março 13, 2005

Dianne Reeves em Portugal

Nos próximos dias 22 e 23 iremos receber, em trio, Dianne Reeves no CCB e no Rivoli, respectivamente. Esta cantora de Detroit tem sentido enormes dificuldades em afirmar-se junto dos críticos talvez pelo facto de se expressar com elevada qualidade em vários géneros, desde o Blues, R&B, Jazz, mas a verdade é que não encontro paralelo actualmente seja no seu timbre quente, na sua técnica irrepreensível, na sua expressividade negra, no profissionalismo com que encara cada projecto e concerto.
Deu os primeiros passos como profissional no final dos anos 70 pela mão de Lenny White, Stanley Turrentine e Alphonso Johnson, na época em que estes músicos atravessavam a fase da "fusão" ou do "funky" se preferirem, estilo que rolou na época pós-free quando os músicos de Jazz procuravam novos caminhos, o aprofundamento do free, o regresso às origens e o mais fácil, fácil porque comercialmente muito bem aceite, o funky.
Rapidamente constrói o seu próprio espaço com a ajuda de Billy Childs, lançando o seu primeiro trabalho a solo, "Welcome to my Love", em 1982, com um sucesso assinalável.
Na 2ª metade dos anos 80, duas extraordinárias oportunidades catapultam Dianne Reeves para o reconhecimento internacional mantendo, contudo, os críticos de Jazz muito cépticos:
1 - em 1985 o "patrão" da Blue Note, Bruce Landvall, patrocina um concerto de homenagem a Duke Ellington, "Echoes of Ellington" juntando Dianne Reeves com George Duke, Freddie Hubbard, Herbie Hancock, Tony Williams, Stanley Clarke e o seu velho amigo Billy Childs. O sucesso deste concerto proporcionou uma "tournée" mundial de 138 concertos;

2 - em 1989 a Blue Note ao tentar revitalizar antigos talentos oferece a Lou Rawls a possibilidade de gravar "At Last", com a participação de alguns notáveis da etiqueta, George Duke, George Benson, Ron Blake e Dianne Reeves, que redundou num estrondoso sucesso, dando a conhecer aos menos atentos o seu talento de cantor de blues onde sobressaem, precisamente, os dois temas onde ele faz duo com Dianne Reeves, "At Last" e o famoso "Fine Brown Frame".

Em 1994 grava, para mim, o seu melhor trabalho de sempre,

"Quiet After The Storm"

com as participações de Ron Blake, "Cannonball" Adderley, Joshua Redman, Roy Hargrove, George Duke e Airto Moreira, entre outros. É um trabalho fabuloso onde Dianne Reeves não cede nunca a virtuosismos escusados e transpira musicalidade do princípio ao fim! Tenho dificuldade em salientar uma faixa, mas sempre diria que a sequência "The Benediction (Country Preacher)" / "Detour Ahead" são de rara beleza pelo encanto da junção do Gospell, dos blues e da fusão na sua mais plena negritude.

Que poderei dizer mais sobre Dianne Reeves? Já se aperceberam que é uma das minhas paixões musicais, mas pronto, vá lá, já agora para a malta da clássica, foi escolhida por Simon Ratlle para se apresentar como única solista no Carnegie Hall com a Orquestra de St. Lukes num concerto de homenagem a Duke Ellington e grava também como solista, para o mesmo efeito, com a Orquestra de Cleveland sob a direcção de Daniel Barenboim. Já em 2003 grava Gershwin e faz uma "tounée pela Europa e Extremo Oriente, também a convite de Simon Ratlle, com a Orquestra de Berlim.

Em 2004 ganha o "Grammy" de "Best Jazz Vocal Performance" pelo seu trabalho "A Little Moonlight".
Apesar de tudo este percurso continua a não obter as graças dos críticos de Jazz mais "puristas", mas que é a melhor cantora negra viva de Jazz, de Blues, de R&B, de Funky, ai disto ninguém me tira a ideia e se não acreditam vão ouvi-la! Não darão o tempo por mal empregue!

Publicado em março 13, 2005 11:56 PM por Carlos Araújo Alves | TrackBack
Comentários
Comente esta entrada









Lembrar-me da sua informação pessoal?