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janeiro 02, 2006
Henriques Pinheiro

Médico de profissão, Henriques Pinheiro notabilizou-se como o mais profícuo promotor e organizador de eventos culturais no Alentejo, nomeadamente no âmbito da música clássica, de conferências e saraus sobre várias áreas do conhecimento e de reflexão, bem como pioneiro na batalha por um ensino artístico de qualidade.
Antes de Abril de 74 foi representante da Juventude Musical Portuguesa e, mais tarde, da Pró-Arte para o Distrito de Beja.
Consolidada a liberdade, funda, com sua mulher, o Centro Cultural de Beja do qual nasceu a Academia de Música de Beja que, mais tarde, constituída já uma equipa de professores, dá origem ao actual Conservatório Regional do Baixo Alentejo (instituições associativas sem fins lucrativos e das quais Henriques Pinheiro nunca auferiu qualquer vencimento ou honorário), onde se manteve sempre como Presidente do Conselho de Administração, tendo conseguido o feito ímpar de envolver como associados neste projecto todos os municípios do Baixo Alentejo, juntamente com o Centro Cultural de Beja.
Faleceu hoje um homem grande, um homem de causas, de grande exigência consigo próprio, sem medo de contratar profisssionais competentes que o ajudassem a erguer os seus sonhos e não meros "papagaios" que lhe garantissem a ausência de protagonismos alheios, tendo deixado obra feita sem nunca ter cedido a tentações facilitistas de redução dos níveis de qualidade tão em voga nos dias que correm, que apenas atraem incultos em busca de entretenimento em vez de cultivar.
Eu devo-lhe muito, o exemplo de uma vida de lutas em prol da cultura, o Alentejo também, seguramente, exigindo-nos agora o agradecimento e respeito pela sua memória, bem como a continuidade da obra e dos princípios em que ela se erigiu.
Publicado por Carlos Araújo Alves em janeiro 2, 2006 05:50 PM
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Recebido em fevereiro 2, 2006 03:48 PM
Comentários
Soube por este site que o Dr Pinheiro falecera, hoje.
Embora não concordasse com todos os seus "modus operandi", era um exemplo, pela determinação e dedicação a uma causa - neste caso, a implementação do ensino artístico, nomeadamente da música, numa cidade que parece tão alheada da necessidade da vivência e fruição do objecto artístico como factor de pertença a uma contemporaneidade, e de cidadania.
É à sua actuação, e, não esqueçamos, à da sua esposa, a Dª Ernestina, que devemos o facto de Beja poder contar hoje com um Conservatório Regional.
Numa altura em que, ao contrário de outras pólis, Beja tem sido esvaziada de representação nas diversas áreas de actividade humana e profissional - e, logo, de poder - a cidade não pode ficar alheada da gratidão devida ao percurso determinado deste casal.
Nesta hora não posso deixar de pensar como seria crucial transformar o Conservatório Regional de Beja num verdadeiro aéropago das artes - sentidas, vividas, fruídas e partilhadas - com a entrega apaixonada, a irreverência sem idade, a criatividade plena.
Porque a vitalidade que aporta a mudança só pode honrar a memória do seu patrono.
Publicado por: gisela cañamero às janeiro 2, 2006 11:57 PM
Depois de ler este artigo nada mais tenho para dizer. De facto o Alentejo ficou mais pobre com o desaparecimento desta tão nobre personagem que marcou a vida cultural do Alentejo. Pessoa dinâmica de grande visão e defensora das suas ideias até ao fim. Sinto - me satisfeito pelo facto de ter conhecido tão nobre pessoa.
Jaime Branco
Publicado por: Jaime Branco às janeiro 3, 2006 01:26 AM
Nova iniciativa d' O Restaurador!
Blogue de emprego, o Emprego no Alentejo!
Visitem em http://empregoalentejo.blogspot.com/
Por favor divulgue!!!
Saudações!
Publicado por: O Restaurador às janeiro 4, 2006 08:07 PM
É uma pena ver partir gente desta, não é?
Mas é a lei da vida... todos para lá caminharemos um dia.
Publicado por: canzoada às janeiro 8, 2006 07:33 PM