março 23, 2005

"Sol Incendiado"

Ontem lá fui à Biblioteca Municipal de Beja assistir à apresentação do livro de poemas (textos, nas palavras do autor) de José Manuel Carreira Marques.
Trata-se de uma recolha datada que revela perfumes e estados de alma desencontrados do autor durante 3 anos e meio da sua vida.
Folheei o livro e, tal como disse Mário Mássimo a quem coube a apresentação, trata-se de poesia na boa tradição da linguagem dos afectos e não da nova vaga de tratamento estruturalista das palavras. Deixo-vos um que li e gostei particularmente:

Nem o mar sabe do meu naufrágio.
Há um vazio silencioso
e profundo
onde me agarro.
Veja as algas plantadas
nos navios naufragados
e oiço os queixumes dos mártires.
São os meus companheiros de infortúnio
que me olham espectrais e espantados
porque ninguém naufraga assim.

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março 22, 2005

Extraordinário trabalho de Leonel Vicente

A divulgação que o Leonel Vicente tem vindo a fazer sobre "LÍNGUAS MINORITÁRIAS NA EUROPA" (já vai na XVIIª entrada) na sua Memória Virtual são mais um exemplo de que serviço público sério pode fazer-se em qualquer meio de comunicação, desde que se queira!
Parabéns Leonel Vicente!

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"Sol Incendiado"

Hoje, às 21:30h, na Biblioteca Municipal de Beja, ocorrerá a apresentação, por Mário Máximo, do 2º livro de poesia de Carreira Marques - "Sol Incendiado".
Carreira Marques é Presidente da Câmara de Beja há 23 anos embora já tenha manifestado a sua vontade em dedicar-se exclusivamente à poesia não se racandidatando a novo mandato.
Pelo que vamos lendo no seu blogue, Pedra a Pedra, acreditamos que ganharemos um bom poeta, mas enquanto cidadão sei que perderemos um dos bons Presidentes de Câmara deste país.
Boa sorte, Carreira Marques, para este novo ciclo de vida.

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março 21, 2005

LOS TRISTES


1

De la torpe ignorancia que confunde
lo mezquino y lo inmenso;
de la dura injusticia del más alto,
de la saña mortal de los pequeños,
¡no es posible que huyáis! cuando os conocen
y os buscan, como busca el zorro hambriento
a la indefensa tórtola en los campos;
y al querer esconderos
de sus cobardes iras, ya en el monte,
en la ciudad o en el retiro estrecho,
¡ahí va!, exclaman, ¡ahí va!, y allí os insultan
y señalan con íntimo contento
cual la mano implacable y vengativa
señala al triste y fugitivo reo.


2

Cayó por fin en la espumosa y turbia
recia corriente, y descendió al abismo
para no subir más a la serena
y tersa superficie. En lo más íntimo
del noble corazón ya lastimado,
resonó el golpe doloroso y frío
que ahogando la esperanza
hace abatir los ánimos altivos,
y plegando las alas torvo y mudo,
en densa niebla se envolvió su espíritu.


3

Vosotros, que lograsteis vuestros sueños,
¿qué entendéis de sus ansias malogradas?
Vosotros, que gozasteis y sufristeis,
¿qué comprendéis de sus eternas lágrimas?
Y vosotros, en fin, cuyos recuerdos
son como niebla que disipa el alba,
i qué sabéis del que lleva de los suyos
la eterna pesadumbre sobre el alma!


4

Cuando en la planta con afán cuidada
la fresca yema de un capullo asoma,
lentamente arrastrándose entre el césped,
le asalta el caracol y la devora.

Cuando de un alma atea,
en la profunda oscuridad medrosa
brilla un rayo de fe, viene la duda
y sobre él tiende su gigante sombra.


5

En cada fresco brote, en cada rosa erguida,
cien gotas de rocío brillan al sol que nace;
mas él ve que son lágrimas que derraman los tristes
al fecundar la tierra con su preciosa sangre.

Henchido está el ambiente de agradables aromas,
las aguas y los vientos cadenciosos murmuran;
mas él siente que rugen con sordo clamoreo
de sofocados gritos y de amenazas mudas.

¡No hay duda! De cien astros nuevos, la luz radiante
hasta las más recónditas profundidades llega;
mas sus hermosos rayos
jamás en torno suyo rompen la bruma espesa.

De la esperanza, ¿en dónde crece la flor ansiada?
Para él, en dondequiera al retoñar se agosta,
ya bajo las escarchas del egoísmo estéril,
o ya del desengaño a la menguada sombra.

¡Y en vano el mar extenso y las vegas fecundas,
los pájaros, las flores y los frutos que siembran!
Para el desheredado, sólo hay bajo del cielo
esa quietud sombría que infunde la tristeza.


6

Cada vez huye más de los vivos,
cada vez habla más con los muertos
y es que cuando nos rinde el cansancio
propicio a la paz y al sueño,
el cuerpo tiende al reposo,
el alma tiende a lo eterno.


7

Así como el lobo desciende a poblado,
si acaso en la sierra se ve perseguido,
huyendo del hombre que acosa a los tristes,
buscó entre las fieras el triste un asilo.

El sol calentaba su lóbrega cueva,
piadosa velaba su sueño la luna
el árbol salvaje le daba sus frutos,
la fuente sus aguas de grata frescura.

Bien pronto los rayos del sol se nublaron.
la luna entre brumas veló su semblante,
secóse la fuente, y el árbol nególe,
al par que su sombra, sus frutos salvajes.

Dejando la sierra buscó en la llanura
de otro árbol el fruto, la luz de otro cielo;
y a un río profundo, de nombre ignorado,
pidióle aguas puras su labio sediento.

¡Ya en vano!, sin tregua siguióle la noche,
la sed que atormenta y el hambre que mata;
¡ya en vano!, que ni árbol, ni cielo, ni río,
le dieron su fruto, su luz, ni sus aguas.

Y en tanto el olvido, la duda y la muerte
agrandan las sombras que en torno le cercan,
allá en lontananza la luz de la vida,
hiriendo sus ojos feliz centellea.

Dichosos mortales a quien la fortuna
fue siempre propicia... ¡Silencio!, ¡silencio!,
si veis tantos seres que corren buscando
las negras corrientes del hondo Leteo.

Rosalía de Castro

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março 17, 2005

Sérgio Azevedo - Concerto para 2 Pianos e Orquestra

Em tempos escrevi um comentário no Contemporâneas de Teresa Cascudo sobre o Concerto para 2 pianos e Orquestra de Sérgio Azevedo onde, entre outras coisas disse:

«(...) a obra inicia uma mudança em Sérgio Azevedo, sentindo-se uma composição muito mais solta, experimental, quase me atrevo, em relação ao "excesso" de academismo que o compositor se vinha prendendo

tendo obtido uma interpretação díspar, com direito a resposta, por parte do compositor, que considero.
Entendi por bem responder a um e-mail pessoal do próprio Sérgio Azevedo e nada dizer ou escrever publicamente sobre o assunto por poder tornar-se demasiadamente melindroso.
Em boa hora tomei esta decisão pois, mais tarde, o próprio compositor vem a escrever sobre a sua obra o segyuinte:

«Tanto o Concerto para Dois Pianos e Atlas' Journey são, sem dúvida, os pontos culminantes desse período, no qual comecei uma aproximação mais sistemática a técnicas de composição baseadas em grupos de tons inteiros, harmonia espectral, heterofonia, campos harmónicos e um cuidado extremo com certos efeitos peculiares de produção do som.»

Dou, assim, este assunto por encerrado esperando que de futuro não se leia nem interprete o que nunca quis dizer ou escrever.
Aproveito para aqui divulgar, com grande alegria, que a gravação desta obra, efectuada pela Rádio Nacional de España, a 10 de Junho de 2003, com Artur Pizarro e António Rosado nos pianos e a Orquesta de la Comunidad de Madrid, dirigida por Luca Pfaff, será adquirida pela Antena 2 da RTP, à semelhança do que deveriam fazer com muitas outras belíssimas obras dos nossos compositores lá estreadas e gravadas e nunca ouvidas no nosso país.

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Isto é de esquerda ou de direita?

Ontem recebi um e-mail do P.G. Sanches com aquilo que ele pensava ser uma provocação por se tratar de um artigo de um autor que não é das minhas preferências, João Pereira Coutinho, publicado no Independente em 7 de Fevereiro de 2003 e on-line aqui. Transcrevo um excerto com destaque meu:

«(...) Há dias assim: lemos o que lemos e sentimos que o dia está ganho. Arriscar é perder. Ou, como diria um célebre professor de Oxford, «mudar para quê, se as coisas já estão tão más?» Fico como estou. E fico bem. Só Deus sabe como eu fico bem.
De que nos fala Paul Johnson? Ah!, de que nos fala Paul Johnson... Da arte da rudeza. Da aristocrática arte da rudeza. Uma arte definitivamente perdida numa cultura plebeia e vulgar. Não confundam rudeza com ordinarice. A rudeza é tudo, excepto ordinarice. A rudeza é insolência. É brutalidade. Não, não é brutalidade; é mais do que brutalidade: é malícia extrema, perversidade diabólica, sofisticação pura. Ao contrário do insulto reles, típico de selvagens e vagabundos, não é qualquer um que exerce a rudeza. A rudeza exige inteligência, elegância e um ethos aristocrático que uma sociedade radicalmente demótica não permite nem premeia. Paul Johnson cita exemplos. Leio os nomes e sinto, com angústia e tristeza, a irremediável pobreza do mundo em que vivemos. Winston Churchill e seu filho Randolph. Bernard Shaw. Disraeli. E o grande, grande, grande Evelyn Waugh. O meu coração encolhe. Meu Deus: ainda haverá gente a ler Evelyn Waugh? Não falo de Brideshead Revisited em versão televisiva. Falo de Decline and Fall ou Scoop, livros que me infectaram de iconoclastia e que ficarão comigo até ao fim dos meus dias. Sim, falo de Vile Bodies, de Black Mischief, de Unconditional Surrender. Daria tudo para os ler agora. Como se fosse a primeira vez.
A arte da rudeza é insulto. Mas não é apenas insulto. É um insulto perverso, insolente e demencialmente elevado. «Winston, você não passa de um bêbedo», diz Lady Astor a Churchill numa festa social. E Churchill, sem perder a compostura, responde: «E você, minha querida, é feia. Mas amanhã eu já estarei sóbrio».
O mesmo Churchill, na Câmara dos Comuns, confrontado com as críticas de uma parlamentar inflamada: «Se eu fosse sua mulher, punha veneno no seu chá». E Churchill, sem perder a compostura, responde: «E se eu fosse seu marido, bebia-o».
Agora tracem as diferenças. A nossa vida social, vendida pelas revistas da paróquia, pinga vulgaridade. As elites de um país definem esse país? Pois bem: as nossas elites mais visíveis são compostas por jogadores de futebol, apresentadores televisivos e concorrentes do Big Brother. Um cortejo grotesco, que diz tudo sobre Portugal. As frases desta gente são deprimentes e vulgares. As fronhas são deprimentes e vulgares. Os amores são deprimentes e vulgares. As casas são deprimentes e vulgares. Os sentimentos são deprimentes e vulgares. As férias, invariavelmente no Algarve, são deprimentes e vulgares. Os gostos são deprimentes e vulgares. As opiniões são deprimentes e vulgares. A roupa é deprimente e vulgar. A educação é deprimente e vulgar. Tudo é deprimente e vulgar porque tudo surge infectado pelo vírus deprimente e vulgar da classe média arrivista e endinheirada, amante do exibicionismo saloio ou, então, da moderação pacóvia, obsessivamente preocupada com o decoro, a imagem, as aparências. E em relação ao Parlamento, o que há para acrescentar? Dos 230 deputados, talvez trinta sejam pessoas alfabetizadas. Dessas trinta, talvez vinte consigam ler um texto sem mexer os lábios. Dessas vinte, talvez dez consigam escrever uma frase com sujeito, predicado e complemento directo. O que dizer dos restantes 200?
Não se pense que a arte da rudeza pode existir sem humanidade. Pelo contrário: só pessoas invulgarmente humanas podem ser invulgarmente rudes. Serge Gainsbourg, outro patife nobre, disse um dia a um jovem cantor em ascensão: «Provoca, provoca sempre. Mas nunca deixes de ser humano». A rudeza é humanidade em estado puro. Puro e duro. Quando Evelyn Waugh soube que o seu amigo Randolph Churchill fora submetido a uma operação cirúrgica para a remoção de um pulmão, Waugh comentou: «Não acham a medicina moderna fascinante? Os médicos prescrutaram todo o corpo de Randolph e resolveram retirar-lhe a única parte que não era maligna». Delicioso Evelyn. Patifório Evelyn. O mesmo Evelyn que, semanas depois, ao encontrar o seu amigo em dolorosa convalescença, não hesitou em abraçá-lo, com as lágrimas nos olhos.
A arte da rudeza é um património a preservar numa sociedade civilizada. E talvez seja a única coisa verdadeiramente importante a fazer para salvar este Portugal alinhado, deprimente, vazio e sombrio, povoado por criaturas alinhadas, deprimentes, vazias e sombrias. Filhos, não obedeçam sempre aos vossos pais. Pais, não queiram ser como os vossos filhos. Rapazes, aprendam a abusar. Riam muito. Chorem ainda mais. Provoquem. Excedam-se. Sejam inteligentes. Sejam elegantes. Sejam nobres. E, puta que pariu, sejam rudes e humanos.
»

Subscrevendo eu isto, tim-tim pot tim-tim, considerando até que a causa essencial da decadência ocidental é o arrivismo e a falta de educação (em casa e na escola e no trabalho e na rua e nos meios de comunicação social), pergunto eu, isto é ser de direita?, é ser de esquerda?
Para mim nem uma coisa nem outra, é ser marginal, marginal às etiquetas esquerda/direita volver, marginal a esta vulgaridade que, com a arrogância que lhe é característica, domina o poder em todos os sentidos e formas!
Marginal e elitista!

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março 14, 2005

Associação Guilhermina Suggia

O Virgílio Marques dá-nos uma belíssima notícia no blogue Guilhermina Suggia sobre a criação da Associação com o nome da insígne violoncelista, mas vai adiantando que não chegam as boas palavras e as boas vontades...

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De regresso a Dianne Reeves

Esquecimento imperdoável foi o facto de no post que dediquei a Dianne Reeves não ter mencionado a sua participação no tema ""Feeliong og Jazz" que abre o Cd de Winton Marsalis, "The Magic Hour", editado o ano passado.
Dei por aqui nota dele, mas concretamente sobre este blues de Marsalis, eu que não sou de "best of's", sempre digo que foi o tema que ouvi e ouço com mais regularidade desde que o tenho, diariamente, digámos!
Um blues em tempo lento (a semínima não passa dos 72) durante 7 minutos onde voz e trompete dialogam acompanhados acusticamente, sem nos cansar, é um feito notável.
Para os menos identificados com o estilo, o blues baseia-se numa estrutura de 12 compassos 4/4 sobre 3 harmonias - tónica, mediante e sétima da dominante - estrutura esta repetida as vezes que os intérpretes ousarem improvisar sobre ela.
Neste "Feeling of Jazz", de tempo lento, repito, e ambiente calmo, desenrola-se uma teia de crescente cumplicidade e tensão progressiva que apenas vem a atingir o clímax após o 5º minuto, numa explosão lógica, simples e construída na reciprocidade entre a voz de Dianne e o trompete de Winton, para lentemente regressarem à distensão do início do tema para o concluirem.
É um tema de antologia, seguramente, em especial para aqueles que ainda não se deixaram apnhar pelo Jazz, devido à simplicidade (muito complexa) de construir tensão e distensão presos a uma harmonia e uma estrutura pré-definidas.
Aqui fica esta nota de esquecimento imperdoável sobre o talento de Dianne. Vão ouvi-la, pela vossa saúde!

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março 13, 2005

Dianne Reeves em Portugal

Nos próximos dias 22 e 23 iremos receber, em trio, Dianne Reeves no CCB e no Rivoli, respectivamente. Esta cantora de Detroit tem sentido enormes dificuldades em afirmar-se junto dos críticos talvez pelo facto de se expressar com elevada qualidade em vários géneros, desde o Blues, R&B, Jazz, mas a verdade é que não encontro paralelo actualmente seja no seu timbre quente, na sua técnica irrepreensível, na sua expressividade negra, no profissionalismo com que encara cada projecto e concerto.
Deu os primeiros passos como profissional no final dos anos 70 pela mão de Lenny White, Stanley Turrentine e Alphonso Johnson, na época em que estes músicos atravessavam a fase da "fusão" ou do "funky" se preferirem, estilo que rolou na época pós-free quando os músicos de Jazz procuravam novos caminhos, o aprofundamento do free, o regresso às origens e o mais fácil, fácil porque comercialmente muito bem aceite, o funky.
Rapidamente constrói o seu próprio espaço com a ajuda de Billy Childs, lançando o seu primeiro trabalho a solo, "Welcome to my Love", em 1982, com um sucesso assinalável.
Na 2ª metade dos anos 80, duas extraordinárias oportunidades catapultam Dianne Reeves para o reconhecimento internacional mantendo, contudo, os críticos de Jazz muito cépticos:
1 - em 1985 o "patrão" da Blue Note, Bruce Landvall, patrocina um concerto de homenagem a Duke Ellington, "Echoes of Ellington" juntando Dianne Reeves com George Duke, Freddie Hubbard, Herbie Hancock, Tony Williams, Stanley Clarke e o seu velho amigo Billy Childs. O sucesso deste concerto proporcionou uma "tournée" mundial de 138 concertos;

2 - em 1989 a Blue Note ao tentar revitalizar antigos talentos oferece a Lou Rawls a possibilidade de gravar "At Last", com a participação de alguns notáveis da etiqueta, George Duke, George Benson, Ron Blake e Dianne Reeves, que redundou num estrondoso sucesso, dando a conhecer aos menos atentos o seu talento de cantor de blues onde sobressaem, precisamente, os dois temas onde ele faz duo com Dianne Reeves, "At Last" e o famoso "Fine Brown Frame".

Em 1994 grava, para mim, o seu melhor trabalho de sempre,

"Quiet After The Storm"

com as participações de Ron Blake, "Cannonball" Adderley, Joshua Redman, Roy Hargrove, George Duke e Airto Moreira, entre outros. É um trabalho fabuloso onde Dianne Reeves não cede nunca a virtuosismos escusados e transpira musicalidade do princípio ao fim! Tenho dificuldade em salientar uma faixa, mas sempre diria que a sequência "The Benediction (Country Preacher)" / "Detour Ahead" são de rara beleza pelo encanto da junção do Gospell, dos blues e da fusão na sua mais plena negritude.

Que poderei dizer mais sobre Dianne Reeves? Já se aperceberam que é uma das minhas paixões musicais, mas pronto, vá lá, já agora para a malta da clássica, foi escolhida por Simon Ratlle para se apresentar como única solista no Carnegie Hall com a Orquestra de St. Lukes num concerto de homenagem a Duke Ellington e grava também como solista, para o mesmo efeito, com a Orquestra de Cleveland sob a direcção de Daniel Barenboim. Já em 2003 grava Gershwin e faz uma "tounée pela Europa e Extremo Oriente, também a convite de Simon Ratlle, com a Orquestra de Berlim.

Em 2004 ganha o "Grammy" de "Best Jazz Vocal Performance" pelo seu trabalho "A Little Moonlight".
Apesar de tudo este percurso continua a não obter as graças dos críticos de Jazz mais "puristas", mas que é a melhor cantora negra viva de Jazz, de Blues, de R&B, de Funky, ai disto ninguém me tira a ideia e se não acreditam vão ouvi-la! Não darão o tempo por mal empregue!

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março 10, 2005

Cumprimento Escrupuloso da Lei!!!

O Virgílio Marques, autor do blogue Guilhermina Suggia, anunciou em tempos a criação de uma Associação que cuidasse de preservar e divulgar a memória da nossa melhor violoncelista de todos os tempos e uma das mais célebres de sempre..., além fronteiras.
Por cá poucos saberão quem foi Guilhermina Suggia, mas o certo é que até Virgínia Wolf lhe fez elogiosa referência no seu diário.
Bom, o Virgílio Marques deitou mãos à hercúlia obra - angariou aderentes à causa (ver aqui), elaborou um projecto de estatutos (ver aqui) e pôs-se a caminho do Registo Nacional de Pessoas Colectivas (RNPC) para formalizar o assunto.
Tudo correu bem, as adesões são numerosas e sonantes, os estatutos foram aplaudidos, mas eis que o RNPC responde-lhe que é necessária a autorização da senhora para criar uma Associação com o nome dela. O Virgílio lá explicou que seria difícil pois a visada falecera há 50 anos. Bom, sendo assim, os herdeiros terão de nos comunicar por escrito a sua autorização. Pois, mas o problema é que a senhora não deixou herdeiros...!
Então, meu senhor, nada feito, arrange lá outro nome para a Associação, eu sei lá..., por exemplo, Associação Suggia Guilhermina!!!
Esta é uma paródia verdadeira que o Virgílio, sem parodiar, aqui descreve, tim-tim por tim-tim!
Que raio de país nos tornaremos se insistirmos no escrupuloso cumprimento deste género de leis e de gentes que teimam em não as contornar?

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fevereiro 01, 2005

António Pinho Vargas e o Centro Cultural de Belém

Alguns amigos têm-me manifestado alguma estranheza pelo facto de António Pinho Vargas continuar ligado ao CCB apesar de se ter demitido após a demissão de Miguel Vaz de quem era consultor.
De facto, António Pinho Vargas, apesar de não ter mais uma ligação contratual, assumiu ajudar a nova administração no que concerne à sua opinião sobre as candidaturas do novo projecto "BoxMúsica", bem como aos projectos que deixou prontos, nomeadamente as "Residências", a programação dos Concertos Comentados e naturalmente aos 3 concertos OSP/CCB em torno de Wolfgang Rihm.
Às vezes é necessário divulgar este tipo de esclarecimentos pois a sua ausência permite (inevitavelmente no meio e fora dele) boatos e maledicências muito ao jeito da grande panela da mediocridade.

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janeiro 27, 2005

INTERACT - Revista de Arte, Cultura e Tecnologia

Depois de um tempos de descontinuidade aí está o n.º 11 da "INTERACT" (link constante dos "Confortos" aqui ao lado), a única revista digital portuguesa ligada à arte, cultura e novas tecnologias, dirigida por Teresa de Sousa da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Nova.
Este n.º está, à semelhança dos anteriores, bastante rico, contando com estudos e ensaios sobre hipertexto, ética e literatura, linguagem dos jogos de computador, arte simbólica e uma entrevista a António Câmara por Gonçalo Felino.
Neste n.º 11 da INTERACT contamos com as participação de J. Rosa, J. Godinho, Luís Soares, Luís Filipe Teixeira, Guilherme Xavier, Mark Stephen Meadows, dr Bakali, José Augusto Mourão, Jorge Leandro Rosa, Leonel Moura, Pedro Gadanho, Patrícia Gouveia, Filomena Moita, Gonzalo Frasca e Pitch Gonçalves, por ordem de inserção.
Para além de estar totalmente disponível on-line, a INTERACT permite o download em formato "pdf" para quem pretender. Nota menos positiva é o site estar construído totalmente em "flash", tornando-se muito pesado para quem não tem computadores "bomba" para navegar.

Transcrição da missão do projecto INTERACT:

«A interact é uma publicação digital, de periodicidade quadrimestral editada pelo Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens (CECL).
O seu objectivo é a reflexão e a discussão em torno de temáticas importantes do pensamento contemporâneo, o acompanhamento crítico de acontecimentos e práticas culturais e artísticas e o incentivo ao trabalho de experimentação com as tecnologias digitais e as redes de informação.
Diminuir o fosso ainda existente entre a cultura e a cibercultura é ainda uma das suas principais motivações, procurando por isso o encontro (e o confronto) entre práticas mais tradicionais no âmbito da cultura (como o ensaio, a crítica e a recensão), e práticas de expressão, de reflexão e de criatividade próprias à cultura digital, como as da hipertextualidade e hipermedia, interactividade e conectividade.»

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janeiro 25, 2005

PEDIDO DE AJUDA - Centro de Música Tradicional Sons da Terra em risco de fechar

O governo acaba de retirar todos os apoios ao "Centro de Música Tradicional Sons da Terra", uma das instituições que mais tem feito pela recuperação e divulgação da música tradicional e étnica portuguesa, nomeadamente a Gaita de Foles, através do seu já internacional Festival de Sendim.
Há uma petição a correr on-line, dirigida ao Ministério da Cultura, à Câmara Municipal de Miranda do Douro, ao Instituto das Artes e à Delegação Regional da Cultura do Norte ,deixando-vos uma transcrição do pedido de apoio que recebi via e-mail da Associação Gaita de Foles:

«(...) o Centro Música de Tradicional Sons da Terra, em Sendim (Miranda do Douro) corre o risco de fechar as portas, devido à cessação de apoios por parte do governo. O Centro de Música de Tradicional Sons da Terra tem sido responsável, em Sendim, pelo desenvolver de actividades ligadas à música tradicional Mirandesa, que incluem palestras, cursos de instrumentos mirandeses e possui ainda uma biblioteca dedicada aos temas da música tradicional mirandesa e internacional.
O seu fundador, Mário Correia, é um dos "históricos" da música tradicional e "Folk" em Portugal, sendo o fundador da MC - Mundo da Canção, Festival Intercéltico de Sendim e da Editora Sons da Terra (que tem publicado uma colecção discográfica inteira dedicada aos gaiteiros portugueses contemporâneos, de valor documental inestimável) para além de ter passado pela organização das primeiras edições do Festival Intercéltico do Porto. O notícia do eventual fecho do Centro Sons da Terra em Sendim tem sido recebida com choque e surpresa, por representar o fim de uma instituição que é de alto valor para o reconhecimento da cultura transmontana e sobretudo porque era um espaço orientado para a população mais jovem, que agora se poderá ver privada dele

ASSINE A PETIÇÃO

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"June" - sortilégio

Volvidos 10 anos sobre a gravação do tema "June" de António Pinho Vargas no trabalho "A Luz e a Escuridão" com o próprio, ao piano, Maria João, voz e José Nogueira nos saxofones, Don Ross transcreveu-o para o seu instrumento, guitarrra acústica, apresentando-o no seu novo CD "Robot Monster" em distribuição exclusiva pela net.
O curioso é que António Pinho Vargas e Don Ross não se conhecem nem nunca se falaram tendo este último tomado conhecimento de "June" através de alguém que lhe ofereceu "A Luz e a Escuridão" e, pimba, 10 anos depois grava-o e edita-o!

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janeiro 12, 2005

Remix Ensemble no IRCAM

O "Institut de Recherche et Coordination Acoustique/Musique", (IRCAM, com link aqui mesmo ao lado na secção "confortos"), numa iniciativa intitulada "Invitations au tour du réportoire", convidou este ano o Remix Ensemble, do Porto, para se mostrar ao público de Paris e proporcionar-lhe, durante uma semana uma aproximação e familiarização com o que chamam de "música mista" em estreita colaboração com os compositores do IRCAM e seus assistentes. As peças saídas destes "ateliers" serão apresentadas ao público juntamente com o reportório que os convidados já levam preparado:

- Luis Fernado Rizo Salom Al Umbral del abismo, para piano e ensemble
- Emmanuel Nunes Nachtmusik I, para 5 instrumentos e orquestra
- Salvatore Sciarrino Introduzione all'oscuro, para 12 instrumentos
- Gérard Grisey Jour, contre-jour

dirigidos por Peter Rundel e assistência musical de Éric Daubresse, beneficiando com a capacidade informática do IRCAM, numa co-produção da Casa da Música e do IRCAM-Centre Pompidou que ocorrerá a 20 de Janeiro no IRCAM e a 22 no Teatro Helena Sá e Costa, no Porto. (link)

Para os menos familiarizados com estas coisas da música electro-acústica, o IRCAM foi fundado pelo Centro George Pompidou em 1969 tendo então sido convidado para a sua direcção o compositor e maestro Pierre Boulez, a quem deve o seu sucesso, sendo hoje o maior e mais bem apetrechado centro de investigação científica exclusivamente dedicado às tecnologias para a criação musical do mundo, contando com cerca de 90 investigadores permanentes e sede de estágios dos mais reputados compositores da área.

Sinceros parabéns ao Remix Ensemble que consegue ser mais um dos que demonstra que os portugueses sabem e conseguem fazer bem quando a politiquice não perturba e deixa trabalhar.

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janeiro 11, 2005

"Message from the Water"

A viagem que aqui ontem propus e divulguei tinha mesmo um propósito, ou melhor, uma justificação, ou muitas, talvez mais um estado de alma que venho sentindo de há uns dias a esta parte devido a várias ocorrências, a permanências da vida e à forma como são transaccionadas pelos meios de comunicação, blogosfera incluída.

São interrogações que mantenho sem me apoquentarem, mas que me aasaltam o consciente quando me confrontam com mundos de certezas, mundos de gente que sabe onde está o bem e o mal, gente de sentença breve e escorreita, gente da culinária com ingredientes e receitas para todos os males, maleitas ou inguiços, gente que sabe exactamente donde veio, quem é e para onde vai e sabe ainda para onde devemos ir todos!
Eu não sei, interrogo-me!
Interrogo-me sobre o que é vida, o que o fio do cientismo me diz sobre o que da matéria é vida e o que não é, sobre a inteligência, a cultura, a erudição e a sabedoria e em que medida contribuem para sermos melhores, interrogo-me por que morreram centenas de milhar de pessoas e dezenas de milhar de animais domésticos e em cativeiro e não apareceu um único cadáver, até ao momento, de qualquer espécie de animal selvagem, todos vivos e longe da orla marítima mesmo os que dela fazem seu natural habitat!
Interrogo-me, apenas, e recorro à viagem que nos proporciona "The Message from the Water" para, serenamente, recentrar-me na certeza das minhas interrogações.

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janeiro 10, 2005

Prenda para todos os que tenham 5 sentidos e certezas racionalmente inabaláveis

Clique na imagem deste cristal de água e faça esta viagem, com calma e paciência, para desfrutar plenamente até ao final. Aconselha-se especialmente aos que padecem de cientismo, positivismo, fundamentalismo, multi-culturalismo e ismos por aí adiante.

Publicado por ideias-soltas em 01:45 PM | Comentários (7)

dezembro 22, 2004

PAX ENSEMBLE

O "Pax Ensemble" realiza hoje, na Igreja do Carmo, em Beja, pelas 21:30h, um Concerto de Natal.
Depois de uns meses sem actividade saúdo o regresso deste septeto vocal de qualidade invulgar composto por Sofia Lemos, Paula Messias, Helena Almeida, Jaime Branco, Fernando Teixeira, António Coelho e José Miguel Fernandes.
A expectativa é grande prevendo-se um excelente concerto.

Publicado por ideias-soltas em 12:46 PM | Comentários (5)

dezembro 20, 2004

do S. Carlos, da penúria musical e da ditadura da estupidez

É sobre o que o Henrique, inspiradíssimo, com inteligência e acuidade escreve neste seu desassombrado texto!
Não resisto a uma breve transcrição:
«Um país de broncos que fazem gala da sua estupidez e ignorância e odeiam quem é diferente. Os broncos que ocupam os ministérios, que gerem as empresas, (...), os broncos que governam Portugal nesta ditadura disfarçada de democracia em que vivemos, a ditadura da estupidez.»

Publicado por ideias-soltas em 05:07 PM | Comentários (1)

novembro 29, 2004

Associação Guilhermina Suggia

A propósito da formação da Associação Guilhermina Suggia da qual aqui dei nota, deixo um link para o "Projecto de Estatutos" que o Virgílio Marques propõe aos aderentes. É evidente que esta Associação precisa de associados e para aderir basta contactar o blogue Guilhermina Suggia.

Publicado por ideias-soltas em 10:25 PM | Comentários (0)

novembro 19, 2004

Mísia - mais uma distinção

Mísia recebe hoje a "Medalha Vermelha", distinção que a Câmara de Paris endereça aos artistas de maior relevo. Para Mísia poderiria ser mais um, embora diga que o receberá com alegria.
Não compreendemos o alcance das palavras de Ana Canavarro Pedro no Público onde diz à laia de introdução à notícia:
«Com aquele dom tão dos franceses para se apropriarem dos artistas de outras bandas que têm a virtude de lhes agradar (...)»
Está bem, lemos, mas eu preferiria ter lido: "Com aquele dom tão raro em Portugal de acarinhar os artistas que temos e acolhemos (...)"

Publicado por ideias-soltas em 12:00 PM | Comentários (2)

novembro 08, 2004

Associação Guilhermina Suggia


Virgílio Marques, um melómano dos sete costados e um "doido" por Guilhermina Suggia iniciou um blogue, exactamente com o nome da maior violoncelista portuguesa de todos os tempos e uma das maiores a nível mundial, onde ousou, por seu próprio punho, fazer o que as Instituições do Estado nunca fizeram - dar a conhecer quem foi a insígne violoncelista e preservar a sua arte e memória.
Não satisfeito, dá agora a cara (e o corpo, de certeza) pela criação da Associação Guilhermina Suggia, à qual tenho orgulho de ter sido aceite como associado e que com muita honra aqui faço questão de divulgar na íntegra o texto daqui retirado:

«ASSOCIAÇÃO GUILHERMINA SUGGIA

Com o objectivo de divulgar o espólio, a arte e a memória de GUILHERMINA SUGGIA, e por sugestão da poetisa Inês Lourenço, está em fase de criação a ASSOCIAÇÂO GUILHERMINA SUGGIA.
Trata-se, evidentemente, de uma associação sem fins lucrativos, a cujo projecto já deram o seu acordo muitas pessoas. Pedimos desculpa de não referirmos todas, aqui, mas seria cansativo provavelmente. Deixamos apenas os nomes de algumas, apelando de novo a todos os que queiram aderir, que se manifestem quer comentando este "post" quer através do endereço electrónico do blog.
Todas as pessoas que queiram lutar pelo cumprimento do objectivo da associação serão bem recebidas.

Eis alguns nomes de pessoas que deram a sua anuência ao projecto:
Judite Lima, Jorge Rodrigues, João Almeida e Inês Forjaz, Isabel Millet (filha), Inês Lourenço, Fátima Pombo, Mário Cláudio, António Alçada Baptista, Teolinda Gersão, Eduardo Prado Coelho, Maria João Avillez, Maria do Rosário Carneiro, Sérgio de Azevedo, Ana Maria de Almeida Martins, António Lagarto, Manuel Dias da Fonseca, Ana Isabel Trigo de Morais, Guilherme d'Oliveira Martins, Jorge Oliveira, Ruben de Carvalho, José Pacheco Pereira, Manuela Magno, Maria João Bacelar Cerqueira, Joana Millet Barradas, Maria Luisa Sá Carneiro, Maria Helena Pina, Duarte Lima, Helder de Macedo Sampaio, Francisco Louçã, Daniel Proença de Carvalho, José Saramago, Júlio Machado Vaz, Vital Moreira, Elisa Lamas, Jorge Sá Machado, Miguel Sobral Cid, Filipe Mesquita de Oliveira, António Pinho Vargas, Manuel Ivo Cruz, Ana Mafalda de Castro, José Carlos Araújo, Elvira Ferreira, José Manuel Araújo, Alexandre Delgado, violoncelistas Henrique Fernandes, Paulo Gaio Lima, Irene Lima, Maria José Falcão, Luís Sá Pessoa, Isabel Delerue, Gisela Neves, Miguel Ivo Cruz, Bruno Cardoso, Teresa Valente Pereira, Filipe Quaresma, Bruno Borralhinho e Hugo Fernandes. Nella Maissa, Maria Fernanda Wandschneider, Sofia Lourenço, António Rosado, Bárbara Dória, Fausto Neves, Miguel Henriques, Dina Resende,António Toscano, Picky Resende, Joana Torres Levy, Pimentel Fonseca, Jorge Vaz de Carvalho, Miguel Lobo Antunes,Carlos Alberto de Passos, Rui Fernandes, Paula Pestana, Luís Cunha, César Viana, Vasco Broco, António Vitorino de Almeida, Carlos Azevedo, Sales Martins, Vitor António, António Varela, Christian Bayon, Adriano Aguiar, Alberto Gaio Lima, Leonor de Sousa Prado. Isabel Cerqueira Millet, Madalena Sá e Costa e Maria Beires (discípulas de Guilhermina Suggia), Círculo Portuense de Ópera, Sociedade Portuguesa de Autores, Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras. Sindicato dos Músicos, Carlos A Alves, Henrique Silveira, Luis Filipe Vieira, Rogério Santos, Vistalegre»

Publicado por ideias-soltas em 12:11 PM | Comentários (3)

novembro 05, 2004

O Garrote à Cultura aperta-se

Poderá ser abusivo embora não possa deixar de nos inquietar sentir uma ligação entre o que se está a passar na Casa da Música e no Centro Cultural de Belém.
Já por estas ideias falei bastante sobre a Casa da Música e, por tal, apenas deixo, seguindo o exemplo do Henrique Silveira, um link para o Jornal de Notícias de hoje com o título 'Programação do CCB em risco'.

Perante este garrote que já asfixia, caros alentejanos, que futuro poderemos almejar para o Pax Julia? É que se continuarem a fiar-se numa programação baseada nas itinerâncias do Ministério da Cultura, dá-me cá ideia de que este governo as vai mandar itinerar para o Saara!

Publicado por ideias-soltas em 03:05 PM | Comentários (0)

novembro 04, 2004

Erramos e quando assim é...

impõe-se, no mínimo, a reposição da verdade.
A 31 de Outubro escrevemos aqui uma quase elegia a Manuel Alves Monteito, ex-administrador da Casa da Música, sob o título "Rui Rio - ou eu ou o caos" ou "Casa da Música um nado-morto" e, volvidos escassos 5 dias, sou obrigado a dar o dito por não dito, mas, a força dos factos a tal nos obriga, factos publicados hoje no Jornal de Notícias, aqui e aqui.

Transcrevemos parcialmente:
1)
«O estudo realizado por Alves Monteiro (o anterior presidente do Conselho de Administração da Casa da Música, que se demitiu no final de Setembro) foi determinante para que a ministra da Cultura, Maria João Bustorff, se decidisse pela escolha de fundação como modelo de gestão a adoptar na obra-símbolo do Porto 2001. Este será o principal argumento que utilizará amanhã, no Parlamento, durante uma audição na Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura - a sua "estreia" no hemiciclo desde de que tomou posse.
Ao que o JN apurou, e após meses de um "mini-tabu" (Alves Monteiro havia apresentado a sua proposta em Março), o Governo terá optado pelo modelo de fundação porque concluiu que apenas dessa forma poderia assegurar-se a rentabilidade financeira da Casa da Música. Paralelamente, trata-se de uma alternativa que permite desafogar a participação monetária do Estado e abrir caminho ao investimento por parte dos privados
.
(...)
Maria João Bustorff (que responde aos partidos após um requerimento do PS) vai ainda assegurar a inauguração da Casa da Música para 14 de Abril do próximo ano e garantir que o Governo investirá 12,5 milhões de euros na instituição no ano em que finalmente abrirá as portas. As verbas vão suportar as despesas de funcionamento e a programação.»

2)
«A Casa da Música, no Porto, foi eleita para a direcção da Réseau Varése - Rede Europeia para a Criação e Difusão Musicais, que integra 17 instituições culturais de 11 países.
Em causa, está o "reconhecimento do prestígio e notoriedade que a instituição já assumiu no plano nacional e internacional", sublinhou, em comunicado, a Casa da Música, confirmando a decisão tomada no passado dia 23, na Assembleia Geral da organização, realizada em Budapeste, na Hungria.
»

Como vêem errei, errei por defeito, Manuel Alves Monteiro para além de ter posto a casa em ordem, para além de ter sido o único a apurar o real investimento na construção da Casa da Música, para além de ter estipulado um prazo real para a conclusão das obras e respectiva inauguração, para além de ter sido o único que pediu uma auditoria ao Tribunal de Contas sobre todas as administrações que foram passeando pela Casa da Música, (incluíndo a sua), para além de ter contratado um director artístico de créditos firmados, para além de o ter incumbido de apresentar a programação para os primeiros 2 anos de actividade, para além de ter auferido o astronómico vencimento de quase 11.000 euros mensais, ainda vemos que, apesar de Rui Rio e a actual titular do Ministério da Cultura terem adiado para além do limite estipulado pelo Tribunal de Contas, será o modelo estudado e defendido por Alves Monteiro em Março que irá ser apresentado pela Sra. Ministra (porque ninguém conseguiu fazer melhor, é evidente) e (ele há coincidências "coincidiosas", a sua proposta para que a Casa da Música fosse eleita para a "Réseau Varése - Rede Europeia para a Criação e Difusão Musicais" foi aprovada.

Ora, meus senhores, um gestor que faz o que Alves Monteiro fez em 8 meses (oito) não é aceitável em Portugal. Não podemos permitir que gestores que assim trabalham invertam os nossos tradicionais índices de produtividade.
Alves Monteiro, afinal puseram-te a andar porque tu não és de cá! Não estamos para aturar gente que provoque instablidade no sistema! Daí o meu erro
!

Mudando de assunto, para falar de outra vergonha na cultura, o caso do Centro Cultural de Belém, deixo um link para o Henrique Silveira que já tratou o assunto, mas também uma questão que me apoquenta: Casa da Música e CCB serão casos pontuais ou será mesmo a imposição de uma política mais geral de um mais apertado garrote à Cultura em Portugal?

Publicado por ideias-soltas em 09:25 PM | Comentários (1)

outubro 31, 2004

Rui Rio - ou eu ou o caos

ou

Casa da Música um nado-morto

Os folhetins da Casa da Música vão-se sucedendo sem parança desde a chegada de Rui Rio à Câmara Municipal do Porto. Ou antes ainda, aquando da sua campanha eleitoral cujo marketing montado tratou de diarimante denegrir a imagem daquele projecto, per si, ou enquadrado na "Porto 2001".
Certo é que mal chega ao poder Rui Rio consegue afastar a administração de Pedro Burmester que em muito, tempo e dinheiro, inflacionou o projectado, nomeando uma administração com 2 comparsas e, claro, Pedro Burmester pois não tinha à época arcaboiço para o afastar definitivamente.
Pouco tempo decorrido Pedro Burmester vem para os jornais dizer que batia com a porta porque aquela administração queria aumentar a volumetria do espaço administrativo em prejuízo dos camarins, esquecendo-se que o inicial projecto, o de sua lavra, se tinha também esquecido de alguns pormenores, como sejam um fosso de orquestra e locais adequados para arrecadação de equipamente cénico.
Rui Rio sai em defesa da sua administração e desanca Pedro Burmester na praça pública, i.e., o ódio contido vem para a praça pública, não o andamento do projecto, as causas dos sucessivos adiamentos, o disparar do investimento, não a falta de profissionalismo de quem projectou, apenas e tão-só o veneno particular e pessoal.
Entra em cena sem por dele se dar conta o tal Ministro do qual se habituaram a dizer mal, por discreto, Pedro Roseta, tomando a decisão mais sensata - nomeia um administrador com esperiência mais do que comprovada de seriedade e competência, Manuel Alves Monteiro.
Na "mouche", nem Rui Rio nem Pedro Burmester puderam inviabilizar o nome, mas Rui Rio consegue ainda impor o seu veto ao nome de Pedro Burmester para o Conselho de Administração.
Alves Monteiro, que só aceitou a incumbência com o pressuposto de não aceitar pressões externas, chama Pedro Burmester para seu acessor directo e pessoal, na sua única dependência e deita mãos ao trabalho:
1 - estudar um modelo de gestão que assegurasse o regular financiamento da Casa da Música;
2 - fazer um ponto de situação sobre o cumprimento do projectado - atraso, desvios e investimento necessário;
3 - anunciar uma data credível para a abertura da Casa da Música;
4 - tratar da programação para os dois primeiros anos de funcionamento
5 - pedir auditorias ao Tribunal de Contas sobre todas as administrações, incluíndo a sua, que passaram pela Casa da Música.
Há pessoas, mesmo com cargos de gestão da coisa pública, que não entendem que a melhor forma de gerir é de mão dada com a entidade reguladora e competente que assegure conhecer, por um lado, o ponto de situação de cada momento e, por outro, os desvios de que o proprio possa incorrer sem disso se aperceber.
Foi o caso de Rui Rio que se sentiu despeitado por ser pedida auditoria à administração dos seus meninos.

É curioso que Rui Rio condenou na praça pública a "Porto 2001" e a administração de Pedro Burmester sem nunca recorrer ou esperar pelos resultados de audotorias do Tribunal de Contas.
Mais curioso foi o inesperado anúncio, após conhecer o pedido das auditorias, de que a Câmara não daria nem mais um tostão para a Casa da Música.concomitantemente Rui Rio sensibiliza o PSD para não viabilizar de imediato as soluções apresentadas na Assembleia da República por Alves Monteiro, levando-o (supomos nós) à sua demissão, soluções que, por acaso, "hélas", correspondiam na íntegra às exigidas no Relatório Final do Tribunal de Contas e que ainda se mantêm! Ou seja, mantêm-se até ao final do dia de hoje. A partir de hoje, precisamente às 00:00h de amanhã a Casa da Música encontrar-se-á novamente em incumprimento legal sobre o modelo de financiamento e a forma institucional a adoptar!!!
Hilariante, Alves Monteiro em 8 meses reorganizou todo o projecto, calendariazou-o ao mínimo detalhe, apresentou a solução para modelo de gestão institucional mais adequado e agora, a nova admonistração, novamente composta por meninos de mão do Dr. Rui Rio, nada disse até ao momento nem sequer apresentou o que Alves Monteiro deixou pronto.
É inacreditável que a Sra. Ministra da Cultura tenha adiado para 5 de Novembro pronunciar-se sobre tal assunto! Adiar porquê, se contas rigorosamente feitas, a anterior administração provou serem necessários 12,5 milhões de euros anuais para o orçamento da Casa da Música e no PIDDAC deste ano só lá vemos 4.676 milhões?
Isto é uma vergonha, a Casa da Música é um nado-morto porque o Sr. Presidente da Câmara do Porto assim o quer, ou seja, ou manda directa ou por interposta pessoa, ou boicota sistematicamente o projecto!
É pena, também, que Pedro Burmester não tenha compreendido o alcance das medidas de Alves Monteiro e que o tenha abandonado a meio do percurso só porque não foi o eleito para director-artístico. Pedro Burmester teria um papel muito mais importante a desenvolver se não não se tivesse deixado enredar na teia das politiquices ruianas. Pedro Burmester provou, assim espero, a si próprio, não ter experiência bastante para liderar um projecto desta envergadura e ficou-lhe muito mal vir mais uma vez para os jornais mal-dizer de Alves Monteiro, o único, afinal, que pôs a Casa em ordem e que, por isso mesmo, lhe tiraram o tapete.
É por tudo isto, talvez, que o director artístico da Casa da Música, Withworth-Jones, em entrevista ao Jornal de Notícias de ontem a propósito do aniversário do "Remix Ensemble":

« (...) Depende. Às vezes pode ser normal. Habitualmente, os programadores são revelados com mais antecedência. Mas Portugal é um país diferente, não é?
(...)

Tenho opinião sobre o modo como devem funcionar - e, concretamente, como funcionam -, as instituições culturais no Reino Unido. Mas não tenho conhecimento suficiente sobre o modo como funcionam aqui. Estou a começar a entender como funcionam as instituições culturais no vosso país (risos)
(...)
De qualquer maneira , o anterior presidente continuava a encorajar-me a programar, programar, programar - coisa que eu fiz. Infelizmente, ele saiu. E agora temos um novo presidente. E temos um novo ministro da cultura. E tudo mudou. E não posso dizer mais nada ...
(...)
Obviamente ele é uma figura inspiradora (Pedro Burmester). Sem ele a Casa da Música não estaria a acontecer.
(...)
A programação tem de ser séria - isto é uma instituição nacional, não é uma casa comercial»

Para bom entendor metade destas palavras chegariam. Chegariam para perceber que ou a Casa da Música será totalmente dominada por Rui Rio ou este prefere dar o nado como morto!
E, já agora, qual a razão do silêncio do Mandatário para a eleição de Rui Rio à Câmara do Porto sobre estes sucessivos abusos de poder - José Pacheco Pereira?

Publicado por ideias-soltas em 05:08 PM | Comentários (2)

outubro 08, 2004

Quando falo de Cultura

Não falo de programações ou de pacotes de concertos nem de iniciativas aos pacotes!
Quando falo de Cultura falo de uma visão concertada a médio e longo prazo, que promova a nossa identidade na diversidade deste mundo globalizado e que promova a região e os seus residentes.
É assim que gosto de lembrar o labor da Biblioteca de Beja, do Conservatório Regional do Baixo Alentejo, do Arte Pública e de inciativas como as Palavras Andarilhas, as Semanas Musicais, o Ensino Artístico Articulado desde o 1º ciclo e, dêem uma espreitadela aqui, no Museu de Mértola ao qual acaba de ser concedida a coordenação do "Discover Islamic Art", uma rede composta por cerca de 20 dos mais conceituados museus mundiais!
Este trabalho começou há 20 anos, construiu-se pedra a pedra, degrau a degrau, e é por isso mesmo que Mértola está na rota do turismo cultural internacional e Beja ainda não!
Não se confunda o despejar de iniciativas desgarradas, como são os projectos itinerantes, com a constituição de novos públicos e com a formação de identidades. Uma programação deve ser sempre a consequência de um projecto pensado e identificado com visão a longo termo.

Publicado por ideias-soltas em 11:25 AM | Comentários (1)

setembro 29, 2004

Orquestra do Baixo Alentejo

Há bem pouco tempo falou-se sobre a política cultural da Câmara de Beja sem obviamente se atingir um diálogo sereno e profícuo - há muita gente que desata logo ao insulto (ver os comentários ao post da Marta Mestre) obviamente porque não estará interessada em que se abane o "poiso"
Ora convém dizer que para além do que a Câmara elabora, há em Beja agentes privados capazes de envolver todo o Baixo Alentejo em projectos que relevo de preciosos para a região - refiro-me, mais uma vez, à excelência do Conservatório Regional do Baixo Alentejo.
Com efeito, o CRBA descentraliza as suas iniciativas promovendo as "Semanas da Música" em todos os concelhos seus associados que aderiram a esta iniciativa, compostas por 4 concertos e 2 sessões pedagógicas. Como se trata de um projecto descentralizador, Beja não será contemplada por esta iniciativa pois já beneficia há uns anos das "Jornadas Culturais de Outono". Baseado nestas premissas as "Semanas da Música" ocorrerão em Aljustrel, Alvito, Almodôvar, Barrancos, Castro Verde, Cuba, Ferreira do Alentejo, Mértola, Moura, Serpa, Sines, Odemira e Vidigueira.
Dos programas a apresentar saliento:
1- a aposta na música de câmara em detrimento de recitais a solo;
2- o facto dos agrupamentos serem constituídos por músicos que residem ou trabalham no Alentejo;
3 - a Orquestra do Baixo Alentejo.
Exactamente, Orquestra do Baixo Alentejo que já conta com mais de 200 actuações em 5 anos de existência e tem uma qualidade inesperada para uma instituição que não aufere qualquer subsídio permanente, estatal ou autárquico, para a sua existência. Este facto é tanto ou mais importante porquanto desde o tempo em que Luís Vieira Nery foi Secretário de Estado da Cultura que se determinou que a haver uma orquestra no Alentejo ela teria de ser sediada em Évora tendo sido atribuídas verbas para o efeito em detrimento de Beja,.
Ora Évora nunca conseguiu erguer uma orquestra com um mínio de qualidade ou progamação periódica nem tão pouco se sabe onde estarão as aludidas verbas, enquanto que Beja constituiu a sua, quefunciona, tem qualidade e auto-promove-se com o apoio do Conservatório Regional do Baixo Alentejo e de instituições públicas e privadas que financiam pontualmente as suas actuações como sejam o agora denominado Instituto das Artes, o Ministério da Cultura, o Governo Civil de Beja, a Delta Cafés, o Correio da Manhã, a RTP, a Rádio Voz da Planície e o Diário do Alentejo, no presente caso das "Semanas da Música".
Ao que ouvi dizer, o anterior Ministro da Cultura teria já adiantado que iria avançar com o apoio a uma orquestra para o Alentejo sediada em Beja, tendo para tal contribuído em muito o empenho do Governador Civil de Beja. Ora, mudaram os governantes (não o governo, ao que parece) e corremos o risco de regressar à estaca zero.
Esperemos que não e esperemos que quando se falar de cultura no Baixo Alentejo não se fale só do que as Câmaras fazem, mas também do que permitem ou não que agentes, promotores e programadores independentes possam fazer. É que será tanto ou mais grave o que não permitem que a sociedade civil realize do que o que elas, per si, não farão!

Publicado por ideias-soltas em 03:42 PM | Comentários (1)

setembro 13, 2004

Sobre o Festival "Planície Mediterrânica"

Infelizmente só pude assistir à actuação do José Peixoto e Filipa Pais que se apresentaram ao vivo pela primeira vez com o espectáculo decorrente do recente lançamento de "Estrela".
Comentários sobre o Festival com imagens podem ser vistos no Francisco, abstendo-me, por tal, a mais dizer. Vale a pena dar lá uma espreitadela.
Uma nota final para o Paulo Nascimento, vereador da cultura de Castro Verde. É mais um dos muitos exemplos do que este vereador com orçamento reduzido consegue pela cultura fazer!
Ah, porque será que haverá tantas Câmaras a inventar e a gastar mal gasto sem a mínima preocupação de promoverem o que é seu? Já não acredito que seja apenas desconhecimento!

Publicado por ideias-soltas em 11:13 AM | Comentários (0)

setembro 07, 2004

"ESTRELA"

JOSÉ PEIXOTO e FILIPA PAIS


«Este CD nasce do cruzamento de duas vontades e de um prazer comum.
Há mais de uma década que em cada encontro ocasional com a Filipa Pais sobrava sempre o desejo de fazermos algo em conjunto. No princípio deste ano deu-se a ocasião. Tinha em mãos um leque de canções de matriz popular que por uma razão qualquer tinham a “cara” da Filipa. Estavam impregnadas de sensualidade e de perfume mediterrânico. Falei-lhe nisso e tive dela uma adesão e uma sintonia imediatas. Daí ao convite ao João Monge foi um pequeno passo. O João aceitou dar o seu contributo e aceitou também uma corrida contra o tempo. O prazer da construção alargou-se, triangulando. É visível no casamento perfeito das suas palavras com a música e com o canto da Filipa.
À medida que as canções se iam completando com as palavras, escolhemos a moldura humana com que queríamos vestir musicalmente essas mesmas canções. Convidei o Mário Delgado (gt) o Yuri Daniel (ctb) e o Quiné (perc). Todos aceitaram o convite e com total liberdade de movimentos, salvo algumas sugestões ocasionais da minha parte, construíram com o seu rico vocabulário e personalidades distintas o resto do edifício que faltava. A motivação e o prazer instalaram-se. A eles se deve em grande parte a qualidade do trabalho final. O universo é o da música popular. A raiz mediterrânica. A expressão é universal. As soluções encontradas tiveram como único limite a optimização de cada canção. A escolha dos músicos revelou-se acertada e gratificante.
Resta-me uma palavra à atenção, competência, criatividade e musicalidade do Mário Barreiros que contribuiu decisivamente para a boa canalização da energia colectiva desenvolvida na semana de gravação que tivemos.
»

José Peixoto

Este CD será lançado amanhã na FNAC do Chiado e o primeiro espectáculo ocorrerá em Castro Verde no próximo dia 12, Domingo, pelas 22 horas, no Cine-Teatro, inserido no XII Festival Sete Sóis Sete Luas.
Os músicos serão os mesmos que gravaram o CD, Mário Delgado, Yuri Daniel e Quiné.

Todos a Castro no próximo Domingo

Publicado por ideias-soltas em 03:51 PM | Comentários (3)

julho 26, 2004

Carlos Paredes - testemunho (II)

De um amigo recebo um email sobre o seu testemunho de Carlos Paredes que transcrevo na íntegra.

«Estou ainda em Inglaterra só por mais alguns dias. Como sempre fiz enquanto cá estive fui acompanhando via net o possivel sobre Portugal. A morte de Carlos Paredes foi sem dúvida das facadas que mais doeu. É uma ferida antiga que tenho desde os doze anos, já lá vão 29.
Conheci o Carlos Paredes pela guitarra dele num velho gira-discos de uma amiga e foi como quando ouvi o Pollini a primeira vez a tocar os estudos de Chopin. O que é isto? Foi um verão inteiro a ouvir o mesmo disco, até à exaustao, de uma forma muito doentia como faco sempre que algo de genial me tira do sério.
Depois disso foi andar à procura dele e tentar perceber onde se escondia. Nunca me entrou na cabeca como era possivel Portugal passar ao lado do maior dos maiores compositores e instrumentistas que tivémos. Que temos. Vim um dia a saber que ele trabalhava num arquivo de um Hospital de Lisboa.
A fazer o quê?
Até que o conheci num daqueles acasos, raros, que acontecem na vida. Fui convidado para ajudar o Quico a fazer o som de um concerto dele ao vivo no Carlos Alberto. Foi das experiências de que nunca vou esquecer. Ele passou a tarde a tocar e eu a tremer. Qual mago qualquer nota que lhe saía da guitarra era um grito, um lamento, uma alegria, um abismo. Era absolutamente insuportável. Depois no concerto além do musico, fiz a viagem do Homem, do Pedagogo, daquele saber simples e profundo que me colou à cadeira durante quase 3 horas, numa sala repleta de gente absolutamente atónita. Ele tocou o pai, o tio, tocou-se a ele, improvisou sobre quadros e slides e atirou às urtigas todas as minhas ideias sobre a genialidade. Aquilo era outra coisa, algo tão proximo, tão profundo que ainda hoje não consigo explicar.
E Portugal? Não o ouviu? Não o viu? Um país a precisar tanto mas tanto de algo como ele não o abraçou enquanto pode tocar?
Porquê?
Nunca irei descobrir a resposta. Mas a ferida continua aberta.
Um dia, quando fui tocar a Macau com os Ban, estava numa esplanada e ouvi uma voz chamar o meu nome. Virei-me e era ele, a chamar-me, só para me cumprimentar. Fiquei a gaguejar. Lembrava-se de mim 6 anos depois.
Era de facto alguem especial.
Fico com a música dele para sempre e com a eterna vergonha do Portugal que teima em não ouvir, não ver, nao querer saber de nada que envergonhe a mediocridade instalada!
Nunca vou esquecer aquela figura a fugir das luzes do palco com o público em pé a gritar bravos.

Um abraco

Ricardo Serrano»

Publicado por ideias-soltas em 10:53 AM | Comentários (1)

julho 21, 2004

Pedro Jóia em Monsaraz

Inserido na iniciativa "Museu Aberto" em Monsaraz, que decorre de 17 a 25 de Julho


Pedro Jóia

apresenta-se amanhã, pelas 22 horas, acompanhado por Denys Stetsenko em violino, Lucio Studer em violeta, Marco Pereira no violoncelo e Vicky na percussão.
Pela qualidade de todos os músicos presentes trata-se de um concerto a não perder.

Publicado por ideias-soltas em 12:23 PM | Comentários (2)

julho 20, 2004

Inquisição em Congresso

De 20 a 22 de Outubro realizar-se-á na Reitoria da Universidade de Lisboa um Congresso Internacional sob o tema INQUISIÇÃO PORTUGUESA: TEMPO, RAZÃO E CIRCUNSTÂNCIA.
A organização é do Instituto S. Tomás de Aquino, do Centro de História da Faculdade de Letras de Lisboa e do Centro de Estudos de Cultura Brasil Europa.
Para mais informações, ver site específico.
O interesse deste Congresso está para mim assegurado pela qualidade dos conferencistas e, em especial, por entre esses investigadores encontrarmos judeus e seus descendentes e dominicanos, os quais promovem a organizam o evento.
A ver se é desta vez que se avança, de forma independente, sobre o estudo deste período negro da nossa história bem como a da Igreja Católica.

Publicado por ideias-soltas em 11:15 AM | Comentários (0)

julho 19, 2004

Estreia de “... von fremden ländler...” de António Pinho Vargas

No próximo dia 22 de Julho pelas 21:30h, no Teatro Gil Vicente, estreia "...von Fremden Ländler...", uma obra para piano e orquestra encomendada pelo Festival Internacional de Música de Coimbra a António Pinho Vargas, interpretada pela Orquestra Gulbenkian, dirigida por Yu Feng com Anna Kaasa ao piano.
E assim vai andando a nossa música, alheia às nossas distraccões mais mediáticas.

Publicado por ideias-soltas em 12:13 PM | Comentários (0)

julho 05, 2004

Sem Título


Obrigado, Sophia.

Publicado por ideias-soltas em 03:49 PM | Comentários (0)

junho 07, 2004

Mariza e Sting - 2 quadras que fazem diferença!

Conforme foi noticiado, aqui, por exemplo, no Público, Mariza gravou e cantou com Sting "A Thousand Years". Nada de especial, juntar dois artistas, ponto.
Mas o que está por detrás é que é digno de nota. Duas quadras, precisamente, o espaço que Sting cedeu a Mariza, em inglês. Mariza não esteve pelos ajustes e disse que sim, mas em português, que não sabe cantar noutra língua, argumentou!
A EMI ficou virada do avesso! O Sting não vai aceitar..., quem vai traduzir aquelas quadras? A música vai ficar completamente diferente. Letristas da casa, ao trabalho!

Nada, não saía nada que jeito tivesse, uma tradução que não desvirtuasse a canção original. E a Mariza na sua!
E se falassem ao Paulo, lembrou o Rui Veloso. Ao Paulo é claro, disse a Mariza. Quem é o Paulo, pergunta a EMI? Ó pá, é um gajo do ca****, vive para para os lados de Beja. Foi o que fez a letra da "Feira de Castro" que está no "Fado Curvo". O gajo da "Feira de Castro"? Tens o telefone dele?

"Tou, Paulo, fala da EMI. O Rui deu-nos o seu contacto para fazer............"
"Eu? Eu faço umas letritas de quando em vez, mas traduzir, ficar musical, nunca experimentei, não sou profissional!
"Sem compromisso, a gente manda e o Paulo diga-nos se conseguir alguma coisa"


"Estes gajos são doidos. Com tantos profissionais desta merda e vêem pedir-me uma coisa destas! Tou arrumado! Não vou conseguir e nunca mais aceitarão uma letra minha. Tou fodido!"
(...)
"Tou, é o Paulo..."
"Já mandamos a letra, deve estar a recebê-la..."
"Já recebi, obrigado. Era só para dizer se vocês querem tomar nota do que saiu..., não sei se vai dar, foi o que saiu"
"Ora diga"
(...)
"Ó pá, não sei, vamos mandar ao Sting a ver o que ele diz"
"Perguntem primeiro à Mariza e, se calhar, se enviassem uma gravação talvez o Sting pudesse avaliar melhor"!

O Sting avaliou, a Mariza cantou e os dois gravaram no estúdio do Rui Veloso.
Quem é o Paulo? Assina Paulo Abreu de Lima e entre outras coisas trabalha numa tabacaria aqui em Beja!
Ah, só mais uma coisitia. É das pessoas mais boas e limpas que conheço. Diz que um dia destes é capaz de ir registar as suas letras...
Paulo Abreu de Lima, há pessoas que valem a pena!
Um grande abraço, Paulo, só por seres!

Publicado por ideias-soltas em 04:36 PM | Comentários (4)

maio 31, 2004

«Semana da Música do sec. XX»

O Conservatório Regional do Baixo Alentejo (CRBA) promove de 31 de Maio a 4 de Junho a «Semana da Música do Sec. XX» na sua sede na Praça de República, em Beja. O programa é variado numa conjugação de esforços entre professores e alunos, não descura os compositores portugueses, representando um grande esforço de divulgação junto da comunidade em que está inserido e a quem se dirige esta iniciativa, o Baixo Alentejo.
Aqui deixo o programa, lamentando não ter conseguido, até ao momento, a informação das obras que professores e alunos executarão:

31 de Maio:
9h00 Horas - Inauguração da Exposição Temática - Átrio da Entrada do Conservatório que estará patente durante todo o evento havendo sempre um professor para acolher e apresentar a referida exposição.
Manhã - Visitas das Escolas do 1º e 2º ciclos da cidade de Beja à exposição e Workshops de danças do Século XX (rock, twist, salsa, etc.) - Mini Auditório do Conservatório.
Noite - 21h30 Horas - Concerto de Professores - Mini Auditório do Conservatório (Saxofone + Piano; Duo de Clarinetes; Trio de Metais + Piano e Piano + Violino)

1 de Junho:
Manhã - Visitas das Escolas 1º e 2º ciclos da cidade de Beja à exposição e Workshops de danças do Século XX (rock, twist, salsa, etc.) - Mini Auditório do Conservatório.
Noite - 21.30 Horas - Audição de alunos - Mini Auditório do Conservatório.

2 de Junho:
Manhã (10.00 às 11.00; 11.30 às 12.30) - Workshops de danças do Século XX (rock, twist, salsa, etc.) para as Escolas do 1º e 2º ciclos da cidade de Beja - Auditório da Casa da Cultura de Beja.
Tarde (14.30 às 15.30; 16.00 às 17.00) - Workshops de danças do Século XX (rock, twist, salsa, etc.) para as Escolas do 1º e 2º ciclos da cidade de Beja - Auditório da Casa da Cultura de Beja.
18.30 Horas - Apresentação de coreografias sobre as danças do Século XX, com alunos do Conservatório - Auditório da Casa da Cultura de Beja.
19.30 Horas - Seminário: "A emancipação da dissonância e a dissolução do tonalismo" - Mini Auditório do Conservatório.
Noite - 21.30 Horas - Concerto de Professores - Mini Auditório do Conservatório(Tuba; Viola Dedilhada; Violoncelo + Piano).

3 de Junho:
Manhã - Visitas das Escolas do 1º e 2º ciclos da cidade de Beja à exposição e Workshops de danças do Século XX (rock, twist, salsa, etc.) - Mini Auditório do Conservatório.
Tarde - 19.00 Horas - Seminário: "Prélude à l'aprés midi dune faune" de C. Debussy - Mini Auditório do Conservatório.
Noite - 21.30 Horas - Concerto de Professores - Igreja da Sé de Beja. (Órgão a Solo; Órgão + Flauta Transversal; Órgão + Saxofone; Viola Dedilhada.)

4 de Junho:
Manhã - Visitas das Escolas do 1º e 2º ciclos da cidade de Beja à exposição e Workshops de danças do Século XX (rock, twist, salsa, etc.) - Mini Auditório do Conservatório.
Tarde - 20.00 Horas - Audição de alunos - Mini Auditório do Conservatório.

Assim, "valapena"!

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maio 28, 2004

«Judas (secundum Lucam, Joannem, Matthaeum et Marcum)»

Na Gulbenkian, grande auditório, pôde-se ouvir ontem com repetição hoje, pelas 19 horas, a oratória ‘Judas’, para coro e prquestra, de António Pinho Vargas, obra encomendada pela Academia de Música de Viana do Castelo e estreada nessa cidade a 29 de Setembro de 2002.

ficha técnica:

CORO GULBENKIAN
CORO DE CÂMARA INFANTIL DA ACADEMIA DE MÚSICA DE SANTA CECÍLIA
ORQUESTRA GULBENKIAN
FERNANDO ELDORO (maestro)
DANIEL NORMAN (tenor)
NICHOLAS MCNAIR(piano)
ANNE KAASA (piano)
RUI PAIVA (órgão)

Reproduzo uma crítica de Fernando C. Lapa aquando da estreia desta obra, retirada do site de António Pinho Vargas.

«Organizado pela Academia de Música de Viana do Castelo, está em curso um invulgar ciclo dedicado à música sacra. Numa cidade onde a música contemporânea não é novidade (…), assinale-se a modernidade do programa apresentado pelo Coro e Orquestra Gulbenkian no concerto inaugural, com destaque para a estreia de "Judas Secundum Lucam, Joannem, Matheum et Marcum", de Pinho Vargas. Comecemos por aqui.
A partir de excertos dos quatro evangelistas, onde em poucas palavras se sintetiza a história da traição de Judas, Pinho Vargas construiu uma obra de um invulgar dramatismo. A força e eficácia da peça assentam numa escrita de grande profissionalismo, plural e aberta, sem complexos de escola. Os recursos são vastos: texturas corais e orquestrais de grande variedade e riqueza; ritmos obsessivos, cruzando o regular e o irregular; papel significativo da percussão, quase sempre incisivo e tenso; poder dramático dos graves, quer sejam sopros, cordas ou vozes.
O clima atormentado que percorre toda a obra tem poucos momentos de distensão. Um deles acontece no diálogo de Jesus com os discípulos (... "um de vós me entregará"), expresso em malhas vocais de rara felicidade, num efeito de pergunta-resposta deveras eficaz, já que protagonizado pela separação das vozes femininas e masculinas do coro, colocadas nas capelas laterais da igreja. Os outros correspondem à escrita para as palavras de Jesus, essas, sim, num registo mais sereno e despojado.
Face à constante tensão que enforma a obra, o expressivo desenho musical de "se suspendit" (enforcou-se) ganha inusitado realce, por contraste, colocando a "Paixão" de Judas no centro do drama. Numa escrita desinibida, rondando contextos tonais, ouvimos então algo que bem se aproxima dos célebres "lamentos" que a História da Música guarda como momentos da mais alta expressividade.
Em jeito de nota à margem, para uma discussão que não cabe aqui, ficam-nos duas questões: até onde vai o conceito de música sacra? Entre a pequena "paixão" de Judas e a grande "Paixão Segundo S. Mateus", porquê escolher Judas? (Responde Pinho Vargas: "E porque não?")
»


FERNANDO C. LAPA

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maio 26, 2004

Antena 2 - um fiasco estratégico

Em outubro do ano passado a Direcção da Antena 2 inaugurou uma nova "filosofia" de rádio cultural, tentando atingir uma audiência mais jovem. O Director dizia, aqui:

«É intenção da actual Administração da RDP dar um passo, se possível maior, para que se juntem outros ouvintes, sobretudo jovens (...)»

Este lema " a moda dos jovens", transfigurou por completo a Antena 2 que conhecíamos, composta por um auditório escasso, é certo, mas fiel, que assegurava que a estação apresentasse um ratio de tempo de audiência por ouvinte dos mais elevados, apresentando agora programas feitos por jovens sem qualquer qualificação radiofónica (parecendo mesmo um circo de mentecaptos, por exemplo o programa "Que Música é Esta"), a par de um abuso de música aleigeirada, "musichalls", Jazz a toda e hora e de qualquer maneira, zarzuelas, enfim de tudo passa na Antena 2, sem critério que se vislumbre. Tudo parece valer. Quando sintonizamos a A2 ficamos durante muito tempo em dúvida se será mesmo aquela estação!

As críticas não se fizeram esperar, de todos os quadrantes políticos e ideológicos cuja única preocupação era a qualidade perdida e a ausência de uma estratégia que augurasse que o auditório iria rejuvenescer. De facto, os jovens não são desprovidos de inteligência e não é pelo aligeirar da oferta que os poderemos captar. Bem pelo contrário, os jovens são muito mais irreverentes na exigência de qualidade. Não se captam jovens para a música clássica oferecendo-lhes banalidades e mesclas de clássico com ligeiro, ou "americanices" da Broadway. Os jovens que poderão sintonizar a Antena 2 são precisamente aqueles que de alguma forma estão familiarizados com ela (via família ou via ensino vocacional) e que procuram qualidade e não abastardamentos.
É preciso dizer que, apesar desta evidência, a Antena 2 mantém programas de qualidade, mas não são já os que a definem ou orientam.
Os resultados?
Estão agora à vista no final do 1º trimestre:


1 - envelhecimento da audiência - 50,2% têm mais de 55 anos e 59,5% mais de 45 (ver aqui);
2 - perda de jovens ouvintes - dos 15 aos 24 anos apenas 6,9%, enquanto dos 15 aos 17, 0% (ver aqui);
3 - auditório elitista com fuga de estudantes: 71,7% são quadros médios e superiores, não activos e domésticos enquanto estudantes se quedam pelos 8,8% (ver aqui);
4 - regressão da penetração territorial - 71,4% da audiência é de Lisboa e do Porto, contrariamente à equidade da audiência da Antena 1 e da Antena 3, ou a do mapa regional geral de audiências (ver aqui e aqui).

Em conclusão, o que o estudo da Obercom demonstra é a negação de todos os objectivos a que a Direcção da Antena 2 se propôs com a agravante do pronunciado decréscimo da qualidade que esta estação habituou o seu auditório já desde os tempos da "Emissora Nacional" do Antigo Regime. Isto é tanto mais grave porquanto a Antena 2 é dominante no tempo médio de audiência, 3,01h, suplantada apenas pelo RCP e pela RFM, o que demonstra o seu potencial no mercado publicitário e eventuais parcerias (ver aqui).

Não é preciso esperar. Esperar para quê? O desastre está comprovado e a demissão é o caminho de quem não consegue cumprir os objectivos nem tão-só manter o que existia.
Não é o objectivo que está errado - incrementar um auditório mais jovem! Errado está em perpetuar uma direcção que não tem "know-how" para o fazer, pois não é através de reduções drásticas da qualidade e cedências ao facilitismo cultural da programação que se atinge os jovens! É antes saindo dos estúdios e ir ao encontro deles!

«Outra Classe de Rádio» é o "slogan" e têm razão na outra classe, não é classificável, está descaracterizada e o seu responsável deve dar o lugar a quem saiba manter e desenvolver um tão precioso e único serviço público - a Antena 2 - a não ser que pretenda (exemplos não faltam, infelizmente) ser o seu próprio carrasco numa política de terra queimada.

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abril 26, 2004

Da Contemporaneidade e da Paranóia da "Criatividade"

Inspirado pelo post de Francisco José Viegas, sob o título «O Medo do Brilho» onde, com um discernecimento escorreito, aborda a questão da contemporaneidade dos clássicos, do seu brilho intrínseco, a propósito da crítica de Eduardo Prado Coelho à nova encenação de Ricardo Pais de "Hamlet", cuja leitura íntegral recomendo, dei comigo a pensar sobre as "novas" tendências dos grupos de teatro em Portugal.
É cada vez mais raro encontrarmos nos palcos portugueses as obras da dramaturgia clássica, aquelas que fizeram o teatro ser teatro ou, quando se representam estão envoltas numa nublosa encenação que tenta, através de artifícios tecnológicos e/ou técnicas de encenação anacrónicas, introduzir (penso eu?) traços contemporâneos que, a meu ver, mais não fazem que descontextualizar o «brilho do texto» (nas palavras de FJV) sem nada acrescentar de substancial.
Parece existir e fazer escola que ser contemporâneo obriga a uma "criatividade" deslumbrada onde os artifícios do cenicamente inesperado e, por vezes chocante, são objecto em si mesmo e não instrumentos à disposição do encenador para realçar a(s) mensagem(s) no texto contida. Ou seja, parece-me que os profissionais do teatro têm sido mais influenciados pela estética cinematográfica de matiz hollyhoodesca, onde o sucesso é medido pela quantidade de efeitos especiais, concepções laboratoriais e computurizadas do tratamento da imagem e do som, relegando para o domínio do desprezível o argumento e a rte de representação. Não é por acaso que o filme que mais óscares recebeu, incluindo o de melhor filme do ano transacto, não tenha conseguido nenhumas estatueta no que concerne ao argumento, actores principais ou secundários! Julgo mesmo ter sido a primeira vez que tal ocorreu na história dos premiados de Hollyhood. Ou seja, a estética da produção, em vez de se confinar ao seu primo objecto, o de realçar e contextualizar o texto, passou ela própria a ser o espectáculo, dispensando o texto e consequentemente a necessidade da sua efectiva representação.

Este movimento colocado à ideia de desconstrução e à tendência de contra-cultura pós-modernista poderá conseguir, a espaços, momentos de criatividade brilhantes, mas parece incapaz, por medo ou opção, de nos revelar o esplendor do texto dramatúrgico, da palavra, do verbo, do enredo.
São como preferem hoje designar-se profissionais de artes performativas em vez de grupos de teatro, o que se explica pela paranóia da busca patológica de uma criatividade a todo o preço que a maior parte das vezes nos surge feita de colagens sem nexo, ou muito pobres de conteúdo quando comparadas com os clássicos, onde os efeitos da sonoplastia e do multimedia ocupam o lugar central, numa estética que se afirma pelas sensações visuais e sonoras imediatas e perenes, não procurando despertar no público o interesse de uma teia argumentativo/figurativa de um texto.
Este movimento, que ainda faz escola em Portugal e parece querer permanecer ainda por uns tempos, está para o teatro como o experimentalismo de Pierre Henry, a "música concreta", esteve para a música clássica - um período meramente experimental que nada acrescentou, datado e enterrado como uma breve experiência, exactamente, afinal, o que se tinha proposto e até como o "Frre" para o Jazz. Marcaram uma época, profundamente é certo, mas nada acrescentaram ao já realizado nem deixaram escola.
O rigor pelo texto regressou à música dita erudita, mesmo à contemporânea, onde os compositores são mais exigentes na escrita e na representação da sua criação e no Jazz já desde Parker que não conhecíamos um movimento tão profundo de regresso às raízes com o intuito de busca da inspiração prima para se refundar, recriar, e reconstruir como manifestação cultural afro-americana.
Excluindo casos pontuais como o da Cornucópia, onde sabemos que pelas maõs de Luís Miguel Cintra a vivência do texto permanece no cerne do desenvolvimento criativo, parece que a generalidade dos grupos optou por uma paranóia criativista purgada da substância que substancia o próprio teatro.
Mas, o experimentalismo como objecto, à semelhança do que aconteceu nas demais artes, será breve e datado, ficando para a história exactamente enquanto tal - um movimento experimental breve e não consequente.

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abril 22, 2004

«Abre-se caminho, caminhando»

«As crises (...) educacionais e culturais fazem com que a cultura e a educação sejam cada vez mais ricas e plurais, que o «Bem» seja sempre uma constante busca que só parcialmente alcançamos, e uma vez alcançado nos deixe sempre insatisfeitos e, portanto, com a possibilidade de continuar procurando. «Malditas as educações que satisfazem». O satisfeito já não procura porque está saciado; quem já encontrou a verdade não necessita do diálogo, só pretende a imposição. «Pelo bem de todos» cometeram-se os mais terríveis crimes, ditaduras e dogmatismos ao longo da história. Somos firmes na procura de um permanente fazer-se. «Abre-se caminho, caminhando».

Enrique Gervilla em «Postmodernidad y Educación - valores y cultura de los jóvenes»

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«(...) é preciso criar campos de coexistência»

«Contra o ideólogo Samuel Huntington, prefiro a opinião de Edward Saïd. Samuel Huntington quer fazer das "civilizações" e das "identidades" aquilo que elas não são: a saber, entidades fechadas, seladas, expurgadas das miríades de correntes e de contra-correntes que percorrem e animam a história humana e que fizeram com que ao longo dos séculos a história ficasse repleta não só de guerras de religiões e de conquistas imperiais, como de trocas, de fertilizações cruzadas e de partilha. O paradigma de base: "Ocidente contra: tudo o resto (é a oposição da Guerra fria, reformulada) é o paradigma que vigora ainda depois do 11 de Setembro que o maniqueu Berlusconi brande para açular as paixões colectivas em nome do Bem contra o Mal, da Liberdade contra o medo, etc. É preciso repensar a guerra dos clichés e o poder das simplificações - a retórica utilizada pelos combatentes auto-proclamados da guerra do Ocidente (a América em particular) contra aqueles que os odeiam e ameaçam. É preciso desconstruir as expressões que veiculam a ortodoxia da globalização (mundialização) e que funcionam como falsos universais destinados a criar um unanimismo tácito: "o mercado", "privatização", "meios de governo", "o Ocidente", o "clash das civilizações", "os valores tradicionais", "identidade". É preciso mostrar aquilo que verdadeiramente nos deve ocupar: a interconexão de vidas inumeráveis, as "nossas" e as "suas". Em vez de criar campos de batalha, é preciso criar campos de coexistência.»

José Augusto Mourão - em "Caos Cultural da Mundilização"

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abril 21, 2004

António Pinho Vargas na RTP 2 no dia 25 de Abril

No próximo Domingo, dia 25 de Abril, na RTP 2, às 22.00 é exibido o documentário:


"António Pinho Vargas – notas de um compositor"
Realizado por Manuel Mozos e montado por Luís Correia em 2002
Produção de Culturgest, LxFilmes e RTP

com depoimentos de:

Augusto M. Seabra;
Miguel Henriques;
Luís Tinoco;
João Madureira.

participam:

Orquestra Sinfónica Portuguesa;
Coro do Teatro Nacional de São Carlos, dir. João Paulo Santos;
Orquestra Nacional do Porto, Miguel Henriques, Elizabeth Davis dir. Martin André;
Solistas da OrquestrUtópica;
Drumming- Grupo de Percussão;
Solistas das óperas Édipo, tragédia de Saber e Os Dias Levantados,
entre outros.

“não julgo ser possível que, daqui por uma ou duas décadas, a vida musical continue organizada como até hoje”
António Pinho Vargas

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abril 12, 2004

Casa da Música - avanços e inquietações

Por diversas vezes dei destaque à gestão da Casa da Música como um exemplo a evitar no que concerne à gestão de equipamentos culturais, em especial, tudo o que decorreu antes de Alves Monteiro aceitar a Presidência do Conselho de Administração. Afirmei que este gestor era, para mim, um garante do rigor, apaixonado embora, necessário à prossecução do projecto, evitando que continuasse a navegar ao sabor de interesses partidários, camarários, pessoais e, em especial, de "lobbies" há muito instalados no meio musical portuense, dali se estendendo, qual polvo encapotado, para todo o país.
Alves Monteiro iniciou o seu trabalho cumprindo cautelosa mas firmemente a missão a que se propôs (pode-se ver aqui), longe dos holofotes da ribalta mediática que muito gratificantes poderão ser a nível pessoal, mas incompatíveis com uma gestão que antes de se cumprir tem de mandar o lixo para o lixo e conservar o que valia e não tinha sido feito, i.e., "arrumar a casa".
Cedo, e salomonicamente, mostrou não ceder a pretensões mesquinhas e vazias de sentido profissional, nomeando Pedro Burmester para seu assessor único, mantendo deste forma uma valia que não poderia encontrar noutro personagem - a memória e a justificação do já realizado. Contudo, a Casa da Música, não manteve a figura da direcção artística no seu novo organigrama - apenas administração e executores.
Daí que não assista a Pedro Burmester qualquer razão em sentir que a nomeação de Anthony Withworth -Jones possa ter um sentido de retirada de confiança do Presidente do Conselho de Administração, uma vez que nunca tal foi prometido e a não nomeação do músico para essas funções não augurava que Alves Monteiro tivesse, aprioristicamente, intenção de resolver essa delicada lacuna organizacional com o seu nome
Poderá ter sido surpresa para muitos, mas para quem conhece a correcção pessoal e profissional saberia que o novo gestor, ao abraçar o comando de um projecto que saía do âmbito que conhecia, iria antes do mais inteirar-se da especificidade da gestão da coisa cultural, deixando espaço para, a seu tempo, tomar as decisões que considerasse mais adequadas. E a nomeação de A. Withworth-Jones (ver aqui o seu percurso profissional) mais não confirma senão a segurança de entregar os destinos da programação a quem já possuía créditos firmados, estivesse disponível e exigisse uma remuneração adequada ao projecto.

Poderia ser evidente que a contratação de Pedro Burmester para essas funções era, como diziam, incontornável, mas a nomeação de um estrangeiro experimentado em palcos mundiais deitava essa "pressão" de matiz "lobbística" por terra. Assim, muitos poderão ter pena de não ter sido Pedro Burmester o eleito, muitos poderão "torcer" para que corra mal com o actual, mas não se ouviu uma única voz a desmerecer a esmagadora experiência do novo director artístico. Pedro Burmester saiu, com honra, diga-se (não foi em momento algum enxovalhado pela actual administração, nem tal seria aceitável, como aconteceu em passado recente), mas certamente entristecido, mas a responsabilidade de formar equipa não era a ele que competia e, por tal, não considerei oportuno, em Fevereiro, pronunciar-me sobre essa ocorrência.
No entanto, uma outra mais recente, embora sem visibilidade mediática (ah como os media querem e precisam de nomes que vendam...), inquieta-me de sobremaneira - a demissão de Fausto Neves do "Serviço Educativo" e a quase imediata nomeação do director artístico, em acumulação de funções, para assegurar essa tarefa. É que, sem barulhos nem buscas de ocos protagonismos, Fausto Neves deu muito à Casa da Música. E deu porque em si encerra a experiência de uma vida a dar, aos jovens pela música, tradição que já de seu pai lhe adveio, e com inquestionável obra em Espinho - na Academia, na Escola profissional, no Coro, enfim uma obra que não precisa nem de apresentação nem de protecções de "lobbies". Está à vista de quem quiser ver. Não é insuflada, não é de "curriculum vitae", é curricular.
Ora, Fausto Neves era a pessoa certa no lugar certo! Não reconheço, em Portugal, na sua geração, ninguém com a sua experiência e dedicação neste particular contexto. E, não fora já esta uma preocupação bastante, adiciona-se uma outra não menos imperativa - a da entrega de um "Serviço Educativo" a quem desconhece, por completo, o panorama português, não só as suas particularidades legais, como especialmente as carências curriculares, sociais e financeiras e terriroriais. Para mais, esse conhecimento, "Know how", não é coisa que se estude, é assunto que a sabedoria advém proporconalmente aos anos de exercício efectivo, num país em que a didáctica e o desenvolvimento curricular das artes em geral e da música, em particular, é um deserto. Um deserto de competências, mas também legislativo e organizacional (atente-se que Portugal não tem um único mestre, pós-graduado ou doutor, em educação artística!)!
Das duas uma, ou Alves Monteiro insiste na pessoa do director artístico para desenvolver o "Serviço Educativo" da Casa da Música não restando ao responsável importar um qualquer modelo estrangeiro, desadequado às nossas carências ou a acumulação de funções de Withworth-Jones é mais uma medida de Alves Monteiro para medir os danos causados pela demissão de Fausto Neves e conseguir tempo para decidir, mais uma vez, com rigor e propriedade.
Opto pela segunda hipótese, a de confiar no Presidente do Conselho de Admnistração, mas vinco que a demissão de Fausto Neves é uma enorme perda para o projecto Casa da Música. Não sei, confesso, se reparável.

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abril 08, 2004

A Visita ao Conservatório

"Saímos da nossa escola às 9h 15m e chegámos ao conservatório às 9h 30m.
Houve uma senhora que nos recebeu. Depois o professor Nuno mostrou-nos várias coisas sobre o cravo, o piano, o acordeão e o orgão. Sobre o piano aprendemos por exemplo que tem 88 teclas, que tem um martelo para bater nas cordas e dar som.
O acordeão dá som porque as teclas trabalham com o ar. O cravo tem uns saltitantes que beliscam as cordas e por isso nos dá o som, um som muito bonito!
O orgão, também chamado de "Rei dos Instrumentos", também nos foi mostrado e explicado que dá som muito grave devido ao ar.
Gostamos muito da visita e recomendamos!!!
"

Este texto foi retirado da edição n.º 7, de Abril de 2004, da revista «Girassol», publicação trimestral dos alunos do «Jardim Infantil Nossa Senhora da Conceição», em Beja, da responsabilidade da turma do 4º ano.

Esta escola foi uma das 14 que visitaram o Conservatório Regional do Baixo Alentejo por ocasião da «Semana das Teclas» que decorreu entre entre 1 e 5 de Março, com actividades na Igreja do Seminário de Beja, na Sé de Beja e, evidentemente, nas instalações do Conservatório. As actividades repartiram-se por:

- exposição «Os Instrumentos Musicais de Teclas»;
- Concerto de Professores;
- Audições diárias de Alunos;
- Actividades com as Escolas de 1º Ciclo do Ensino Básico de Beja

Esta iniciativa contou com uma adesão de mais de 300 visitantes, dos quais, mais de 80%, crianças das escolas, alunos do Conservatório e seus pais. Um sucesso? Bom , foi de facto, gratificante, quanto amis não fora pelo texto que acima reproduzi, mas lamento, com tristeza, que nem um orgão de comunicação regional publicitasse o evento ( a verdade é que os bejenses não se aperceberam da iniciativa) e que a Agenda Cultural que a anunciou tenha chegado aos munícipes quase 15 dias depois!

Mas às crianças, a essas, não passou despercebido! E é por elas que mais devemos fazer para que possamos ser outros, amanhã! Quem sabe?

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abril 07, 2004

«Debaixo do Céu»

É onde estaremos no próximo dia 15 de Abril a convite do Arte Pública.

Estreia na Casa da Cultura de Beja, pelas 21,30 horas, com autoria e encenação de Gisela Cañamero.
Aconselhamos visita ao sítio do Arte Pública para ver ficha técnica, donde retiramos o texto que passamos a reproduzir:

"DEBAIXO DO CÉU é um espectáculo para todos, indicado para a família se deslocar em conjunto ao teatro.

Inspirado pelo universo dos contos orientais e tendo como referência a filosofia do Tao, DEBAIXO DO CÉU apresenta-se como um espectáculo de teatro musical que é também uma viagem iniciática para crianças e jovens.

Este espectáculo conta a história de Angelina e António - sujeitos de duas realidades muito diferentes que se hão-de encontrar como António e... António. Dois jovens adolescentes que se cruzam com um velho sábio que “sabe tudo o que se encontra debaixo do céu”.

Iniciam assim uma viagem pelo maravilhoso - seja ele fantástico ou terrífico - onde é possível realizar o sonho, iludir a força dos ignorantes e poderosos, descodificar mistérios, resolver situações problemáticas numa aventura que vai fortalecendo o sentimento de irmandade entre os dois jovens, atravessada pela descoberta de conceitos e reflexões que irão alicerçar o início de uma filosofia de vida, de auto-conhecimento e de inter-relacionamento."

A não perder, evidentemente, havendo espectáculos durante a tarde para as crianças podendo fazer o "dois", "três", "quatro" ou os que forem em "UM"!

Publicado por ideias-soltas em 04:27 PM | Comentários (0)

Ainda o Pax Julia

No último Diário do Alentejo, Gisela Cañamero, em jeito de crónica, fala de teatro, evidencia o Arte Pública, ou não fosse a sua directora artística, dedicando ainda umas linhas ao Pax Julia e ao recém nomeado director artístico, José Filipe Murteira. Atente-se:

"Conheço, na pessoa do director artístico agora nomeado, a sensibilidade para ouvir os criadores, o esforço de auto-formação nesta área de intervenção, a capacidade reflexiva e intelectual para delinear filosofias programáticas e estratégias de execução.
Por Beja, e pelos cidadãos que a habitam - mas também pelo país que não queremos ver mais adiado - desejo-lhe, com sincero optimismo, a inspiração e a energia necessárias à tarefa.
Por ela - a árdua e cheia de responsabilidades terefa da Programação - por ele - director artístico - e também por todos nós - os beneficiários de um Teatro que queremos dinâmico e contemporâneo, impõe-se a pergunta:
- qual o modelo de gestão previsto para o Teatro Pax Julia?
"

As palavras da directora artística do Arte Pública compreendem-se, aceitam-se e ajustam-se, mas antes da programação, antes de uma direcção artística, antes até de um modelo de gestão (que muito bem questiona), coloca-se inevitavelmente a antecâmara, o preâmbulo, o "totem", a questão prima de qualquer projecto - o «para quem» e «para quê»! Depois, muito depois, o como - a chamada gestão e programação.

E a reflexão sobre o objecto de um projecto não pode colocar-se nas mãos de uma só pessoa (é desumano), nem de meia-dúzia e muito menos de um "escol"! Há que criar um grupo de reflexão onde possa contribuir a chamada sociedade civil ou, se preferirem, aqueles que podem, alheios a interesses particulares e pessoais, ajudar os decisores a equacionar as hipóteses de solução.

Ainda resta, pelos vistos só para mim, e sem a mínima intenção de menosprezar José Filipe Murteira, a incapacidade de, perante o modelo apresentado, um funcionário da Câmara conseguir erguer a sua voz junto da respectiva vereação da cultura, que no caso de Beja é acumulada pelo próprio Presidente, para negociar a favor do Pax Julia um modelo de gestão ou tão-só o orçamento anual!

Não é a pessoa de José Filipe Murteira que para mim está ou esteve em causa! Antes o que sobre os seus ombros colocaram, sem rebuço nem tibieza, impedindo-o, mais uma vez, de iniciar com a dignidade que lhe assiste, um projecto cultutral de relevância inequívoca que, tal como Gisela, não pode ser mais adiado!

Publicado por ideias-soltas em 03:43 PM | Comentários (0)

abril 06, 2004

«O Fulgor é Móvel»

«A hiperficção é hoje um dos meus mais intensos labores, mas os textos para música litúrgica, a homilética, a investigação na área da cultura ocupam boa parte dos meus dias. O meu maior prazer vem daquilo que partilho com quem se preocupa com as coisas deste mundo e do outro que não vemos. Não perder o anel, esse é o desígnio. O resto é literatura.»

diz José Augusto Mourão no seu sítio cibernético de apresentação.

Professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa lança, amanhã, mais um livro, «O Fulgor é Móvel», dedicado a Maria Gabriela Llansol, no Auditório do Instituto Camões, na Rua Rodrigues Sampaio, 113, juntamente com Annabela Rita que lança «Breves & Longas no País das Maravilhas», ambos editados pela Roma Editora e apresentados por Eduardo Lourenço e Casimiro de Brito.

José Augusto Mourão é uma das minhas refeências no que diz respeito à semiótica e teoria da comunicação, estando aqui e aqui disponíveis alguns dos textos que já editou.

A quem interessar conhecer melhor José Augusto Mourão deixo esta entrevista conduzida pelo Triplov.

Publicado por ideias-soltas em 03:57 PM | Comentários (2)

abril 02, 2004

Preciosa oportunidade

No passado fim-de-semana Peter Roebke esteve em Lisboa a convite da Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) para oriemtar um seminário sobre "Didáctica dos Instrumentos" a professores das nossas escolas de ensino vocacional, vulgo Conservatórios.

De parabéns está a ESML por convidar um dos mais conceituados personagens mundiais nesta matéria, professor catedrático na "Universität für Musik und darstellende Kunst Wien", isto é, tentando traduzir, Universidade de Música e Artes Performativas de Viena. Estes seminários em anos anteriores vinham sendo levados a cabo por António Mário Meneres Barbosa e esta alteração não é passível de ser comparada. Este género de convites trazem sempre valor acrescentado ao nosso país e, se for necessário recorrer a estrangeiros, venham eles, para colmatar faltas de competência em sectores particulares, como é o caso.

Dos participantes que contactei não encontrei nenhum que não desse por muito bem empregue o tempo ganho neste seminário de 16 horas em dois dias. Concentrado, mas muito proveitoso. Não é por acaso que Peter Roebke é um dos mais requisitados pedadgogos pelos cursos superiores de música das Universidades europeias e norte-americanas.

Vem esta apresentação a propósito da oportunidade que ocasionalmente tive de conviver breves horas com tão despretensioso mestre e constatar, sem ele se aperceber, do desiderato educacional que nos separa e afasta ainda desta nossa Europa!
Com efeito, abordando a realidade do ensino da música e das artes performativas, em geral, na Austria, Peter Roebke disse que há 220.000 alunos naquele país de cerca de 8 milhões de habitantes, sendo que apenas (nas suas palavras) 1% chega a profissional. Ora, em Portugal temos cerca de 15.000 alunos e menos de metade de 1% chega a profissional, em mais de 10.000.000 habitantes!

Há muitas deduções a fazer em torno destes dados meramente estatísticos, desde logo as condições (lá vêm elas) sóciais, económicas dos respectivos países e as financeiras das famílias. No entanto, ouso algumas reflexões:

1 - Um dos erros do nosso sistema de ensino das artes performativas (música, dança, teatro, por exemplo) é que as nossas escolas vocacionais, por influência das determinações do Ministério da Educação, têm uma missão desadequada ao contexto em que se inserem. Com efeito, estas escolas orientam-se, única e exclusivamente, pela superior missão de querer preparar profissionais desde a mais tenra idade (lembramos que há instituições que recebem, e bem, alunos a partir dos 3 anos). Ora esta postura pedagógica inviabiliza à partida que um qualquer jovem que não queira ser um profissional possa fruir de conhecimentos e sensibilização adequadas para poder ser um futuro cliente desses espectáculos, sentindo-se, na maior parte das vezes, marginalizado por não obter resultados equivalentes à "imensa" minoria que por vocação seguirão a via profissionalizante.

2 - Por outro lado, o sistema que se iniciou este ano lectivo (de forma gratuita) chamado de ensino articulado, entre as escolas básicas regulares e as vocacionais de artes, que sofre ainda de fortes resistências e boicotes à sua prossecução, tem mais de 20 anos de sucesso na Áustria e em grande parte dos países da Europa, por exemplo, Alemanha, Hungria, Reública Checa, Polónia, Eslovénia, Suíça, França...

3 - A inexistência de escolas verdadeiramente profissionalizantes às quais apenas acedam os alunos do ensino obrigatório que demonstram aptidão e interesse inequívoco para a profissionalização, obrigam a que a missão das actuais escolas vocacionais seja demasiadamente elástic, com o inconciliável objectivo de, por um lado, conseguir não desmotivar os poucos ousam não desistir após o 6/7º ano e incentivar as exigências necessárias aos que podem ir mais além.

Sem me deter em mais pontos posíveis de contacto entre a nossa realidade do ensino de música e artes performativas e o austríaco, sempre retorno à minha ideia de que temos perdido muito tempo (a mudança entre os antigos Conservatórios e as Escolas Superiores ainda nem sequer produziu frutos notórios e seguros) e a de que muito há a fazer no domínio dos desenvolvimentos curriculares do "trivium" e do "quadrivium".

E, por favor, senhores mandantes, à falta de um modelo educativo consensual, por favor, cuide-se mas é de ensinar, de educar, como sempre se fez, mesmo sem o modelo "óptimo"!

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março 31, 2004

Começa amanhã

o 14º Festival Intercéltico do Porto

Do Porto? Sim, mas desta vez descentralizado..., a Lisboa, a Montemor-o-Novo e a Arcos de Valdevez. Segue-se o programa que transcrevemos do At-tambur, daqui.

Porto Rivoli - Teatro Municipal

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Dia 1 de Abril 2004
Portugal At-Tambur
Hungria Marta Sebestyén e Muzsikàs

Dia 2 de Abril 2004
Portugal Realejo
Cantábria Atlântica

Dia 3 de Abril 2004
Portugal Frei Fado d'El Rei
Irlanda Kila

Lisboa
CCB
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Dia 1 de Abril 2004
Irlanda Kila

Dia 2 de Abril 2004
Hungria Marta Sebestyén e Muzsikàs

Dia 3 de Abril 2004
País Basco Kepa Junkera

Montemor-o-Novo
Cine Teatro Curvo Semedo
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Dia 2 de Abril 2004
Irlanda Kila

Dia 3 de Abril 2004
Hungria Marta Sebestyén e Muzsikàs

Arcos de Valdevez
Auditório - Casa das Artes
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Dia 2 de Abril 2004
Portugal At-Tambur

Dia 3 de Abril 2004
Cantábria Atlântica

Não fazemos nenhuma chamada de atenção aos participantes embora registemos o regresso dos "Realejo" e dos "Frei Fado d'El Rei", para nós, indiscutivelmente a melhor formação de música tradicional portuguesa, onde se fundo fado, com música popular, flamengo e umas pitadas, aqui e acolá, de ambiências mouricas. Perderam recentemente um grande alicerce, em especial no que concerne a estrutura, a sonoridade, a ambiência, enfim, a âncora, falo de Quico Serrano. A ver vamos como evoluem sem ele, substituído por Raul Tinoco!

Publicado por ideias-soltas em 04:04 PM | Comentários (4)

março 30, 2004

Movimento "Krautrock", ainda se lembram?

Por "Krautrock" ficou conhecido o movimento musical que viria a colocar a Alemnha nos roteitos do Rock/Pop. Até finais dos anos 60 a criatividade musical alemã era muito pobre fora do contexto da música erudita. Parecia que o rock e o pop lhe tinham passado ao lado.
É perante esse inconformismo, por um lado, e por uma atitude "anarquista" de "anti-cultura" em relação ao rock, que um ácido eléctrico combinado com um psicadelismo espacial de matiz essencialmente instrumental, onde a voz caso só surge como mais um instrumento, condimentado com breves improvisações free, conseguidos em estados alterados de consciência conseguidos, à época, através do LSD, que se trilharam caminhos experimentais que frutificaram e ficaram para a história da música rock/pop dos anos 70 e 80.
Exemplos?
"The Raven" dos Ikarus, "Alpha Centauri" dos Tangerine Dream e "Autoban" dos Kraftwerk!

Já se lembram, das "curtições" do "Autoban" em replay no leitor de cassetes do carro e volume no máximo?

Pois bem, para quem conhece e especialmente para quem não chegou a vivê-los, eis os Kraftwerk no Coliseu na próxima sexta, 2 de Abril! Obrigatório!

Publicado por ideias-soltas em 03:45 PM | Comentários (6)

Orquestra Metropolitana de Lisboa

"A prova de fogo!"

Depois de a nova administração tomar posse, onde Gabriela Canavilhas detém a respnsabilidade máxima, a Orquestra Metropolitana de Lisboa irá apresentar-se em vários concertos na semana da Paixão, entre os quais se destaca o Requiem de Fauré, juntando-se à orquestra o Coral de Lisboa "Cantat", a ter lugar na Igeja do Mosteiro de S. Vicente de Fora no próximo dia 2 de Abril, sexta-feira, com entrada livre. É de salientar que este programa esteve agendado para 6 de Outubro do ano passado, em colaboração com o Instituto Gregoriano de Lisboa que por razões conhecidas foi anulado.

Será a a primeira oportunidade para se aferir da qualidade da prestação desta orquestra na era pós Graça Moura, e o trabalho já conseguido pelo novo maestro titular. Um momento a não perder onde, talvez, se possa reconciliar o público com esta formação de sofreu acentuados decréscimos de qualidade nos últimos anos.

Como nota de fim de página, lamentamos a falta de actualização do site da AMEC, onde nem este programa consta. Um assunto, ainda, a melhorar e rever.


Publicado por ideias-soltas em 12:28 PM | Comentários (1)

março 29, 2004

Salão do Conservatório de Lisboa

Não retomarei este assunto que já abordei. Apenas transcrevo um comentário do Virgílio Marques no blogue que mantém com a Catarina de divulgação de Guilermina Suggia.

Aqui vai:

"Note-se que SUGGIA, toca pela primeira vez em Lisboa, no Salão Nobre do Conservatório Nacional, uma das salas com melhor acústica,com os tectos pintados por José Malhoa, e que desde, creio os anos 20 ou 30 do sec XX, não tem qualquer reparação. Chove lá dentro. As paredes estão a cair, o balcão está já escorado há anos para evtar a sua queda. Há neste momento uma campanha de sensibilização para que o Ministério da Educação proceda ao restauro duma das salas mais próprias para música de câmara."

Publicado por ideias-soltas em 11:35 AM | Comentários (1)

março 28, 2004

Dia Mundial do Teatro na Casa da Cultura de Beja - mais uma vergonha!

Gisela Cañamero, no último número do Diário do Alentejo, escreve sobre as peripécias por que passou para que houvesse teatro no Dia Mundial do Teatro em Beja, mais concretamente no lugar que não pode nunca esuqecer uma data dessas - a Casa da Cultura.
A peripécia pode ser lida, mas prende-se com o facto de daquele espaço estar ocupado, naquele dia, para uma reunião de uma Associação de Comerciantes.
Os comerciantes não têm culpa por não saberem qual o dia em que se comemora o Dia Mundial do Teatro, mas os responsáveis da Câmara pela gestão, direcçao artística e programação da Casa da Cultura deveriam, no mínimo, ter vergonha e demitirem-se de imediato!

Publicado por ideias-soltas em 04:39 PM | Comentários (6)

março 25, 2004

Schumann - Carnaval op.9

Escrito entre 1834 e 35 o "Carnaval" de Schumann não é uma das obras para piano mais afamadas, mas é uma das que revisito regularmente, uma questão de paixão!
Ontem dei comigo a escutar as versões de Arrau, Michelangeli, Rubinstein, Rachmaninov e Gabrilov, as que possuo. A separar estas gravações correm cerca de 90 anosl. A separar estas gravações estão concepções estéticas muito distantes, opostas quiçá, da visão do que foi o romantismo musical do qual Schumann foi pioneiro.
Ora se em Rubinstein não podemos saber com propriedade se a versão que gravou seria ou não aquela que autenticamente sentia (este excelente pianista tinha a invulgar capacidade de interpretar consoante o(s) padrão(s) estético(s) do público a quem se dirigia) já Arrau era mais fiel a si próprio embora as suas interpretações variassem, naturalmente, consoante o estado de espírito de que momentaneamente se encontrava embuído, conseguindo-se uma visão mais próxima do que pretendia dizer e fazer sentir. A interpretação de Arrau afasta-se muito da estética predominante à época, a da lirismo quase etério do piano romântico introduzido por Rubinstein, muitas vezes com menor respeito pelo texto dos compositores, exagerando rubatos e acelerandos.
Aliás, o "Carnaval" de Arrau é esteticamente mais moderno e respeitador do texto que a posterior gravação de Michelangeli. Mais que Rubinstein, Michelangeli leva ao extremo do "mau gosto" a estética "lamechas" que se impõs um pouco por todo o mundo do pós-guerra. Não é só não respeitar o texto, é toda uma concepção da obra que entronca radicalmente numa visão doentia e entristecida do romantismo de Chopin que teimosamente imperou e ainda hoje nos agride em certa escola pianística portuguesa muito em voga e aclamada "ad nauseum"!
Curiosamente, muito antes de Rubinstein, Arrau e Michelangeli, Rachmanivov dá-nos uma visão apaixonada e violenta da obra, visão essa que radicava no final do romantismo musical entronado por Liszt e, mais tarde pelos pós-românticos. O piano era abordado orquestralmente e as obras românticas interpretadas com o exagero sentimental da paixão incontroladamente arrebatada. Rachmaninov cumpre o texto? Nem por isso, a sua invulgar capacidade técnica aliada ao extremismo passional conduz a uma interpretação emocionalmente intensa, intercalando andamentos muito mais rápidos que aqueles que Schumann indicava com pianíssimos bem pronunciados, introduzindo-nos numa atmosfera assaz densa e plena de emoções. Diga-se, contudo, que Rachmaninov não explora os rubatos e acelerandos intercalados que no futuro viriam a descaracterizar a interpretação romântica do piano.
É, no entanto, com a interpretação de Gabrilov que encontramos o equilíbrio entre o escrupuloso respeito pelo compositor e o arrebatamento passional que a interpretação romântica tem de encerrar. Alia a intensidade à quase etéria emoção, nunca se desviando das pretensões iniciais do compositor. De todos estes Carnavais, o de Gabrilov é aquele que sinto o meu "Carnaval", aquele que Schumann concluiu em 1835.
É assaz curioso vermos a evolução da estética aplicada no tempo! Tal qual a história é a visão do passado com os olhos de cada presente!
Gabrilov foi melhor que os restantes? É evidente que sim, para mim!
Para outros não? Pois bem, gozem as emoções os estados de alma a que a música nos conduz, tão-só! Este é o real valor da arte!
Porque escrevi sobreisto? Não sei, aconteceu, apeteceu-me, enfim..., porque acho que, de facto, o "Carnaval", op.9 de Schumann, é uma das grandes obras de arte do início do romantismo, contrariando o vulgo dos musicólogos.

Publicado por ideias-soltas em 12:00 PM | Comentários (0)