A pobreza matou ontem mais 30.136 crianças com menos de 5 anos no mundo e hoje também matará, e amanhã e depois de amanhã assim como anteontem, e todos os dias assim será, a não ser que um qualquer cataclismo da natureza lhes abrevie o sofrimento de ter nascido num local e num momento errados.
Desde o "tsunami" de Dezembro já morreram 2.314.312 (dois milhões, trezentos e catorze mil e trezentos e doze) crianças com menos de 5 anos por má nutrição!
Não consta que haja nenhum movimento de fundo (para além dos esforços da UNICEF) para ajudar estas vítimas, nem mesmo a ONU parece reclamar uma verba específica anual para tentar inverter esta muda matança diária!
O problema é que estes milhões com sofrimento e morte anunciados à nascença não são uma catástrofe, ninguém compra as imagens do seu horror, morrem apenas, como supra-numerários da vida.
É uma tragédia, uma desgraça, uma calamidade, têm um fim lastimoso e apesar de reunir todas as significâncias da palavra "catástrofe" falta-lhe uma nova dimensão a rever no conceito - catástrofe são as vítimas de cataclismos naturais e as vítimas dos nossos inimigos e adversários, mas nunca as nossas vítimas, as que matámos e as que, ao condenarmos placidamente à pobreza, deixamos morrer após uma vida prenha de vil sofrimento.
Haverá algum "ismo" que se proponha pôr termo a esta matança? Não conheço, apenas me interrogo se, em termos penais, isto será homicídio involuntário ou voluntário ou tão-só a "selecção natural" de Darwin, quiçá a aplicação da teoria demográfica de Malthus?
Não é uma catástrofe, uma "emergência" nas palavras da UNICEF - deve ser assim uma coisa tipo: tou mesmo aflito para cagar!
Não sei que te diga, mas é por estas coisas que às vezes tenho tanta raiva da Civilização; nunca haverá força suficiente para debelar essa situação, pois os princípios que nos regem não vão deixar. Tento só fazer a diferença onde sei que consigo mexer, enfim vou sendo.
Afixado por: Susana Serrano em janeiro 12, 2005 06:06 PMJulgo que a culpa é efectivamente da UNICEF e de outras organizações internacionais de solidariedade que só o são quando se registam catástrofes de grandes dimensões como esta que ocorreu, quase ignorando ou pelo menos não lhe dando o devido tratamento à maior catastrofe Mundial que como diz muito bem dizima milhões de
pessoas, a chamada "fome". Este flagelo com forte
incidência em vários países africanos e asiáticos, não tem sido ao longo dos anos tratado
com a devida acuidade por parte das organizações internacionais e óbviamente o resultado continua a ser este, uma verdadeira mortandade, perante a indiferença dos povos mais abastados. Com um abraço do Raul
Caro amigo peço desculpa por utilizar estes dois primeiros parágrafos num comentário do blog : postaisdecuba@blogspot.com
Afixado por: JP em janeiro 13, 2005 04:22 PM