos dada, mas ela é discreta e leve como uma palavra. Nós somos vivos no meio do Vivo. Sexta feira santa mataram o profeta para o fazer calar, mas hoje a palavra da vida brota do túmulo e suscita testemunhos para tomar corpo no mundo e chegar às extremidades da terra para que todos ouçam este anúncio do amor de Deus. É a nossa vez: deixemo-nos habitar por essa Palavra para que a nossa vida se torne auto-revelação da Vida. Que o Verbo tome carne nas nossas Igrejas. Esta Palavra tocou-nos através de homens e mulheres que dela testemunharam na sua vida. É a nossa vez: deixemo-nos habitar por essa Palavra para que a nossa vida fale da primavera da vida, J. C.
8. Para nós, que chegamos aqui, amanhã será como ontem? A resposta foi confiada à nossa fé que é tanto uma estrada escura como uma estrada branca. Acreditemos na vida de Cristo mais forte do que a morte. Acreditemos na sua força, capaz de nos acordar do torpor e do amolecimento, como o grão que na primavera faz acordar a terra. Acreditemos na vitória da vida, na insubmissão que ergue o mundo. A repetição anual da festa só tem sentido se o cristão refaz a passagem da morte à vida que foi a do seu baptismo. Ele passa assim, “de Adão ao Cristo, do homem velho ao homem novo, do velho fermento aos ázimos, do velho ao novo”, dos dias daqui ao dia único que é Cristo. Toda a vida do cristão e da Igreja é uma saída do Egipto marcada por diferentes passagens, desde a primeira, a da conversão à fé, até à última, a da migração fora do corpo e do mundo.
9. Todo o instante é Páscoa, toda a vida é passagem, toda a vida é eucaristia. O jardineiro não cuida a lembrança mas o imemorial do partir e do porvir. A ressurreição não é uma reanimação: é o prolongamento infinito da morte que desloca e que desinstala todos os valores de presença e de ausência, de animado e de inanimado, de alma e de corpo. É a extensão do corpo à medida do mundo e da proximidade de todos os corpos. A morte abre a relação, a partilha da partida. Estamos sempre a ir e a vir. Divididos entre o conhecido e o desconhecido, o visível e o invisível. Entre a presença e a separação.
10. Quando, em nome de Jesus, mulheres e homens se reúnem para receber o alimento necessário para se manterem de pé, fazem-no porque este Corpo único para que são convocados os atrai. Jesus atrai-nos a partir do seu mistério pascal para que nos irmos tornando com Ele imagem pascal. O destino do nosso corpo é vir a ser um corpo de glória, “soma pneumatikon”, um corpo espiritual. Com as mulheres que choram junto à cruz; com os discípulos que correm ao sepulcro e acreditam, proclamemos nós também: Cristo, o Senhor ressuscitou, aleluia!"
A divulgação que o Leonel Vicente tem vindo a fazer sobre "LÍNGUAS MINORITÁRIAS NA EUROPA" (já vai na XVIIª entrada) na sua Memória Virtual são mais um exemplo de que serviço público sério pode fazer-se em qualquer meio de comunicação, desde que se queira!
Parabéns Leonel Vicente!
Hoje, às 21:30h, na Biblioteca Municipal de Beja, ocorrerá a apresentação, por Mário Máximo, do 2º livro de poesia de Carreira Marques - "Sol Incendiado".
Carreira Marques é Presidente da Câmara de Beja há 23 anos embora já tenha manifestado a sua vontade em dedicar-se exclusivamente à poesia não se racandidatando a novo mandato.
Pelo que vamos lendo no seu blogue, Pedra a Pedra, acreditamos que ganharemos um bom poeta, mas enquanto cidadão sei que perderemos um dos bons Presidentes de Câmara deste país.
Boa sorte, Carreira Marques, para este novo ciclo de vida.
De la torpe ignorancia que confunde
lo mezquino y lo inmenso;
de la dura injusticia del más alto,
de la saña mortal de los pequeños,
¡no es posible que huyáis! cuando os conocen
y os buscan, como busca el zorro hambriento
a la indefensa tórtola en los campos;
y al querer esconderos
de sus cobardes iras, ya en el monte,
en la ciudad o en el retiro estrecho,
¡ahí va!, exclaman, ¡ahí va!, y allí os insultan
y señalan con íntimo contento
cual la mano implacable y vengativa
señala al triste y fugitivo reo.
2
Cayó por fin en la espumosa y turbia
recia corriente, y descendió al abismo
para no subir más a la serena
y tersa superficie. En lo más íntimo
del noble corazón ya lastimado,
resonó el golpe doloroso y frío
que ahogando la esperanza
hace abatir los ánimos altivos,
y plegando las alas torvo y mudo,
en densa niebla se envolvió su espíritu.
3
Vosotros, que lograsteis vuestros sueños,
¿qué entendéis de sus ansias malogradas?
Vosotros, que gozasteis y sufristeis,
¿qué comprendéis de sus eternas lágrimas?
Y vosotros, en fin, cuyos recuerdos
son como niebla que disipa el alba,
i qué sabéis del que lleva de los suyos
la eterna pesadumbre sobre el alma!
4
Cuando en la planta con afán cuidada
la fresca yema de un capullo asoma,
lentamente arrastrándose entre el césped,
le asalta el caracol y la devora.
Cuando de un alma atea,
en la profunda oscuridad medrosa
brilla un rayo de fe, viene la duda
y sobre él tiende su gigante sombra.
5
En cada fresco brote, en cada rosa erguida,
cien gotas de rocío brillan al sol que nace;
mas él ve que son lágrimas que derraman los tristes
al fecundar la tierra con su preciosa sangre.
Henchido está el ambiente de agradables aromas,
las aguas y los vientos cadenciosos murmuran;
mas él siente que rugen con sordo clamoreo
de sofocados gritos y de amenazas mudas.
¡No hay duda! De cien astros nuevos, la luz radiante
hasta las más recónditas profundidades llega;
mas sus hermosos rayos
jamás en torno suyo rompen la bruma espesa.
De la esperanza, ¿en dónde crece la flor ansiada?
Para él, en dondequiera al retoñar se agosta,
ya bajo las escarchas del egoísmo estéril,
o ya del desengaño a la menguada sombra.
¡Y en vano el mar extenso y las vegas fecundas,
los pájaros, las flores y los frutos que siembran!
Para el desheredado, sólo hay bajo del cielo
esa quietud sombría que infunde la tristeza.
6
Cada vez huye más de los vivos,
cada vez habla más con los muertos
y es que cuando nos rinde el cansancio
propicio a la paz y al sueño,
el cuerpo tiende al reposo,
el alma tiende a lo eterno.
7
Así como el lobo desciende a poblado,
si acaso en la sierra se ve perseguido,
huyendo del hombre que acosa a los tristes,
buscó entre las fieras el triste un asilo.
El sol calentaba su lóbrega cueva,
piadosa velaba su sueño la luna
el árbol salvaje le daba sus frutos,
la fuente sus aguas de grata frescura.
Bien pronto los rayos del sol se nublaron.
la luna entre brumas veló su semblante,
secóse la fuente, y el árbol nególe,
al par que su sombra, sus frutos salvajes.
Dejando la sierra buscó en la llanura
de otro árbol el fruto, la luz de otro cielo;
y a un río profundo, de nombre ignorado,
pidióle aguas puras su labio sediento.
¡Ya en vano!, sin tregua siguióle la noche,
la sed que atormenta y el hambre que mata;
¡ya en vano!, que ni árbol, ni cielo, ni río,
le dieron su fruto, su luz, ni sus aguas.
Y en tanto el olvido, la duda y la muerte
agrandan las sombras que en torno le cercan,
allá en lontananza la luz de la vida,
hiriendo sus ojos feliz centellea.
Dichosos mortales a quien la fortuna
fue siempre propicia... ¡Silencio!, ¡silencio!,
si veis tantos seres que corren buscando
las negras corrientes del hondo Leteo.
É o que afirma o Rui Curado Silva, na sua Klepsýdra, a propósito "de opiniões que ultimamente têm andado a circular nos meios de comunicação social portugueses sobre a opção nuclear".
As pessoas que sabem o que dizem e dizem o que sabem têm cada vez menos espaço de comunicação e facilmente são rotuladas de arrogantes!
São exactamente essas pessoas que me interessa ouvir, como o Rui Curado Silva!
Texto imprescindível!
Em tempos escrevi um comentário no Contemporâneas de Teresa Cascudo sobre o Concerto para 2 pianos e Orquestra de Sérgio Azevedo onde, entre outras coisas disse:
«(...) a obra inicia uma mudança em Sérgio Azevedo, sentindo-se uma composição muito mais solta, experimental, quase me atrevo, em relação ao "excesso" de academismo que o compositor se vinha prendendo.»
tendo obtido uma interpretação díspar, com direito a resposta, por parte do compositor, que considero.
Entendi por bem responder a um e-mail pessoal do próprio Sérgio Azevedo e nada dizer ou escrever publicamente sobre o assunto por poder tornar-se demasiadamente melindroso.
Em boa hora tomei esta decisão pois, mais tarde, o próprio compositor vem a escrever sobre a sua obra o segyuinte:
Dou, assim, este assunto por encerrado esperando que de futuro não se leia nem interprete o que nunca quis dizer ou escrever.
Aproveito para aqui divulgar, com grande alegria, que a gravação desta obra, efectuada pela Rádio Nacional de España, a 10 de Junho de 2003, com Artur Pizarro e António Rosado nos pianos e a Orquesta de la Comunidad de Madrid, dirigida por Luca Pfaff, será adquirida pela Antena 2 da RTP, à semelhança do que deveriam fazer com muitas outras belíssimas obras dos nossos compositores lá estreadas e gravadas e nunca ouvidas no nosso país.
Ontem recebi um e-mail do P.G. Sanches com aquilo que ele pensava ser uma provocação por se tratar de um artigo de um autor que não é das minhas preferências, João Pereira Coutinho, publicado no Independente em 7 de Fevereiro de 2003 e on-line aqui. Transcrevo um excerto com destaque meu:
Subscrevendo eu isto, tim-tim pot tim-tim, considerando até que a causa essencial da decadência ocidental é o arrivismo e a falta de educação (em casa e na escola e no trabalho e na rua e nos meios de comunicação social), pergunto eu, isto é ser de direita?, é ser de esquerda?
Para mim nem uma coisa nem outra, é ser marginal, marginal às etiquetas esquerda/direita volver, marginal a esta vulgaridade que, com a arrogância que lhe é característica, domina o poder em todos os sentidos e formas!
Marginal e elitista!
O Virgílio Marques dá-nos uma belíssima notícia no blogue Guilhermina Suggia sobre a criação da Associação com o nome da insígne violoncelista, mas vai adiantando que não chegam as boas palavras e as boas vontades...
Esquecimento imperdoável foi o facto de no post que dediquei a Dianne Reeves não ter mencionado a sua participação no tema ""Feeliong og Jazz" que abre o Cd de Winton Marsalis, "The Magic Hour", editado o ano passado.
Dei por aqui nota dele, mas concretamente sobre este blues de Marsalis, eu que não sou de "best of's", sempre digo que foi o tema que ouvi e ouço com mais regularidade desde que o tenho, diariamente, digámos!
Um blues em tempo lento (a semínima não passa dos 72) durante 7 minutos onde voz e trompete dialogam acompanhados acusticamente, sem nos cansar, é um feito notável.
Para os menos identificados com o estilo, o blues baseia-se numa estrutura de 12 compassos 4/4 sobre 3 harmonias - tónica, mediante e sétima da dominante - estrutura esta repetida as vezes que os intérpretes ousarem improvisar sobre ela.
Neste "Feeling of Jazz", de tempo lento, repito, e ambiente calmo, desenrola-se uma teia de crescente cumplicidade e tensão progressiva que apenas vem a atingir o clímax após o 5º minuto, numa explosão lógica, simples e construída na reciprocidade entre a voz de Dianne e o trompete de Winton, para lentemente regressarem à distensão do início do tema para o concluirem.
É um tema de antologia, seguramente, em especial para aqueles que ainda não se deixaram apnhar pelo Jazz, devido à simplicidade (muito complexa) de construir tensão e distensão presos a uma harmonia e uma estrutura pré-definidas.
Aqui fica esta nota de esquecimento imperdoável sobre o talento de Dianne. Vão ouvi-la, pela vossa saúde!
Nos próximos dias 22 e 23 iremos receber, em trio, Dianne Reeves no CCB e no Rivoli, respectivamente. Esta cantora de Detroit tem sentido enormes dificuldades em afirmar-se junto dos críticos talvez pelo facto de se expressar com elevada qualidade em vários géneros, desde o Blues, R&B, Jazz, mas a verdade é que não encontro paralelo actualmente seja no seu timbre quente, na sua técnica irrepreensível, na sua expressividade negra, no profissionalismo com que encara cada projecto e concerto.
Deu os primeiros passos como profissional no final dos anos 70 pela mão de Lenny White, Stanley Turrentine e Alphonso Johnson, na época em que estes músicos atravessavam a fase da "fusão" ou do "funky" se preferirem, estilo que rolou na época pós-free quando os músicos de Jazz procuravam novos caminhos, o aprofundamento do free, o regresso às origens e o mais fácil, fácil porque comercialmente muito bem aceite, o funky.
Rapidamente constrói o seu próprio espaço com a ajuda de Billy Childs, lançando o seu primeiro trabalho a solo, "Welcome to my Love", em 1982, com um sucesso assinalável.
Na 2ª metade dos anos 80, duas extraordinárias oportunidades catapultam Dianne Reeves para o reconhecimento internacional mantendo, contudo, os críticos de Jazz muito cépticos:
1 - em 1985 o "patrão" da Blue Note, Bruce Landvall, patrocina um concerto de homenagem a Duke Ellington, "Echoes of Ellington" juntando Dianne Reeves com George Duke, Freddie Hubbard, Herbie Hancock, Tony Williams, Stanley Clarke e o seu velho amigo Billy Childs. O sucesso deste concerto proporcionou uma "tournée" mundial de 138 concertos;
2 - em 1989 a Blue Note ao tentar revitalizar antigos talentos oferece a Lou Rawls a possibilidade de gravar "At Last", com a participação de alguns notáveis da etiqueta, George Duke, George Benson, Ron Blake e Dianne Reeves, que redundou num estrondoso sucesso, dando a conhecer aos menos atentos o seu talento de cantor de blues onde sobressaem, precisamente, os dois temas onde ele faz duo com Dianne Reeves, "At Last" e o famoso "Fine Brown Frame".
Em 1994 grava, para mim, o seu melhor trabalho de sempre,

com as participações de Ron Blake, "Cannonball" Adderley, Joshua Redman, Roy Hargrove, George Duke e Airto Moreira, entre outros. É um trabalho fabuloso onde Dianne Reeves não cede nunca a virtuosismos escusados e transpira musicalidade do princípio ao fim! Tenho dificuldade em salientar uma faixa, mas sempre diria que a sequência "The Benediction (Country Preacher)" / "Detour Ahead" são de rara beleza pelo encanto da junção do Gospell, dos blues e da fusão na sua mais plena negritude.
Que poderei dizer mais sobre Dianne Reeves? Já se aperceberam que é uma das minhas paixões musicais, mas pronto, vá lá, já agora para a malta da clássica, foi escolhida por Simon Ratlle para se apresentar como única solista no Carnegie Hall com a Orquestra de St. Lukes num concerto de homenagem a Duke Ellington e grava também como solista, para o mesmo efeito, com a Orquestra de Cleveland sob a direcção de Daniel Barenboim. Já em 2003 grava Gershwin e faz uma "tounée pela Europa e Extremo Oriente, também a convite de Simon Ratlle, com a Orquestra de Berlim.
Em 2004 ganha o "Grammy" de "Best Jazz Vocal Performance" pelo seu trabalho "A Little Moonlight".
Apesar de tudo este percurso continua a não obter as graças dos críticos de Jazz mais "puristas", mas que é a melhor cantora negra viva de Jazz, de Blues, de R&B, de Funky, ai disto ninguém me tira a ideia e se não acreditam vão ouvi-la! Não darão o tempo por mal empregue!
«Quo vadis, sociedade civil bejense?!», «Quo vadis, empresários alentejanos?!» e «Quo vadis, administração pública central desconcentrada?!» por PGSanches.
O Virgílio Marques, autor do blogue Guilhermina Suggia, anunciou em tempos a criação de uma Associação que cuidasse de preservar e divulgar a memória da nossa melhor violoncelista de todos os tempos e uma das mais célebres de sempre..., além fronteiras.
Por cá poucos saberão quem foi Guilhermina Suggia, mas o certo é que até Virgínia Wolf lhe fez elogiosa referência no seu diário.
Bom, o Virgílio Marques deitou mãos à hercúlia obra - angariou aderentes à causa (ver aqui), elaborou um projecto de estatutos (ver aqui) e pôs-se a caminho do Registo Nacional de Pessoas Colectivas (RNPC) para formalizar o assunto.
Tudo correu bem, as adesões são numerosas e sonantes, os estatutos foram aplaudidos, mas eis que o RNPC responde-lhe que é necessária a autorização da senhora para criar uma Associação com o nome dela. O Virgílio lá explicou que seria difícil pois a visada falecera há 50 anos. Bom, sendo assim, os herdeiros terão de nos comunicar por escrito a sua autorização. Pois, mas o problema é que a senhora não deixou herdeiros...!
Então, meu senhor, nada feito, arrange lá outro nome para a Associação, eu sei lá..., por exemplo, Associação Suggia Guilhermina!!!
Esta é uma paródia verdadeira que o Virgílio, sem parodiar, aqui descreve, tim-tim por tim-tim!
Que raio de país nos tornaremos se insistirmos no escrupuloso cumprimento deste género de leis e de gentes que teimam em não as contornar?
Alguns amigos têm-me manifestado alguma estranheza pelo facto de António Pinho Vargas continuar ligado ao CCB apesar de se ter demitido após a demissão de Miguel Vaz de quem era consultor.
De facto, António Pinho Vargas, apesar de não ter mais uma ligação contratual, assumiu ajudar a nova administração no que concerne à sua opinião sobre as candidaturas do novo projecto "BoxMúsica", bem como aos projectos que deixou prontos, nomeadamente as "Residências", a programação dos Concertos Comentados e naturalmente aos 3 concertos OSP/CCB em torno de Wolfgang Rihm.
Às vezes é necessário divulgar este tipo de esclarecimentos pois a sua ausência permite (inevitavelmente no meio e fora dele) boatos e maledicências muito ao jeito da grande panela da mediocridade.
Depois de um tempos de descontinuidade aí está o n.º 11 da "INTERACT" (link constante dos "Confortos" aqui ao lado), a única revista digital portuguesa ligada à arte, cultura e novas tecnologias, dirigida por Teresa de Sousa da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Nova.
Este n.º está, à semelhança dos anteriores, bastante rico, contando com estudos e ensaios sobre hipertexto, ética e literatura, linguagem dos jogos de computador, arte simbólica e uma entrevista a António Câmara por Gonçalo Felino.
Neste n.º 11 da INTERACT contamos com as participação de J. Rosa, J. Godinho, Luís Soares, Luís Filipe Teixeira, Guilherme Xavier, Mark Stephen Meadows, dr Bakali, José Augusto Mourão, Jorge Leandro Rosa, Leonel Moura, Pedro Gadanho, Patrícia Gouveia, Filomena Moita, Gonzalo Frasca e Pitch Gonçalves, por ordem de inserção.
Para além de estar totalmente disponível on-line, a INTERACT permite o download em formato "pdf" para quem pretender. Nota menos positiva é o site estar construído totalmente em "flash", tornando-se muito pesado para quem não tem computadores "bomba" para navegar.
Transcrição da missão do projecto INTERACT:
«A interact é uma publicação digital, de periodicidade quadrimestral editada pelo Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens (CECL).
O seu objectivo é a reflexão e a discussão em torno de temáticas importantes do pensamento contemporâneo, o acompanhamento crítico de acontecimentos e práticas culturais e artísticas e o incentivo ao trabalho de experimentação com as tecnologias digitais e as redes de informação.
Diminuir o fosso ainda existente entre a cultura e a cibercultura é ainda uma das suas principais motivações, procurando por isso o encontro (e o confronto) entre práticas mais tradicionais no âmbito da cultura (como o ensaio, a crítica e a recensão), e práticas de expressão, de reflexão e de criatividade próprias à cultura digital, como as da hipertextualidade e hipermedia, interactividade e conectividade.»
Divulgação:
O colectivo Alfarroba com o apoio da "Plataforma Transgénicos Fora do Prato", convida todas as associações e organizações de protecção da Natureza, de agricultura e consumo ecológico, a divulgarem e a participarem na - Parada anti-OGM - a realizar-se no dia 5 de Fevereiro em Beja.
A ideia é o contacto directo e pessoal com a população/consumidores e agricultores de forma a sensibilizar para a questão dos Organismos Geneticamente Modificados e para a nova lei, já aprovada, de comercialização livre de milho transgénico já a partir de Março.
Para tal, vamos falar e dar informação às pessoas, no mercado municipal de Beja e em seguida saimos para as ruas, como é Carnaval, aproveitamos e fazemos a festa, esperamos que tragam animação e criatividade convosco,
instrumentos musicais e máscaras e claro muita informação anti-OGM!!
À hora do almoço faremos um pic-nic ecológico no jardim da cidade, com muita animação e mais uma óptima oportunidade para se falar dos transgénicos e conhecermo-nos melhor:)
A partir das 16h, no auditório da Biblioteca de Beja, Sandra França da Plataforma Transgénicos Fora do Prato, vai dar uma palestra sobre os OGM com espaço para debate (esperemos que sim!!)
Às 17.30h - José Miguel Fonseca e José Pedro Raposo, irão falar sobre o valor das sementes autóctones e a importância da sua conservação.
Para acabar em beleza, mesmo pertinho de Beja, em Entradas (perto de Castro Verde) estará a decorrer o Entrudanças, baile organizado pela Pé de Xumbo!
O governo acaba de retirar todos os apoios ao "Centro de Música Tradicional Sons da Terra", uma das instituições que mais tem feito pela recuperação e divulgação da música tradicional e étnica portuguesa, nomeadamente a Gaita de Foles, através do seu já internacional Festival de Sendim.
Há uma petição a correr on-line, dirigida ao Ministério da Cultura, à Câmara Municipal de Miranda do Douro, ao Instituto das Artes e à Delegação Regional da Cultura do Norte ,deixando-vos uma transcrição do pedido de apoio que recebi via e-mail da Associação Gaita de Foles:
«(...) o Centro Música de Tradicional Sons da Terra, em Sendim (Miranda do Douro) corre o risco de fechar as portas, devido à cessação de apoios por parte do governo. O Centro de Música de Tradicional Sons da Terra tem sido responsável, em Sendim, pelo desenvolver de actividades ligadas à música tradicional Mirandesa, que incluem palestras, cursos de instrumentos mirandeses e possui ainda uma biblioteca dedicada aos temas da música tradicional mirandesa e internacional.
O seu fundador, Mário Correia, é um dos "históricos" da música tradicional e "Folk" em Portugal, sendo o fundador da MC - Mundo da Canção, Festival Intercéltico de Sendim e da Editora Sons da Terra (que tem publicado uma colecção discográfica inteira dedicada aos gaiteiros portugueses contemporâneos, de valor documental inestimável) para além de ter passado pela organização das primeiras edições do Festival Intercéltico do Porto. O notícia do eventual fecho do Centro Sons da Terra em Sendim tem sido recebida com choque e surpresa, por representar o fim de uma instituição que é de alto valor para o reconhecimento da cultura transmontana e sobretudo porque era um espaço orientado para a população mais jovem, que agora se poderá ver privada dele.»

Volvidos 10 anos sobre a gravação do tema "June" de António Pinho Vargas no trabalho "A Luz e a Escuridão" com o próprio, ao piano, Maria João, voz e José Nogueira nos saxofones, Don Ross transcreveu-o para o seu instrumento, guitarrra acústica, apresentando-o no seu novo CD "Robot Monster" em distribuição exclusiva pela net.
O curioso é que António Pinho Vargas e Don Ross não se conhecem nem nunca se falaram tendo este último tomado conhecimento de "June" através de alguém que lhe ofereceu "A Luz e a Escuridão" e, pimba, 10 anos depois grava-o e edita-o!
O Luís F. Vieira leu a carta de José Sócrates e resolveu responder-lhe enquanto Cabo Raso.
Excelente, vale a pena ler.
excertos:
«Finalmente, não apele em vão à participação seja de quem for para construir dinâmicas de mudança para uma nova geração e uma clonada raça de moscas geneticamente mais resistentes à compostura e ao decoro. Não peça que seja quem for se aplique no debate e na divulgação das suas propostas, que objectivamente se não conhecem.
(...)
Faça propostas substantivas, como engenheiro elabore cronogramas, estabeleça calendários e quantifique tudo. Com o rigor com que isso deve fazer-se e não anunciar-se. Depois apele à participação e ao castigo pelo incumprimemto.»
O "Institut de Recherche et Coordination Acoustique/Musique", (IRCAM, com link aqui mesmo ao lado na secção "confortos"), numa iniciativa intitulada "Invitations au tour du réportoire", convidou este ano o Remix Ensemble, do Porto, para se mostrar ao público de Paris e proporcionar-lhe, durante uma semana uma aproximação e familiarização com o que chamam de "música mista" em estreita colaboração com os compositores do IRCAM e seus assistentes. As peças saídas destes "ateliers" serão apresentadas ao público juntamente com o reportório que os convidados já levam preparado:
- Luis Fernado Rizo Salom Al Umbral del abismo, para piano e ensemble
- Emmanuel Nunes Nachtmusik I, para 5 instrumentos e orquestra
- Salvatore Sciarrino Introduzione all'oscuro, para 12 instrumentos
- Gérard Grisey Jour, contre-jour
dirigidos por Peter Rundel e assistência musical de Éric Daubresse, beneficiando com a capacidade informática do IRCAM, numa co-produção da Casa da Música e do IRCAM-Centre Pompidou que ocorrerá a 20 de Janeiro no IRCAM e a 22 no Teatro Helena Sá e Costa, no Porto. (link)
Para os menos familiarizados com estas coisas da música electro-acústica, o IRCAM foi fundado pelo Centro George Pompidou em 1969 tendo então sido convidado para a sua direcção o compositor e maestro Pierre Boulez, a quem deve o seu sucesso, sendo hoje o maior e mais bem apetrechado centro de investigação científica exclusivamente dedicado às tecnologias para a criação musical do mundo, contando com cerca de 90 investigadores permanentes e sede de estágios dos mais reputados compositores da área.
Sinceros parabéns ao Remix Ensemble que consegue ser mais um dos que demonstra que os portugueses sabem e conseguem fazer bem quando a politiquice não perturba e deixa trabalhar.
Passo a vida a citar o Piotr nos últimos tempos destas ideias, mas este, "A Miragem Perdida", é o melhor post que li sobre NÓS, quem somos, donde vimos, onde estamos, para depois, e só depois, procurar para onde queremos ir!
Excepcional! Bravo, Piotr!
I've got the time, but I don't know where to go in my mind
I feel fine, I see everything and behind
I've got hope, thinking that everything's fine
I just don't know where the fucking reality can be seen...
I've got the time and I've never been so cool in my mind
I've got the time and I'm feeling very cool in my mind
I feel fine, I need to keep myself on the line
I've gotta show why things are so important this time
I've gotta show one way to myself all the time
I just don't know where the fucking reality be seen...
And everything gotta be as a love song

Este é o texto cantado / dito pelo Quico Serrano na faixa 11 de "Meeting Point" dos Plaza, lançado em Abril de 2004.
Apesar da dificuldade que sempre encontrei em eleger os meus "best" seja em que domínio for, o certo é que os Plaza nasceram um pouco "à rebelia" dos irmãos Praça dos ex-Turbo Junkie, apesar de ter sido sua a iniciativa - contrataram o Quico para produzir o novo trabalho dos Turbo Junkies...,
mas quando se deram conta já não eram mais Junkies e tiveram de encontrar um novo nome para o trabalho que haviam conseguido - Plaza, escolheram para o novo grupo e "Meeting Point" para o 1º trabalho.
Os Plaza, de facto, em nada se assemelham aos Turbo Junkies! Neste trabalho com 12 faixas encontramos motivos "retro" de base pop dos anos 60, 70 e 80 embora embalados por roupagens muito diversas: pop puro e duro de aplicação directa nas discotecas; aromas de rock sinfónico da primeira metade de 70; baladas rock; Drum & bass; um pouco de house; rock electrónico de tendência minimalista (lembrando um pouco Kraftwerk). Dir-se-ia um trabalho descaracterizado de tão eclético, de tão salpicado de tudo um pouco, mas ouvindo, ouvindo de princípio a fim sem interrupção, logo sentimos que existe ali uma argamassa (uma cama, na gíria musical) que confere uma unidade lógica a tudo quanto ouvimos.
Não há "copy / pastes" há a musicalidade do Quico Serrano de princípio a fim, a argamassa que dá a unidade. É que o Quico, para além de ser o produtor português que mais admiro ( o "guru" das sonoridades electrónicas e o "rato" de estúdio que sabe fazer tudo o que lhe pedem, os músicos e a música), consegue neste trabalho colocar muito de si próprio (de seu coloca em todos os trabalhos que produz), mas aqui, dele mesmo, da sua alma, a sua música, aquela que eu já ouvia nos finais de 70 e princípios de 80. De facto, as 2 últimas faixas, Everything's gotta be as a song" e "Electrical Mind" soam quase exclusivamente a Quico, expurgado mesmo de influência dos irmãos Praça.
Não elejo "Meeting Point" como o melhor trabalho de coisa alguma, apenas quis aqui prestar a minha homenagem ao Quico, o melhor produtor português de música tracional, de pop, de rock, de música electrónica, enfim de quase tudo (na minha opinião, claro), mas especialmente pelo facto de ter conseguido emprestar tanto da sua musicalidade a este projecto, enquadrando a sua música com aquela outra que hoje se vai fazendo, um pouco por todo o lado, mas com uma qualidade muito elevada, marca indissociável do trabalho a que nos habituou.
Bem hajas Quico e parabéns aos Plaza que é um excelente projecto pop!
Pois é, Piotr, mas é assim e não só na política. Há falta deles e quando alguém os tem, ostracismo! Daí que, das três, quatro:
1 - levar nele por gosto, com ostentação e "lobbie" assegurado;
2 - levar nele e afirmarmos peremptoriamente diante do cônjuge que vamos matá-losa todos, embora à espera que o "lobbie" nos apadrinhe;
3 - levar nele, mas ponderar que há sempre algures um outro lado da questão, vejamos... uma forma positiva de ver as coisas, quiçá;
4 - levar nele e berrar, denunciar, apontar o dedo...
Neste último caso o melhor é preparar-se para ser etiquetado como mais um inadaptado e incompreendido..., um marginal, mesmo com a espinha direita, como bem é dito mais à frente no teu texto.
É o que desejo a todos os que por aqui vão passando - amigos, conhecidos e caminhantes do devir.
Deixo-vos um texto de José Augusto Mourão retirado daqui:
«Natal 2004
O Natal responde ao longo pedido que o livro de Isaías descreve: “Eles procuram-me dia após dia, desejam conhecer a conduta que me agrada...Informam-se junto a mim sobre as exigências da justiça, desejam a presença de Deus” (IS. 58, 2). O Natal é o desejo tornado presença.

No começo, o Logos ou o Verbo. Depois a vida, a luz e os homens. Entre a vida e os homens, a luz e o lugar de João: ele veio para testemunhar da luz. Não temos em João uma definição orgânica da vida, nem do conjunto humano consistente como tal. Há uma linha traçada por um gesto único, um vector de alta energia que atravessa o campo em que aparecem os homens, e que se afirma como luz. Imanando directamente do Verbo e da vida que está no Verbo essa irradiação torna-se luz num ponto da sua trajectória, iluminando e redefinindo o que são os homens, pondo em questão o que deles imaginamos. Podemos dizer como Lévinas que a “o homem nunca foi criado, nunca veio ao mundo. Veio na Vida. É nisso que ele é semelhante a Deus, feito do mesmo estofo que Ele, que toda a vida e que todo o vivente” Quando o Verbo vai encarnar para se fazer homem, não é no mundo que veio, mas numa carne, “nos seus”.
A luz tem efeitos de divisão e de suspensão no campo que dizermos humano. Entre a luz que brilha e um determinado obstáculo houve um encontro e uma ligação problemática. A luz exige uma “testemunha”, no sentido em que é preciso um indicador de presença e um índice da transformação. O Logos é a Palavra. Mas falta a esta representação do Logos a dimensão energética. É a dimensão do Acto. A esta energia se ligam a Vida e a Luz. Nós vivemos tocados pela luz e pela vida que vem do Logos.
Aqui começa uma nova época nunca dita nem em língua grega nem em língua judaica: uma teologia de Deus feito homem, encarnado, e uma ontologia do corpo como “corpo glorioso”. O cristianismo começa com o anúncio de que “todo o mundo será salvo”: catolicismo é uma palavra que aparece pela primeira vez em Inácio de Antioquia para dizer esta inteireza do humano que faz ir pelos aresr todas as restrições anteriores e restritivas do “mundo”.
A crise da imagem foi primeiro uma crise da linguagem que começou desde a fundação do cristianismo. Uma palavra abala todos os hábitos do pensamento especulativo. É uma palavra habitada pela imagem no sentido em que João diz que o verbo “veio habitar no meio de nós”. A palavra coloca um problema de habitação. O oikos da imagem é o mundo, esse é o sentido da encarnação. Não é por acaso que os iconoclastas sejam tratados de onotomatómacos, batalhadores de palavras e de iconómacos, isto é inimigos da economia. Como garantir pela palavra a invisibilidade que garante a redenção do visível?
Vem de longe a audácia retórica feita à secularização do Natal. Para H. Heine, Shakespeare, a cujos dramas ele queria chamar o “evangelho profano”, nasceu “nas Belém do Norte, que se chamava Statford-upon-Avon”. Diz também que “Zwiebrücken foi a Belém em que a jovem liberdade, o Messias, estava no seu berço e choramingava resgatando o mundo”. Quase na mesma época, Goethe escrevia no seu diário, lendo Galileu, que Newton nascera no ano em que morreu Galileu e acrescentava: “Aqui reside a festa de Natal da nossa época moderna”. Um pouco antes, Goethe descreve, num artigo de Zelter sobre A Criação de Haydn, o nascimento do compositor da maneira seguinte: “Enfim, aparece, não anunciado, na fronteira entre duas nações, no presépio de um ateliê de carpinteiro, o novo infante pródigo nascido pobre na terra, que deve libertar a nossa arte da tutela e de formas estrangeiras”.
Nicolau de Cusa apresenta a encarnação como consequência intrínseca à criação, deduzindo a predestinação eterna do Filho de Deus a tornar-se homem (de que Duns Scot falara). Num sermão de Natal escreve: “Deus criou todas as coisas segundo a sua própria vontade e de modo que o universo só atinja a sua plena grandeza e perfeição em relação a si. Mas o universo não pôde chegar à unidade com ele porque não existe proporção do finito com o infinito. É por isso que toda a coisa tem a sua finalidade em Deus através de Cristo. Porque se deus não tivesse adoptado a natureza humana que contém nela as outras naturezas como um intermediário, o conjunto do universo seria inacabado, e nem seria sequer real”. A encarnação não se contenta com cumprir a criação, é a sua realidade decidida desde a eternidade que a torna possível. Nesta perspectiva, a cristologia não tem só sentido salvador na redenção, mas na realização da possibilidade de essência do mundo e do homem. Por isso a encarnação adquire o sentido de um acontecimento universal, cósmico. Não é o pecado que obriga deus a sacrificar o seu Filho. Aquilo que levou a esta consequência é a criação não o pecado, são as falhas da natureza, não as falhas do homem.
O caminho espiritual consiste em nascer, nascer sempre, encarnar-se completamente, confundir-se com a vida até que o mundo se torne a palpitação da sua própria existência. O mais difícil é descer, aceitar a nossa encarnação. Fugimos sempre do nosso nascimento. Fica-nos o nosso campo de batalha, o livre o campo para o sofrimento. Só podemos santificar o mundo se o habitamos, até nos menores recantos do corpo, da matéria e do sofrimento. Para a grande obra de transmutação nada é vil ou baixo. A encarnação significa que somos divinos desde a origem até à ressurreição.
Que mundo responde ao nosso sonho de homem nesta festa? Algo em nós nos diz que o deus que vem estava já no horizonte das nossas esperas. Nesta noite, Deus fez-se homem na pessoa duma criança, a mais, como nas ruas de São Paulo. Não esta criança a imagem de um Deus que será sempre inoportuno, excedentário? Aceitai a fragilidade do não poder.
O ícone não é um ídolo porque não é uma coisa animada pela presença de um deus, nem uma coisa inanimada, um fetiche. Deus não se esconde no ícone, mostra-se, Deus não se vê no ícone, deserta-o e cava-o como figura do desejo que quer inspirar. Que a criança nos ensine a reconhecer em cada um a imagem de Deus e a encontrar uns nos outros a mesmo respeito com que os cristãos do Oriente, à entrada do santuário, beijam e tocam um ícone, como para retirar a poeira e fazer aparecer em todo o seu brilho a pureza do seu fundo dourado. No ícone do rosto está o “oceano interior” do olhar, a “chama das coisas”. Alegra-vos, pois! Enquanto no seio da noite a luz se entretece, ele torna-se a imagem de quanto o homem espera: Jesus, como um rosto de homem modelado à imagem do Pai, é o filho de Deus, Primogénito de toda a criatura. Que por causa disso o mundo inteiro se torne Eucaristia!»
O que eu sinto e por aqui vou deixando marca, há quem saiba com Terapia escrevê-lo de forma sustentada, directa e simples.
Enquanto não houver políticos com o par certo para dizer à U.E. que com este PEC estamos condenados, nós os europeus, vai ser tudo uma conversa de treta para cá, treta para lá!
O Epicurtas, confrade da Torre de Menagem - uma voz de direita (de direita sim, não da direita que temos levado) da qual sentia falta vai para 5 meses.
Bom regresso e votos para que continues a demonstrar que há gente com coluna vertebral por essas bandas já que pelas outras parece que também não há muitos espécimes!
Mais uma referência ao Dragoscópio a propósito da sua teoria da estabilidade que partilho integralmente.
perante as acusações de plágio do Substracto e do Arqueoblogo que chegaram ao meu conhecimento através do Maschamba.
Como se não bastasse a reclamação de propriedade sobre ideias dos outros nesta blogosfera parece que a moda chegou à comunicação social.
Praça da República em Beja atribui prémios em diversas categorias.
Essencial este texto do José Flávio Teixeira sob o título em epígrafe.
Convenção da Paparoca:
1 - Convite
2 - Onde é que isso fica?
3 - Ementa
Tá de volta, aqui, 100nada a esconder!
"Os blogues são um tema que me inquieta. Em primeiro lugar, por me parecer que resultam de uma postura individualista, socialmente estéril e a fomentam. Inquieta-me que a maioria dos blogues portugueses seja de direita. Receio também o tipo de escrita, a sua brevidade, pouco susceptível de elaboração e reflexão"
A propósito desta afirmação de Ruben de Carvalho o Albardeiro desenvolve uma reflexão que recomendo vivamente.
"A Regionalização: Questões de Profundidade", por Francisco Nunes.
Inscrições para a "Convenção da Paparoca":
e-mail para a caixa de correio da Torre de Menagem, torre.menagem@clix.pt , através do contacto com um qualquer dos confrades da Torre ou directamente para o Sulitânia.
Três breves reflexões sobre vantagens e desvantagens da regionalzação para o Alentejo.
A regionalização traz vantagens ao Alentejo ou será apenas mais um caminho para a colocação das clientelas dos aparelhos partidários?
"Regionalidades...", por Piotr Kropotkine.
Dois textos de seguideira do José Flávio Teixeira que merecem a melhor das atenções: "Eleições em Moçambique" e "Maria Filomena Mónica e Boaventura Sousa Santos"!
Dois dois assuntos diferentes embuídos de idêntica postura - uma espinha dorsal bem recta, coisa que vou dando cada vez mais e mais importância em proporção inversa à sua crescente míngua!
«De tempos a tempos do nevoeiro de Londres emerge um salvador profissional.», assim começa um post do Piotr Kropotkine sob o título «mais um homem providencial»
«A mediocridade recente foi tão marcante que ressaltou as virtudes da seriedade e da competência, mesmo quando a seriedade é tão exacerbada que causa cegueira.»
este excelente post da Lolita.
O Leonel Vicente e o Pedra acabam de ser distinguidos pela Weblog.com.pt como "O Blogue da Semana" e o "Post do Momento", respectivamente.
O Leonel Vicente propõe-se levar a cabo uma tarefa hercúlia em prol de todos nós, comunidade blogosférica, enquanto o Pedra, num post, mostra que o Ser sobrepõe-se à perene condição de ter.
Parabéns a ambos e à Weblog.com.pt por tão justas homenagens.
«Depois da queda de todos os muros, descobrir que Gramsci está vivo e recomenda-se (vejam-se os “Blogs orgânicos” do centro-direita). Ficamos ainda mais convencidos de que Portugal é um enorme laboratório político, no qual as categorias gramscianas - e da esquerda em geral - devem voltar a mostrar a sua força analítica e o seu poder de convicção – quando o bem público e os elementares direitos cívicos assim o impõem.»
Excerto de post do Albardeiro que recomendamos a leitura integral.
Gentilmente, a Mar, em comentário a este post onde transcrevi um e-mail que recebi, identificou o seu verdadeiro autor, o Edgar, da Quarta Ferida Narcísica que pode ser lido aqui.
Ao Edgar as minhas desculpas e os parabéns pela tão bem conseguida paródia e à Mar o meu agradecimento.
"Alqueva, outra oportunidade perdida?", por Francisco Nunes
Seguindo JPT deixo aqui o link para
, a maior pandemia de que há memória e que afecta, indiscutivelmente, os mais pobres, os tais "supranumerários" para este muito pequeno mundo industrializado a que pertencemos.
Deixo também este link que contém um pequeno clip sobre o desprezo a que votamos quase 4/5 da humanidade, segundo dados da ONU de 2002.
Um bom dia, este da comemoração da Restauração, para dedicarmos aos problemas de hoje.
"Má moeda...", por Piotr Kropotkine e "Apesar de tudo apostamos na regionalização.", por Francisco Nunes
"A última fronteira da tolerância racial: os ciganos", por Pedro Gomes Sanches e "Rumo a um Processo de Descentralização Concêntrico?".
"Vai-se a um lagar e fica-se 'com os azeites'..." por Francisco Nunes, "O Altar" por Piotr Kropotkine e "O caminho pedregoso dos Toninhos do interior" por Isidoro de Machede.
Do Porco Preto à "Salve, salve Virgo Pia" (lauda italiana)
"O Desenvolvimento Local e a Gestão de Recursos Humanos..." por Pedro Gomes Sanches.
de que gosto particularmente e por aqui vou dando nota. Desta vez, porque poucas vezes refiro, um destaque para o Isidoro. Ó compadre vá lá escrever bem p'ró ...., Alentejanando, porque não?
Às vezes acontece-me! Mas lá que é um excelente blogue, ai isso é! Ora espreitem!
Venho muito rapidamente a estas Ideias recomendar outras, preciosas, nos três últimos textos da Torre de Menagem, àcerca de uma proposta para a constituição de "Hortas Sociais".
Sou apenas portador de uma prenda que a equipa da Weblog.com.pt envia neste link para todos os presentes no Encontro de Blogues de Beja do passado Sábado.
No entanto, há uma outra que, sinceramente, considero ainda mais valiosa.
Epicurtas!
Pedro Gomes Sanches, autor do Epicurtas, devido a afazeres profissionais, académicos e pessoais só agora pôde juntar-se ao projecto Torre de Menagem ao qual está ligado desde a sua génese, incluíndo a sua designação, brindando-nos com dois textos de seguideira.
Estamos agora todos, até ver ...
bate records de visitas. Ele é gostar de rabo, ele é a procura o ponto G, embora eu ache que desta vez ele o poderá ter mesmo encontrado. Ora leiam, por favor!
Um novo blogue de e para o Alentejo.
Somos quatro moços que ousamos pensar poder contribuir para melhorar o Alentejo. Vamos criticar, seguramente, mas o único acordo editorial é o de que apontemos sempre um caminho, não o da verdade, qual totem imaculado, mas aquele que pensamos ser o melhor e sobre o qual pretendemos ouvir a opinião de quem pretende fazer do Alentejo um lugar mais agradável, mais rico e justo para vivermos e convivermos.
O que nos une, ao Francisco, ao Isidoro, ao Piotr e a mim, é a independência e equidistância em relação a todo e qualquer poder instituído, seja financeiro, partidário ou confessional, sem contudo o menosprezar, e estimular a imensa "sociedade civil" alentejana que ainda tem coluna vertebral e repulsa pela prostituição das almas.
Estes são os princípios da Torre de Menagem. O erguer será feito com o barro da liberdade, da ética, da ousadia, da arte de cada um de nós e de quem nos ler e comentar.
Queremos construir e interagir com todos os que tiverem a mesma pretensão.
Poderia como é hábito tentar um arrazoado para divulgar a estreia, hoje, de "Reentering" de António Pinho Vargas, mas opto por transcrever, na íntegra, o excelente texto que o António teve a gentileza de me enviar por correio electrónico. Aqui vai:
«Carlos
no Primeiro Concerto da Temporada Sinfónica da
Orquestra Sinfónica Portuguesa
dirigida por Donato Renzetti
António Pinho Vargas
Reentering
Joseph Haydn
Sinfonia nº 101
Wolfgang A.Mozart
Sinfonia nº 38
Primeiro concerto do Ciclo
4 Postais de 4 Compositores Portugueses a Haydn e Mozart
próximos concertos com novas obras de
Luís Tinoco, Eurico carrapatoso e Alexandre Delgado
Segue o texto que escrevi em Setembro deste ano – data que, no caso, é de sublinhar – sobre a peça, para aqueles que têm a paciência e a gentileza de me lerem.
António Pinho Vargas
"não há apenas aprendizagens positivas…
…ao lado há também um verdadeiro curso de decepções"
Peter Sloterdijk
1.Sobre a melancolia física do artista
Íntima e desoladamente, vou estanto cada vez mais convencido da inutilidade da arte e da música no quadro do espaço-tempo em que vivo. Uma nova obra portuguesa, amputada quase sempre dos seus modos actuais de sobrevivência –a edição da partitura e a edição discográfica– destina-se à categoria de desperdício patrimonial virtual e acrescenta-se às anteriores como alimento para a persistência do secular discurso lamentoso. É tempo de considerar esta situação definitiva, irreformável.
Esta não é uma boa notícia mas mais vale considerá-la verdadeira para melhor se poder interpretar a hipocrisia dos discursos oficiais de sempre e a permanência das insuficiências de todo o Séc.XX.
Resta ao criador considerar a sua obra como uma carta escrita aos amigos destinada a ser lida daqui por mil anos, na melhor das hipóteses.
No entanto, quando componho, sinto-me como que deslocado para fora das determinações do real e concentrado na coisa-em-si e assim posto em sossego na atitude desinteressada kantiana.
2.Sobre Reentering
Esta peça tem apenas um gesto. Um gesto largo, é certo, mas um gesto. Um ciclo de acordes, tocado como arpejo pelo vibrafone – instrumento condutor do processo – em torno do qual a orquestra funciona como uma espécie de lente que abre e fecha o zoom acústico decorrente de cada acorde. Na pequena teoria desta peça existe por isso a noção de pattern mas o seu desenrolar não é regular. Sobrepôe-se a este aspecto uma ideia poética de âmbito subjectivo (vagamente derivada de uma memória pessoal de Mozart e Haydn) sobre um pequeno som de orquestra, de variações ínfimas de intensidade, de redução de nuances, e um carácter discursivo próximo do falar ao ouvido.
António Pinho Vargas, Setembro de 2004»
apresentam hoje a sua "Estrela" na Aula Magna, pelas 21,00h, em concerto integrado na Gala de Abertura nacional do projecto "A Bíblia Manuscrita", com apresentação de Margarida Mercês de Melo, com transmissão directa pela 2:.
Quem ainda não teve oportunidade de ouvir este excelente trabalho de música portuguesa (há pouco fizeram a apresentação do CD em Castro Verde) aconselhamos a não perder e até os que já conhecem pois poderão gravar uma copiazita pirata.
Neste país onde pouca coisa acontece hoje é dia que acontece muito e bom. Por onde começar? Sei lá!
Greg Osby, pode ser por aqui, apresenta-se hoje com o seu "Five" no Rivoli, enquadrado no 14º Festival de Jazz do Porto.
É difícil apresentar este músico para mais para quem não é especialista confirmado mas, em poucas palavras, é assim, após o "Free" dos anos 60 e da fusão dos anos 70, entrámos nos 80 "jazzo-deprimidos"! Parecia que o Jazz tinha esgotado a sua capacidade de evolução, quando surge uma nova geração de pretos formados pela Berklee College of Music com recursos técnicos invulgares até então. Os primeiros a serem descobertos foram os Marsalis, Wynton e depois o Brandford, pelas mãos do saudoso Art Blakey e os seus Jazz Messengers, mais tarde Greg Osby, Jeff Tain Watts, Cristian McBride, Joshua Redman, James Carter e etc porque são muitos, mas indecisos sobre que caminho trilhar.
Esta indecisão veio enriquecer o Jazz de então para cá pois cada um procurou um caminho - o regresso às origens (Wynton e Joshua), adensar a negritude da fase modal de Coltrane (Brandford) e outros a tentar beber do "Frre" exclusivamente negro na senda do malogrado Lester Bowie do Art Ensemble de Chigcago, de Cecil Taylor e do World Saxofone Quartet e tentando fusões diversas que permitissem fontes de inspiração novas (Greg Osby).
Na minha modesta opinião Greg Osby só pode ser devidamente compreendido como uma rejuvenescida e incessante busca iniciada por Oliver Lake.
Bom, já pr'á aqui disse muita patacoada sobre, talvez, o músico de jazz actual que mais se inquieta na busca da criatividade negra, o melhor é deixar um link para a biografia oficial e outro para a discografia.
Ah, dos trabalhos a solo, aqui ficam os meus preferidos: "Mindgames", "3-D Lifestyles", "Zero." e "Inner Circle" e junto uma trnscriçãozita retirada do "booklet" do "Zero.":
«(...) I am quite pleased to find myself, having found a "comfort zone" with several extremely capable and complementary improvising artists. The incredible high level of interchange among us is trulu godsend. This recording is a vivid reflection of my idea of what a "progressive improvising working group in steady transitional development" sounds and feels like.»
A não perder, Greg Osby, no Rivoli, hoje, quem estiver por lá.
A Catarina dispensa apresentações ou enaltecimentos sobre a excelência que tem espalhado pela blogosfera. Apenas deixo um link directo para a entrevista ao Luís Ene e o desejo de que esta autora continue a iluminarmos.
Sob este título o Raúl, do Congeminações, escreveu um texto que recomendo pois, para além de estar plenamente de acordo, considero muito relevante.
Aproveitando a hora do almoço lá fui à Pousada de S. Francisco ver a exposição colectiva de fotografia "7 x 7 Fotografias" sob o tema Alentejo. 7 fotografias de 7 fotógrafos: Carlos Cascalheira, Diniz Cortes, Helena Milheiro, João Espinho, José Galhoz, Rita Moisão e Zé Espinho.
Exactamente como quase todos os blogueiros tenho a mania que sei um pouco de tudo e, em e por consequência, apesar de não pescar bóia de fotografia, também vou debitar o que é que achei.
Trata-se de uma exposição que apesar de ser sobre o Alentejo, apesar de a totalidade dos artistas procurar mostrar o real, este revela-se inevitavelmente diferente. Diferente porque o "real" é produto da captação de um dos nossos orgãos ditos sensoriais e processado na particularidade em que cada qual se vai refazendo, não tanto geneticamente, mais vivencial, identitária, cultural e até mental se preferiram.
Daí que, apesar de ser do Alentejo, senti que a cada autor poderíamos etiquetar um sub-tema: "A Particularidade", por exemplo, para o Carlos Carvalhal, com fotografias muito especícas do que é quase só nosso - o girassol, a espiga, o burro e a carroça, a papoila vermelha; "A Busca do Singular" para Diniz Cortes; A Helena Milheiro poderia colar "Levantamento Etno-paisagístico" onde mostra pessoas, paisagens e momentos da vida rural em vias de desaparecimento; "O Pormenor" para João Espinho, sempre de "zoom" bem puxado para nos revelar todos os detalhes; para José Galhoz reservaria "O Instantâneo", fotografias sem movimento, paradas no tempo e no espaço como se o relógio se interrompesse no momento em que a película recebe a luz; "O dia-a-dia" para Rita Moisão, o quotidiano da lavoura em extinção; "Landscapes" para o Zé Espinho, a busca do melhor local e momento para registar.
Sem ordem de valoração retive meia-dúzia de trabalhos que me seduziram particularmente:
- de Helena Milheiro uma fotografia do nosso campo com uma cromática riquíssima desenvolvida a partir de apenas 2 cores base - o verde, o da relva e o da azinheira, e uma sequência de castanhos, do mais amarelado ao mais avermelhado, obtendo um resultado diria pictórico, assemelhando-se em muito aos trabalhos a óleo de Van Gogh;
- um dos retratos de uma velha de João Espinho, não o da mais marcada pelo tempo, mas daquela que apesar da proximidade do autor não conseguimos saber se a velha pensa em si, no que perdeu, no que tem para ganhar, ou..., arriscaria a dizer o retrato de uma velha que olha para si mesma;
- de José Galhoz o retrato de um cesteiro (penso eu) sentado, imóvel, parado no tempo e no espaço, parecendo pairar imóvel sobre "todo o tempo do mundo";
- um "landscape" de Zé Espinho de Beja à noite, tirada ali para os lados(?) de quem entra vindo de Serpa, com um colorido inusitado de rico e intenso quase parecendo arranjado digitalmente; como se trata de uma exposição de fotografia não creio que esta fotografia tivesse sido objecto de tratamento, mas o cromatismo é tão denso e exuberante que torna a fotografia singular.
Bom, e já que gosto de dizer coisas, aí vão duas das quais senti falta: não há designação alguma para o conjunto de 7 fotografias de cada autor, bem como não há legenda alguma apensa aos trabalhos sobre a sua designação particular, local, data e técnicas utilizadas.
Dei o tempo por muito bem empregue, recomendo vivamente uma passagem por lá e agradeço a quem tornou possível a ocorrência deste evento.
Na sequência do texto anterior, clique na imagem acima e decida se lhe interessa ou não participar e, já agora, porque sim e porque não ou bem pelo contrário.
O Arte Pública, companhia profissional de teatro sediada em Beja, iniciou uma digressão nacional com a performance:

estarão em:
Maia - Festival Cómico da Maia - 10 Outubro
Lisboa - Comuna - sala de café concerto - 24.00h dias 14, 15, 21, 22 Outubro
Sines - 19 de Novembro; Seixal - 20 de Novembro
Para mais informações sobre a digressão ver aqui.

O Nikonman chamou a si a organização de um Encontro de Blogues aqui em Beja no dia 6 de Novembro. Para conhecer o programa visitem o link e deixo-vos um excelente logotipo do evento realizado pelo Barra Cromológica.
O Virgílio Marques no excelente blogue Guilhermina Suggia, faz um convite generalizado a quem pretender participar na criação da "Associação de Amigos de Guilhermina Suggia". Quem estiver interessado bastará contactá-lo conforme lá anuncia.
O Congresso Internacional "Inquisição Portuguesa: tempo, razão e circunstância" organizado pelo
, pelo Centro de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e pelo Centro de Estudos de Cultura Brasil-Europa decorrerá entre os dias 20 e 22 de Outubro na Reitoria da U.L., conforme já tinha anunciado.
O programa completo já pode ser visualizado e as inscrições podem ser feitas "on-line", aqui, no próprio ISTA ou através do facs 210322300, custando 50€, 25 para estudantes.
Insisto na divulgação deste congresso por ser o primeiro, de que eu tenha tido conhecimento, que conta com especialistas vários países, de variados quadrantes científicos e, por outro lado, por me parecer que elementos directamente ligados à Igreja Católica abordarão, sem tibiezas, este momento particularmente deplorável da sua história.
Da Ana Clément recebi um e-mail que apela ao apoio explicito do Projecto de Resolução n.º 254/IX - Contra as patentes de software na União Europeia - que visa inverter o infeliz voto favorável a patentes de software emitido por Portugal na reunião de 17/18 de Maio de 2004 no Conselho Europeu de Ministros, a ser votado no prómixo dia 23.
Assim, para quem estiver interessado transcrevo, na íntegra, o email recebido:
«Acção Urgente: ajude hoje a mudar o voto de Portugal no Conselho da UE!
Caro apoiante da FFII,
No próximo dia 23 de Setembro será votado o Projecto de Resolução n.º 254/IX - Contra as patentes de software na União Europeia em defesa do desenvolvimento científico e tecnológico, proposto na Assembleia da República pelo Deputado Bruno Dias (PCP). Esta moção visa inverter o infeliz voto favorável a patentes de software emitido por Portugal na reunião de 17/18 de Maio de 2004 no Conselho Europeu de Ministros.
ttp://www3.parlamento.p
t/PLC/Iniciativa.aspx?ID_Ini=20489
Por este motivo, é urgente que escreva uma carta em papel ou fax, (pode enviar um email também, mas o contacto "não digital" tem mais impacto), aos seus deputados preferidos pedindo-lhe que apoie esta Resolução, mesmo que seja feita por um partido opositor.
Se puder enviar esta carta em nome da sua empresa, faça-o. É importante realçar que a sua empresa também será afectada.
Bons pontos a focar incluem a rejeição a patentes de software expressa por quase 2900 portugueses na petição entregue no Parlamento Europeu a proposta do Parlamento Europeu que claramente exclui patentes de software depois de um longo período de estudo, e pode incluir como anexo o Apelo Urgente disponível em http://swpat.ffii.org/cartas/co
Para ajudar a mostrar, especialmente aos partidos que compõem o governo, a nossa vontade de um mercado de software Europeu livre de patentes de software, é necessário este pequeno esforço. Por favor, ajude-nos pois este gesto é importante e urgente.
Contacto no PP: Grupo Parlamentar do Partido Popular
- 14 Palácio de S. Bento
1249-068 LISBOA
Tel: 800205158 (linha verde)
gp_pp@pp.parlamento.pt
ontacto no PSD:
rupo Parlamentar do Partido Social Democrata - 105
alácio de S. Bento
249-068 LISBOA
el: 800205156 (linha verde)
p_psd@psd.parlamento.pt
Contacto no PS:
Grupo Parlamentar do Partido Socialista - 96
Palácio de S. Bento
1249-068 LISBOA
Tel: 800204342 (linha verde)
gp_ps@ps.parlamento.pt
Contacto no PCP:
Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português - 10
Palácio de S. Bento
1249-068 LISBOA
Tel: 800200358 (linha verde)
gp_pcp@pcp.parlamento.pt
Contacto no BE:
Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda - 3
Palácio de S. Bento
1249-068 LISBOA
Tel: 800204027 (linha verde)
blocoar@ar.parlamento.pt
or Cyclops em Domingo Setembro 19.»
Petição on-line: AQUI.
Tal como já foi anunciado, amanhã decorrerão vários espectáculos em Beja no âmbito de uma festa organizada pela empresa Campos dos Media contratada pela Câmara Municipal de Beja para o efeito. O programa integral poderá ser visto, por exemplo, aqui, mas gostaria de salientar dois espectáculos:
1)

O concerto dos Adiafa será especial uma vez que contará com todos os músicos convidados para a gravação do seu último trabalho, "Tá o Balh' Aramado", como sejam o Rui Veloso, o José Salgueiro, os Gaiteiros de Lisboa e Paulo de Carvalho, ocorrência que dificilmente se repetirá.
2)
Mariza que realizará o seu último concerto em Portugal este ano onde aproveitará para fazer uma breve homenagem ao Paulo Abreu de Lima, o autor da letra da "Feira de Castro" e da canção do Sting em que Mariza participou.
Curiosamente, poderá acontecer ouvirmos a "Feira de Castro" da autoria de Rui Veloso e letra do Paulo duas vezes - pelos Adiafa e pela Mariza já que consta dos últimos trabalhos destes músicos, "Fado Curvo" e "Tá o Balh' Armado".
Muitas boas razões para marcarmos presença.
ps: fotografias sacadas dos sites http://www.adiafa.com/ e http://www.mariza.org/
Convocam-se todos Gaiteiros de Norte a Sul a ir ao Fundão a 17 e 18. Desfilarão 33 grupos nestes dois dias de intenso e profundo labor de gaitas, estando mesmo prevista uma exposição sob o título "O Mundo das Gaitas"!
O programa detalhado pode ser visto aqui no sítio da Associação Gaita de Foles.
Insisto, neste país há muitas coisas das quais nos podemos orgulhar, mas das quais quase não damos conta que existem e vão decorrendo.
Transcrevo um excerto das notas do programa:
«A gaita-de-fole é um instrumento profundamente enraízado na cultura e música portuguesas. Desde a fundação da nacionalidade, em pleno período medieval, existem numerosos testemunhos e documentos que nos falam de gaiteiros e de gaitas de fole como um instrumento muito popular e amplamente distribuído por todo o espaço nacional.
É sobretudo a partir do século XVIII que o instrumento conhece o seu declínio, com a implantação de novos instrumentos e práticas musicais e o abandono progressivo da gaita-de-fole.
Hoje, pouca gente considera este instrumento como "típicamente português" e no entanto, muitos habitantes das nossas cidades lembram ainda o gaiteiro nas festas dos espaços rurais dos pais ou avós, nas memórias difusas da infância e dos momentos das férias passadas "na terra", marcas da passagem acelerada de uma sociedade rural para um país industrializado e urbano.
E no entanto, ainda existem gaiteiros. (...)»
ps: ao meu amigo Henrique Silveira que é um bocadito avesso à música electroacústica e electrónica, preferindo uma passagem pela Adega Cooperativa de Reguengos (que não está mal lembrado, não senhor), pergunto se este encontro das Gaitas não lhe será mais apelativo?
O Ivan está de regresso e escreve sobre os significados vários que nos pretendem impingir sobre o terrorismo e o seu combate. Leitura obrigatória este seu post, já que terrorismo é terrorismo e combatê-lo é sem hesitações nem negociações, sem jogos de intresses, sem a mínima cedência.
Rui Chafes, escultor aluno de Jorge Vieira, expõe no Museu Jorge Vieira, em Beja, um conjunto das suas obras mais recentes, conforme se pode ver no Público.
Entre outros foi-lhe atribuído este ano o Prémio Robert Jacobsen de Alemania.
Vai no 10º ano o Festival Música Viva organizado pela Miso Music Portugal, sob a direcção artística do Miguel Azguime, que decorre entre 6 e 12 de Setembro no Teatro Aberto.
Trata-se de um Festival de música contemporânea na sua variante electroacústica e electrónica ou combinada com instrumentos acústicos. Sem faltar ao respeito para com a Gulbenkian o Música Viva será, talvez, a melhor e mais vasta mostra do trabalho dos compositores e intérpretesportugueses desta área bem como alguns dos mais conhecidos nomes da cena internacional.
Pierre Henry, o "louco" pioneiro da música electrónica (vai para 40 anos as suas primeiras experiências) era o grande consagrado desta edição, com uma "conversa" com o Miguel Azguime no dia 6, anulada infelizmente por razões de saúde e a apresentação das sua obras "Pierres Réfléxies" e "Le Livre des Morts Egyptien" pela novíssima Orquestra de Altifalantes da responsabilidade da Miso Music que, nas palavras do Miguel, trata-se de «um instrumento de difusão e interpretação que o compositor toca em concerto, instrumento de expressão e valorização da sua obra musical».
O programa pode ser consultado no link acima, mas não substitui a versão impressa de rara qualidade e beleza cuja capa poderão visualizar no Abaixo de Cão (ao qual aproveito para enviar parabéns antecipados pelo seu aniversário) o único blogue, diga-se, que notei ter feito alusão a esta relevante iniciativa.
É notável que dentro de tão rica programação se possam escutar 26 obras de 21 compositores portugueses vivos (se não errei nas contas) e muitos intérpretes como o Ensemble 20/21, o Grupo de Flautas da Universidade de Aveiro lideradas pelo Jorge Correia e, claro, a Orquestra Gulbenkian que, sob a direcção de Guillaume Bourgogne, interpretará o "Melodian" de Ligeti e a "Ode" de João Rafael, entre outras obras.
Uma última palavra para o excelente trabalho que a Miso Music Portugal vem desenvolvendo, em especial, ao Miguel Azguime que, pelo que sei, está a ultimar uma exaustiva base de dados sobre a música e os músicos contemporâneos portugueses que brevemente encontrar-se-á disponível on-line.
É curioso constatar que a par de uma continuada e profunda depauperização da educação cultural em Portugal se vão realizando cada vez mais eventos de excelente qualidade! Uma contradição sobre a qual não deixo de reflectir.

«Este CD nasce do cruzamento de duas vontades e de um prazer comum.
Há mais de uma década que em cada encontro ocasional com a Filipa Pais sobrava sempre o desejo de fazermos algo em conjunto. No princípio deste ano deu-se a ocasião. Tinha em mãos um leque de canções de matriz popular que por uma razão qualquer tinham a “cara” da Filipa. Estavam impregnadas de sensualidade e de perfume mediterrânico. Falei-lhe nisso e tive dela uma adesão e uma sintonia imediatas. Daí ao convite ao João Monge foi um pequeno passo. O João aceitou dar o seu contributo e aceitou também uma corrida contra o tempo. O prazer da construção alargou-se, triangulando. É visível no casamento perfeito das suas palavras com a música e com o canto da Filipa.
À medida que as canções se iam completando com as palavras, escolhemos a moldura humana com que queríamos vestir musicalmente essas mesmas canções. Convidei o Mário Delgado (gt) o Yuri Daniel (ctb) e o Quiné (perc). Todos aceitaram o convite e com total liberdade de movimentos, salvo algumas sugestões ocasionais da minha parte, construíram com o seu rico vocabulário e personalidades distintas o resto do edifício que faltava. A motivação e o prazer instalaram-se. A eles se deve em grande parte a qualidade do trabalho final. O universo é o da música popular. A raiz mediterrânica. A expressão é universal. As soluções encontradas tiveram como único limite a optimização de cada canção. A escolha dos músicos revelou-se acertada e gratificante.
Resta-me uma palavra à atenção, competência, criatividade e musicalidade do Mário Barreiros que contribuiu decisivamente para a boa canalização da energia colectiva desenvolvida na semana de gravação que tivemos.»
José Peixoto
Este CD será lançado amanhã na FNAC do Chiado e o primeiro espectáculo ocorrerá em Castro Verde no próximo dia 12, Domingo, pelas 22 horas, no Cine-Teatro, inserido no XII Festival Sete Sóis Sete Luas.
Os músicos serão os mesmos que gravaram o CD, Mário Delgado, Yuri Daniel e Quiné.
Todos a Castro no próximo Domingo
Cada vez mais me deixo enebriar pelo bálsamo de a Terapia mas, não obstante, a outra face de Anarca, mesmo constipado, também me faz falta.
Um rebuçadozito sobre uma Terapia que muito aconselho:
«(...) Em contraponto à extraordinária ausência de vertebrados no palco da vida política eis que surgem aqueles que têm vertebras muito anquilosadas já "ossificadas" e que com grande sobranceria se agitam e avançam da escuridão para a penumbra como seres puros e castos, dotados de clarividência e que em nome de imperativos ou "hitóricos" ou "éticos" ou "espirituais" se autodefinem e autoglorificam como os pastores...
Esta raça de gente deixa-me em pânico. Existem várias formas de providencialismo e conduzem à asfixia e à ditadura.»
Há muita coisa para sorver demoradamente. Permitam que sugira:
1 - para quem anda agora às voltas sobre qual o significado de populismo veja-se o que escreveu Rui Curado Silva;
2 - para quem questiona se haverá políticos que manipulam resultados eleitorais e outros que o permitem veja-se o Irreflexões, o Miguel Silva, o Rui M. C. Branco, o LNT e o Francisco José Viegas que, como director da Grande Reportagem quando o assunto foi denunciado, afirma não ter recebido nenhum desmentido;
3 - por último, para quem busca o prazer da leitura através de uma escrita excepcional, por favor, o The Old Man, sob o título "O Céu é Azul e Veludo Cor-de-Rosa" que já vai no IV "capítulo".
E, depois, depois de passear pelo The Old Man não tenho vontade de mais nada escrever. Por hoje!
O Improvisos ao Sul lembra e bem que amanhã, dia 23 de Julho pelas 22:30h,
apresenta-se em Monsaraz, no contexto do Museu Aberto com Carlos Barreto e Alexandre Frazão.
Imperdível, naturalmente.


apresenta-se amanhã, pelas 22 horas, acompanhado por Denys Stetsenko em violino, Lucio Studer em violeta, Marco Pereira no violoncelo e Vicky na percussão.
Pela qualidade de todos os músicos presentes trata-se de um concerto a não perder.
Já que o Alex parece tão entusiasmado com com A Guarda (Galiza), em especial com o Monte de Sta. Tecla (paradisíaca a vista sobre Cerveira, Caminha e Moledo), um lugar que todos os anos faço questão de visitar e de me demorar, aconselho um salto a Pontevedra até ao dia 31 de Julho.
É que está a decorrer, na Casa de Campás, uma das mais ricas exposições de instrumentos tradicionais galegos, nomeadamento aerofones e idiofones, levada a cabo por Pablo Carpinteiro, músico, insvestigador e detentor de uma das mais vastas colecções de Gaitas-de-Fole galegas, instrumento estreitamente ligado à música tradicional portuguesa.
Aqui fica a sugestão para o Alex se iniciar no mundo da Gaita. Pode começar por aqui.
De 20 a 22 de Outubro realizar-se-á na Reitoria da Universidade de Lisboa um Congresso Internacional sob o tema INQUISIÇÃO PORTUGUESA: TEMPO, RAZÃO E CIRCUNSTÂNCIA.
A organização é do Instituto S. Tomás de Aquino, do Centro de História da Faculdade de Letras de Lisboa e do Centro de Estudos de Cultura Brasil Europa.
Para mais informações, ver site específico.
O interesse deste Congresso está para mim assegurado pela qualidade dos conferencistas e, em especial, por entre esses investigadores encontrarmos judeus e seus descendentes e dominicanos, os quais promovem a organizam o evento.
A ver se é desta vez que se avança, de forma independente, sobre o estudo deste período negro da nossa história bem como a da Igreja Católica.
Sobre este assunto o José Flávio deixou nos comentários do que aqui escrevi duas sugestões de links que faço quetão em apresentar devidamente: Náufrágios e Oeste Bravio.
No próximo dia 22 de Julho pelas 21:30h, no Teatro Gil Vicente, estreia "...von Fremden Ländler...", uma obra para piano e orquestra encomendada pelo Festival Internacional de Música de Coimbra a António Pinho Vargas, interpretada pela Orquestra Gulbenkian, dirigida por Yu Feng com Anna Kaasa ao piano.
E assim vai andando a nossa música, alheia às nossas distraccões mais mediáticas.

Para mais informações ver aqui.
Já agora, como o Nuno Catarino bem anotou, ele vem com o Jeff "Tain" Watts.

Posso assegurar, em 2ª mão, que a Sony Portugal iniciou hoje a divulgação do novo trabalho dos ADIAFA, sob o título "TÁ O BALH ’ ARMADO".
Quem não teve ocasião ainda para escutar poderá fazê-lo no programa da manhã da RR e, para vê-los, no "Herman SIC" no próximo dia 11.
Dá-me cá ideia que vai "Estralar nova Bomba"!
A ver vamos.
Força ADIAFA!
ps: para mais informações vejam o site dos ADIAFA, aqui.
nota: fotografia sacada do site dos ADIAFA
Jorge Rodrigues, autor do programa "Ritornello" da Antena 2, emitido diariamente entre as 18 e as 20 horas, dedica o dia de hoje a amanhã a Guilhermina Suggia.
Entre outras iniciativas Jorge Rodrigues anunciou que serão lidos cerca de 100 postais que ela escreveu à avó de Elisa Lamas e, prepare-se para gravar quem puder, emitir-se-ão largos minutos de gravações raríssimas da nossa melhor violoncelista e uma das melhores de sempre.

Guilhermina Suggia? Não conhecem bem? Esteve para o seu tempo como Callas mais tarde - uma grande "Diva" da música.
Mas quem sou eu? Para quem quiser conhecer a sério Guilhermina Suggia vá ao blogue com o seu nome, com este link, alimentado por Virgílio Marques e Catarina Campos, donde sacamos a imagem acima.
Imperdíveis os "Ritornello" de hoje e amanhã!
ps: estranho, no mínimo, que dos destaques de hoje no site da Antena 2 não conste este programa. Muito estranho, mesmo!
A reboque da nossa amiga de Ao Sul, recomendo uma ida à Casa da Cultura, hoje pelas 21,30, para assistir a

ps: imagem gentilmente roubada de http://www.evora.net/cendrev/
Este, de Piotr, nos Radicais pela Ética. Vale a pena ler e reler.
Na Gulbenkian, grande auditório, pôde-se ouvir ontem com repetição hoje, pelas 19 horas, a oratória ‘Judas’, para coro e prquestra, de António Pinho Vargas, obra encomendada pela Academia de Música de Viana do Castelo e estreada nessa cidade a 29 de Setembro de 2002.
ficha técnica:
CORO GULBENKIAN
CORO DE CÂMARA INFANTIL DA ACADEMIA DE MÚSICA DE SANTA CECÍLIA
ORQUESTRA GULBENKIAN
FERNANDO ELDORO (maestro)
DANIEL NORMAN (tenor)
NICHOLAS MCNAIR(piano)
ANNE KAASA (piano)
RUI PAIVA (órgão)
Reproduzo uma crítica de Fernando C. Lapa aquando da estreia desta obra, retirada do site de António Pinho Vargas.
«Organizado pela Academia de Música de Viana do Castelo, está em curso um invulgar ciclo dedicado à música sacra. Numa cidade onde a música contemporânea não é novidade (…), assinale-se a modernidade do programa apresentado pelo Coro e Orquestra Gulbenkian no concerto inaugural, com destaque para a estreia de "Judas Secundum Lucam, Joannem, Matheum et Marcum", de Pinho Vargas. Comecemos por aqui.
A partir de excertos dos quatro evangelistas, onde em poucas palavras se sintetiza a história da traição de Judas, Pinho Vargas construiu uma obra de um invulgar dramatismo. A força e eficácia da peça assentam numa escrita de grande profissionalismo, plural e aberta, sem complexos de escola. Os recursos são vastos: texturas corais e orquestrais de grande variedade e riqueza; ritmos obsessivos, cruzando o regular e o irregular; papel significativo da percussão, quase sempre incisivo e tenso; poder dramático dos graves, quer sejam sopros, cordas ou vozes.
O clima atormentado que percorre toda a obra tem poucos momentos de distensão. Um deles acontece no diálogo de Jesus com os discípulos (... "um de vós me entregará"), expresso em malhas vocais de rara felicidade, num efeito de pergunta-resposta deveras eficaz, já que protagonizado pela separação das vozes femininas e masculinas do coro, colocadas nas capelas laterais da igreja. Os outros correspondem à escrita para as palavras de Jesus, essas, sim, num registo mais sereno e despojado.
Face à constante tensão que enforma a obra, o expressivo desenho musical de "se suspendit" (enforcou-se) ganha inusitado realce, por contraste, colocando a "Paixão" de Judas no centro do drama. Numa escrita desinibida, rondando contextos tonais, ouvimos então algo que bem se aproxima dos célebres "lamentos" que a História da Música guarda como momentos da mais alta expressividade.
Em jeito de nota à margem, para uma discussão que não cabe aqui, ficam-nos duas questões: até onde vai o conceito de música sacra? Entre a pequena "paixão" de Judas e a grande "Paixão Segundo S. Mateus", porquê escolher Judas? (Responde Pinho Vargas: "E porque não?")»
FERNANDO C. LAPA
No próximo dia 27 Paulo Ribeiro trás à Casa da Cultura de Beja o seu Projecto Transatlântico, no âmbito das programções Bejarte, promovidas pela divisão sócio-cultural da Câmara de Beja. Um espectáculo a não perder.
Do seu site, http://www.pauloribeiro.com/, retiro e transcrevo:
«A Companhia Paulo Ribeiro tem sido ao longo destes anos de existência um ponto de encontro e de partilha para vários artistas de muitos lugares. Esta opção tem sido essencial para enriquecer as obras que têm sido criadas. É como se, quanto mais forem as geografias, maior é o sentimento.
Este projeto Viseu – Recife vem no seguimento lógico deste processo; por um lado aproximar culturas que se dizem irmãs porque veiculadas pela mesma língua, por outro lado juntar os ingredientes de maior eficácia para qualquer criação que é o cosmopolitismo das sensibilidades.
É ainda importante referir que o mentor deste projeto é um cidadão do mundo a residir no Brasil tendo sido também um dos intérpretes que mais marcou as criações da Companhia Paulo Ribeiro. Peter Michael Dietz, é portanto o interlocutor ideal para este desafio de um só mar, mas de muitas águas.»
Paulo Ribeiro.
«7 solos for 11 scenes... falling through
Esta é uma viagem às imagens de um paraíso...
Não é o que você imagina...
Densidade, humidade, claustrofobia...
Intensidade... vida o tempo inteiro...
A crença de que Ele está chegando... está muito perto...
Tão perto que sentimos a Sua presença...
O desejo é a actividade diária... a dança, uma linguagem...
A praia sempre próxima, como os corpos nus...
Mas eles não estão tão nus...
A individualidade não é uma realidade, é um sonho, uma ilusão...
É um conto de fadas...
É tropical !!!!!! É arte?! É... »
Peter Michael Dietz
Ficha Técnica:
Criação e coreografia PETER MICHAEL DIETZ
Música DJDOLORES
Participação especial FERNANDO CATATAU (guitarra); THOMAS ROHER (sax e rabeca); BACTÉRIA (piano)
Figurino e cenografia RENATA PINHEIRO
Figurino 2 ARTIGOS DA GRIFFE DEMÔNIOS ME MORDO
Assistência de Figurino INGRID MATA
Cabelo e Maquiagem FERNANDO COSTA
Máscara FERNANDO PERES
Desenho de luz NUNO MEIRA
Assessoria de comunicação ANDRÉ ROSEMBERG
Esculturas (material gráfico) RENATA PINHEIRO
Intérpretes Fernanda Lisboa, Leonor Keil, Marta Cerqueira, Marta Silva, Félix Lozano, João Lima e Rodrigo Melo
Co-produção COMPANHIA PAULO RIBEIRO (Portugal), CENTRO DE FORMAÇÃO E PESQUISA DAS ARTES CÊNICAS TEATRO APOLO HERMILO (Brasil)
Produção executiva COMPANHIA PAULO RIBEIRO (Portugal) e LUMINA CINE (Brasil)
Direcção de Produção Albino Moura (Portugal) e Adriana Faria (Brasil)
Assistentes de produção Amélia Cunha e Alessandra Leão
Duração 80 minutos
agradecimentos Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa Dr. Jorge Sampaio, Chefe de Gabinete do Presidente da República Portuguesa Dr. Gonçalo Couceiro, António Mendes e Wilemara Barros
ps: para saber do que vai acontecendo no Baixo Alentejo veja em CARTAZ.
Por diversas vezes me queixei que em Beja nada, ou pouco, ou de mau acontece. Este fim-de-semana contraria as minhas queixinhas e é motivo de alegria para nós. Vejamos:
1 - VI CultuNeves, com excelente exposição fotográfica subordinada ao tema "Alentejo - Mundo Rural", acontecimento que o Nikonman deu nota em primeira mão, aqui;
2 - Vitorino, Janita, Paulo Ribeiro e Felipa Pais, entre outros, às 16 horas de Domingo, no Parque de Exposições, enquadrado em Festa promovida pelo PCP local. Ainda dentro deste evento, no Sábado, alguns militantes daquele Partido propõem-se explicar porque é que preferem "GAM" a "COM" ao contrário do PS e do PSD que preferem "COM" a "GAM";
3 - XII Encontro do CEDA, sob o título "Pax Julia e Al-Mutamid - Alentejo: a síntese da palavra", durante Sábado e Domingo, a ocorrer na Casa da Cultura, com diversos painéis de debate (imperdível);
4 - O Grupo Coral de Vila Nova de S. Bento entra em estúdio, no Portal do Som, para gravar mais um CD de modas tradicionais alentejanas, motivo pelo qual não me será possível, com muita pena minha, assistir e participar nos eventos anteriores.
Assim "valapena"!
ps: A Península Ibérica em 1086, no tempo em que Al-Mutamid era Rei de Sevilha, retirado de http://www.balagan.org.uk/war/0711/1086.htm:
No Ma-Schamba leio o «O último discurso de Ngungunhanhe». Vale a pena ir lá lê-lo na íntegra. Percebe-se muito do que fomos perdendo nesta viagem do individualismo!

É o título do novo CD dos ADIAFA cuja apresentação ao vivo ocorrerá (entre outras) no próximo dia 28, pelas 23,30h, na Vidigueira, na discoteca quint@noite.
Estou curioso!
Não, aqui para baixo não vão ser distribuídos livros nos transportes públicos. Nem aqui nem ali, só em Lisboa!
De todo em todo a nossa Biblioteca Municipal José Saramago tem um programa digno de merecer uma adesão muito alargada. Ora vejam:
Cave:
17H00 - Histórias ao Largo - Mestre Elias e a sua Companhia de Bonecreiros
18H30 - Histórias de Zulia
19H30 - Taticrislim a cozinheira das histórias
21H30 - A Consulta do dr. Todos leu - Consultório de Leituras
22H30 - Mãos que desenham a noite - Atelier de actividades plásticas.
Auditório:
21H00 - Conferência com Pedro Strecht - "Abuso sexual de Menores"
21H45 - Conversas com Livros e Imagens - José Manuel Fernandes entrevista Luís Afonso
22H30 - AQUI, ACONTECE! - com Carlos Pinto Coelho
Cafetaria:
23H30 - O Veneno Universal - José Luís Peixoto & Fernando Ribeiro (Moonspell)
24H00 - Vozes e Estórias da Galiza
nota: a programação aqui reproduzida está publicada na Praça da República, donde foi retirada.
No próximo Domingo, dia 25 de Abril, na RTP 2, às 22.00 é exibido o documentário:
com depoimentos de:
Augusto M. Seabra;
Miguel Henriques;
Luís Tinoco;
João Madureira.
participam:
Orquestra Sinfónica Portuguesa;
Coro do Teatro Nacional de São Carlos, dir. João Paulo Santos;
Orquestra Nacional do Porto, Miguel Henriques, Elizabeth Davis dir. Martin André;
Solistas da OrquestrUtópica;
Drumming- Grupo de Percussão;
Solistas das óperas Édipo, tragédia de Saber e Os Dias Levantados,
entre outros.
“não julgo ser possível que, daqui por uma ou duas décadas, a vida musical continue organizada como até hoje”
António Pinho Vargas
O Site do cancro da mama está com problemas pois não têm o número de acessos e cliques necessários para alcançar a quota que lhes permite oferecer uma mamografia diária gratuitamente a mulheres que não têm recursos financeiros bastantes.
Demora menos de um segundo para ir ao site e clicar na tecla cor-de-rosa que diz "Free Fund Mammogram".
É pelo número diário de pessoas que clicam que os patrocinadores (Avon, Tupperware,....), a troco da publicidade, oferecem a referida mamografia.
O sítio é este: http://www.thebreastcancersite.com/, mas poderão ir directamente por este link.
Abril com "R"
"Trinta anos depois querem tirar o r
se puderem vai a cedilha e o til
trinta anos depois alguém que berre
r de revolução r de Abril
r até de porra r vezes dois
r de renascer trinta anos depois
Trinta anos depois ainda nos resta
da liberdade o l mas qualquer dia
democracia fica sem o d.
Alguém que faça um f para a festa
alguém que venha perguntar porquê
e traga um grande p de poesia.
Trinta anos depois a vida é tua
agarra as letras todas e com elas
escreve a palavra amor (onde somos sempre dois)
escreve a palavra amor em cada rua
e então verás de novo as caravelas
a passar por aqui: trinta anos depois."
Manuel Alegre
É onde estaremos no próximo dia 15 de Abril a convite do Arte Pública.
Estreia na Casa da Cultura de Beja, pelas 21,30 horas, com autoria e encenação de Gisela Cañamero.
Aconselhamos visita ao sítio do Arte Pública para ver ficha técnica, donde retiramos o texto que passamos a reproduzir:
"DEBAIXO DO CÉU é um espectáculo para todos, indicado para a família se deslocar em conjunto ao teatro.
Inspirado pelo universo dos contos orientais e tendo como referência a filosofia do Tao, DEBAIXO DO CÉU apresenta-se como um espectáculo de teatro musical que é também uma viagem iniciática para crianças e jovens.
Este espectáculo conta a história de Angelina e António - sujeitos de duas realidades muito diferentes que se hão-de encontrar como António e... António. Dois jovens adolescentes que se cruzam com um velho sábio que “sabe tudo o que se encontra debaixo do céu”.
Iniciam assim uma viagem pelo maravilhoso - seja ele fantástico ou terrífico - onde é possível realizar o sonho, iludir a força dos ignorantes e poderosos, descodificar mistérios, resolver situações problemáticas numa aventura que vai fortalecendo o sentimento de irmandade entre os dois jovens, atravessada pela descoberta de conceitos e reflexões que irão alicerçar o início de uma filosofia de vida, de auto-conhecimento e de inter-relacionamento."
A não perder, evidentemente, havendo espectáculos durante a tarde para as crianças podendo fazer o "dois", "três", "quatro" ou os que forem em "UM"!
«A hiperficção é hoje um dos meus mais intensos labores, mas os textos para música litúrgica, a homilética, a investigação na área da cultura ocupam boa parte dos meus dias. O meu maior prazer vem daquilo que partilho com quem se preocupa com as coisas deste mundo e do outro que não vemos. Não perder o anel, esse é o desígnio. O resto é literatura.»
diz José Augusto Mourão no seu sítio cibernético de apresentação.
Professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa lança, amanhã, mais um livro, «O Fulgor é Móvel», dedicado a Maria Gabriela Llansol, no Auditório do Instituto Camões, na Rua Rodrigues Sampaio, 113, juntamente com Annabela Rita que lança «Breves & Longas no País das Maravilhas», ambos editados pela Roma Editora e apresentados por Eduardo Lourenço e Casimiro de Brito.
José Augusto Mourão é uma das minhas refeências no que diz respeito à semiótica e teoria da comunicação, estando aqui e aqui disponíveis alguns dos textos que já editou.
A quem interessar conhecer melhor José Augusto Mourão deixo esta entrevista conduzida pelo Triplov.
40 mentiras sobre Ambiente que gostávamos fossem verdades
Desenvolvimento sustentável e participação dos cidadãos
1.. O desenvolvimento sustentável tornou-se numa preocupação transversal a todos os Ministérios e amplamente integrada nas políticas sectoriais.
2.. O desenvolvimento sustentável é hoje uma matéria transversal a todo o percurso escolar, desde o 1º ciclo até à universidade.
3.. Finalmente foi divulgada a estratégia que será seguida para preparar o Plano de Implementação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável, a data para a sua finalização e a forma como será organizada a participação da sociedade civil.
4.. A eficiência energética e do uso da água tornaram-se objectivos nacionais, estando a ser iniciadas campanhas de sensibilização e incentivo junto dos cidadãos e das entidades privadas e públicas para estas temáticas.
5.. Os Estudos de Impacte Ambiental podem, finalmente, ser considerados credíveis e um excelente instrumento para a tomada de decisão.
6.. As audiências públicas no âmbito dos Estudos de Impacte Ambiental tornaram-se de novo obrigatórias.
7.. Os pedidos de informação aos organismos estatais são respondidos no prazo máximo de 10 dias e deixaram de existir mecanismos de obstrução no acesso à informação por parte dos cidadãos.
8.. Instrumentos fiscais estão na prioridade do Governo para promover um desenvolvimento mais sustentável.
Ruído, ordenamento do território e conservação da natureza
9.. Autarquias elegem cumprimento de todos os requisitos do Regulamento Geral do Ruído como prioridade a bem da saúde pública dos portugueses.
10.. No período nocturno entre a meia-noite e as seis da manhã não haverá quaisquer movimentos de aviões nos aeroportos, excepto verdadeiras situações de utilidade pública.
11.. Nova geração de Planos Directores Municipais irá diminuir especulação imobiliária.
12.. Os municípios mais populosos só autorizam nova construção se for garantida a recuperação e reentrada no mercado de prédios devolutos pelos construtores.
13.. Revisão da Reserva Ecológica Nacional e da Reserva Agrícola Nacional vai ser amplamente discutida desde as primeiras propostas-base.
14.. Depois de sempre se mostrar aberto a discutir a proposta das organização não governamentais de ambiente, para ir ganhando tempo, o Governo decidiu-se finalmente pela gestão faseada do empreendimento de Alqueva.
15.. Barragem do Sabor não vai ser construída dada a destruição de habitats relevantes que causaria.
16.. A Rede Natura 2000 vai finalmente ter o seu plano sectorial concretizado em 2004.
17.. Todas as Áreas Protegidas terão Plano de Ordenamento dentro de seis meses.
18.. O Instituto de Conservação da Natureza viu o seu orçamento
substancialmente reforçado permitindo assim dar cumprimento a muitas das competências da responsabilidade deste serviço.
19.. Investimentos dos Planos de Ordenamento da Orla Costeira / Programa Finisterra foram todos concretizados com êxito e reduziram degradação do litoral.
20.. Portugal vê finalmente posto em acção um Plano Nacional para o Desenvolvimento Sustentável da Floresta
21.. A polícia florestal vai ter o seu quadro de pessoal significativamente reforçado.
22.. O consumo de químicos na agricultura começou a diminuir devido à ampla introdução das medidas agro-ambientais em Portugal e à adesão à
agricultura biológica por parte de muitos agricultores.
Recursos hídricos, qualidade da água, saneamento básico
23.. O Governo assegura que no final do III Quadro Comunitário de Apoio em 2006, toda a população terá abastecimento público com qualidade, bem como drenagem e saneamento.
24.. Todas as entidades distribuidoras cumprem as análises obrigatórias e enviam-nas a tempo para o relatório anual sobre qualidade da água para consumo humano.
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5.. Plano Nacional da Água e Planos de Bacia Hidrográfica estão a ser executados.
26.. Transposição da Directiva-Quadro da Água é uma realidade e nova Lei da Água resolve finalmente os eternos problemas de articulação entre entidades que gerem uma mesma bacia hidrográfica.
27.. O reforço da Inspecção Geral do Ambiente e a celeridade dos tribunais está a permitir que seja cada vez mais difícil poluir sem se ser punido.
Alterações climáticas e qualidade do ar
28.. Governo compromete-se a rever o Imposto Automóvel este ano e a implementar uma taxa de carbono para todos os combustíveis.
29.. Portugal evita excedências aos limiares de informação e de alerta de ozono em 2004.
30.. Graças aos Planos e Programas que estão em vigor, Lisboa e Porto deixaram de ser das cidades mais poluídas da Europa em termos de partículas.
31.. Portugal vai cumprir meta de 39% para a electricidade de origem renovável em 2010
32.. Governo assegura que Portugal vai cumprir integralmente os objectivos do Protocolo de Quioto em 2010.
Resíduos
33.. As políticas de reutilização, particularmente ao nível das embalagens, são amplamente aplicadas e levaram já a uma redução dos resíduos produzidos anualmente.
34.. Incineradora da ERSUC não vai avançar para ajudar na garantia que as metas de reciclagem estipuladas pela União Europeia serão cumpridas.
35.. Finalmente, cada cidadão paga consoante os resíduos que produz, pelo que quem participa na recolha selectiva vê recompensado o seu esforço na factura mensal.
36.. Metas de reciclagem de resíduos de embalagem vão ser atingidas em 2005.
37.. Já não são necessários centros de tratamento de resíduos industriais perigosos porque as quantidades produzidas são negligenciáveis.
Organismos geneticamente modificados
38.. A entrada ilegal de cereais transgénicos pelas alfândegas portuárias vai finalmente começar a ser fiscalizada.
39.. Os Ministérios da Agricultura e do Ambiente já não votam os transgénicos ora a favor, ora contra, consoante o representante que vai às votações de Bruxelas.
40.. O Plano Nacional para o Desenvolvimento da Agricultura Biológica vai ter discussão pública para evitar manipulações de gabinete por interesses especiais.
A Direcção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza
Lisboa, 31 de Março de 2004
Quaisquer esclarecimentos sobre as verdades efectivas deste comunicado podem ser prestados por Hélder Spínola, Presidente da Quercus, telemóvel 93-7788472 ou 96-4344202.
Conceição Lopes
Secretariado da Direcção Nacional
Quercus-Associação Nacional da Conservação da Natureza
Apartado 4333 - 1503-003 Lisboa
Tel.: 21.7788474; Fax.: 21.7787749; Tm.: 93.7788474
www.quercus.pt ; quercus@quercus.pt
o 14º Festival Intercéltico do Porto
Do Porto? Sim, mas desta vez descentralizado..., a Lisboa, a Montemor-o-Novo e a Arcos de Valdevez. Segue-se o programa que transcrevemos do At-tambur, daqui.
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Dia 1 de Abril 2004
Portugal At-Tambur
Hungria Marta Sebestyén e Muzsikàs
Dia 2 de Abril 2004
Portugal Realejo
Cantábria Atlântica
Dia 3 de Abril 2004
Portugal Frei Fado d'El Rei
Irlanda Kila
Lisboa
CCB
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Dia 1 de Abril 2004
Irlanda Kila
Dia 2 de Abril 2004
Hungria Marta Sebestyén e Muzsikàs
Dia 3 de Abril 2004
País Basco Kepa Junkera
Montemor-o-Novo
Cine Teatro Curvo Semedo
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Dia 2 de Abril 2004
Irlanda Kila
Dia 3 de Abril 2004
Hungria Marta Sebestyén e Muzsikàs
Arcos de Valdevez
Auditório - Casa das Artes
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Dia 2 de Abril 2004
Portugal At-Tambur
Dia 3 de Abril 2004
Cantábria Atlântica
Não fazemos nenhuma chamada de atenção aos participantes embora registemos o regresso dos "Realejo" e dos "Frei Fado d'El Rei", para nós, indiscutivelmente a melhor formação de música tradicional portuguesa, onde se fundo fado, com música popular, flamengo e umas pitadas, aqui e acolá, de ambiências mouricas. Perderam recentemente um grande alicerce, em especial no que concerne a estrutura, a sonoridade, a ambiência, enfim, a âncora, falo de Quico Serrano. A ver vamos como evoluem sem ele, substituído por Raul Tinoco!
Por "Krautrock" ficou conhecido o movimento musical que viria a colocar a Alemnha nos roteitos do Rock/Pop. Até finais dos anos 60 a criatividade musical alemã era muito pobre fora do contexto da música erudita. Parecia que o rock e o pop lhe tinham passado ao lado.
É perante esse inconformismo, por um lado, e por uma atitude "anarquista" de "anti-cultura" em relação ao rock, que um ácido eléctrico combinado com um psicadelismo espacial de matiz essencialmente instrumental, onde a voz caso só surge como mais um instrumento, condimentado com breves improvisações free, conseguidos em estados alterados de consciência conseguidos, à época, através do LSD, que se trilharam caminhos experimentais que frutificaram e ficaram para a história da música rock/pop dos anos 70 e 80.
Exemplos?
"The Raven" dos Ikarus, "Alpha Centauri" dos Tangerine Dream e "Autoban" dos Kraftwerk!
Já se lembram, das "curtições" do "Autoban" em replay no leitor de cassetes do carro e volume no máximo?
Pois bem, para quem conhece e especialmente para quem não chegou a vivê-los, eis os Kraftwerk no Coliseu na próxima sexta, 2 de Abril! Obrigatório!
"A prova de fogo!"
Depois de a nova administração tomar posse, onde Gabriela Canavilhas detém a respnsabilidade máxima, a Orquestra Metropolitana de Lisboa irá apresentar-se em vários concertos na semana da Paixão, entre os quais se destaca o Requiem de Fauré, juntando-se à orquestra o Coral de Lisboa "Cantat", a ter lugar na Igeja do Mosteiro de S. Vicente de Fora no próximo dia 2 de Abril, sexta-feira, com entrada livre. É de salientar que este programa esteve agendado para 6 de Outubro do ano passado, em colaboração com o Instituto Gregoriano de Lisboa que por razões conhecidas foi anulado.
Será a a primeira oportunidade para se aferir da qualidade da prestação desta orquestra na era pós Graça Moura, e o trabalho já conseguido pelo novo maestro titular. Um momento a não perder onde, talvez, se possa reconciliar o público com esta formação de sofreu acentuados decréscimos de qualidade nos últimos anos.
Como nota de fim de página, lamentamos a falta de actualização do site da AMEC, onde nem este programa consta. Um assunto, ainda, a melhorar e rever.
Não retomarei este assunto que já abordei. Apenas transcrevo um comentário do Virgílio Marques no blogue que mantém com a Catarina de divulgação de Guilermina Suggia.
Aqui vai:
"Note-se que SUGGIA, toca pela primeira vez em Lisboa, no Salão Nobre do Conservatório Nacional, uma das salas com melhor acústica,com os tectos pintados por José Malhoa, e que desde, creio os anos 20 ou 30 do sec XX, não tem qualquer reparação. Chove lá dentro. As paredes estão a cair, o balcão está já escorado há anos para evtar a sua queda. Há neste momento uma campanha de sensibilização para que o Ministério da Educação proceda ao restauro duma das salas mais próprias para música de câmara."
Gisela Cañamero, no último número do Diário do Alentejo, escreve sobre as peripécias por que passou para que houvesse teatro no Dia Mundial do Teatro em Beja, mais concretamente no lugar que não pode nunca esuqecer uma data dessas - a Casa da Cultura.
A peripécia pode ser lida, mas prende-se com o facto de daquele espaço estar ocupado, naquele dia, para uma reunião de uma Associação de Comerciantes.
Os comerciantes não têm culpa por não saberem qual o dia em que se comemora o Dia Mundial do Teatro, mas os responsáveis da Câmara pela gestão, direcçao artística e programação da Casa da Cultura deveriam, no mínimo, ter vergonha e demitirem-se de imediato!
Em recente visita aos Estados Unidos, o actual jovem Ministro da Educação brasileiro, foi confrontado com uma pergunta de um jornalista norte-americano sobre o que pensava em relação à internacionalização da Amazónia, enquanto humanista, tendo respondido o que passamos a transcrever por não o emcontrarmos disponível on-line. Esquivamo-nos a comentar, já que o texto coloca em evidência alguns dos princípios de que o modelo de globalização em curso arrogantemente manifesta.
Aqui vai:
"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.
Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro...
O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não o seu preço.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos,ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.
Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio,mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia
do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas,provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram,como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.
Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas,enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!".