março 14, 2005

De regresso a Dianne Reeves

Esquecimento imperdoável foi o facto de no post que dediquei a Dianne Reeves não ter mencionado a sua participação no tema ""Feeliong og Jazz" que abre o Cd de Winton Marsalis, "The Magic Hour", editado o ano passado.
Dei por aqui nota dele, mas concretamente sobre este blues de Marsalis, eu que não sou de "best of's", sempre digo que foi o tema que ouvi e ouço com mais regularidade desde que o tenho, diariamente, digámos!
Um blues em tempo lento (a semínima não passa dos 72) durante 7 minutos onde voz e trompete dialogam acompanhados acusticamente, sem nos cansar, é um feito notável.
Para os menos identificados com o estilo, o blues baseia-se numa estrutura de 12 compassos 4/4 sobre 3 harmonias - tónica, mediante e sétima da dominante - estrutura esta repetida as vezes que os intérpretes ousarem improvisar sobre ela.
Neste "Feeling of Jazz", de tempo lento, repito, e ambiente calmo, desenrola-se uma teia de crescente cumplicidade e tensão progressiva que apenas vem a atingir o clímax após o 5º minuto, numa explosão lógica, simples e construída na reciprocidade entre a voz de Dianne e o trompete de Winton, para lentemente regressarem à distensão do início do tema para o concluirem.
É um tema de antologia, seguramente, em especial para aqueles que ainda não se deixaram apnhar pelo Jazz, devido à simplicidade (muito complexa) de construir tensão e distensão presos a uma harmonia e uma estrutura pré-definidas.
Aqui fica esta nota de esquecimento imperdoável sobre o talento de Dianne. Vão ouvi-la, pela vossa saúde!

Publicado em março 14, 2005 03:04 PM por Carlos Araújo Alves | TrackBack
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