dezembro 14, 2004

Casa do Gaiato e a comissão de menores

«A Comissão Nacional de Crianças e Jovens em Risco (CNCJR) decidiu ontem pedir às comissões municipais para deixarem de enviar crianças para a Casa do Gaiato, enquanto os alegados indícios de maus tratos físicos e psicológicos não forem esclarecidos.» (Público)

Desde miúdo que meus Pais habituaram-me a visitar a Casa do Gaiato em Paços de Sousa. Já graúdo comecei a lá ir regularmente rezar na Capela onde está sepultado o Padre Américo, conviver com os rapazes (é assim que lhes chamam) e ver e sentir como é que eles vivem. Naquela Capela quis casar. Naquela Capela baptizei um filho. Na Casa do Gaiato prestei colaboração dando aulas gratuitas. Na Casa do Gaiato senti sempre um ambiente que poderá chocar alguns, mas que a mim me enternecia - ver os rapazes mais velhos tomar conta e educar os mais novos da forma que podiam e sabiam.
Na Casa do Gaiato os rapazes têm de trabalhar, têm de tratar da quinta, cada um com a sua tarefa, para terem que comer - tratam das hortas, da capoeira, das vacaria, enfim tratam da sua vida, para além de terem uma família, cama mesa e roupa lavada e escola.
O Padre Carlos, às 7 da tarde, invariavemente em dias secos, reunia-os em torno do cruzeiro para rezarem onde cada um tinha, também aí, o seu papel a desempenhar e vi também o Padre Carlos, várias vezes, a assentar uns bons pares de estalos quando tal era necessário, como um pai o faria.
Não sei o que é que a tal comissão de menores, que suspeito ser de gabinete, por lá quis ver, mas certamente viu o todos poderemos ver pois o portão da Casa do Gaiato está sempre aberta a quem quiser entrar, sem precisar de bater.
Se quiserem entrar pela palhaçada do "trabalho infantil", das estaladas e dos açoites como "maus tratos físicos", de os rapazes terem todos tarefas a desempenhar - "maus tratos psicológicos" - para que a obra do Padre Américo possa prosseguir a acolher crianças sem pais ou com pais desaparecidos ou com pais que os mal-tratam, será mais um sinal de gente empoeirada de gabinetes que nunca frequentou esta nobre instituição e que não faz a mínima ideia de como possa funcionar a não ser pelo que vem nos livros e nos tratados e nas teses e nos mestrados da treta!
Haja nojo pelo mal que esta comissão possa estar a fazer à obra que o Padre Américo legou.

Publicado em dezembro 14, 2004 12:11 PM
Comentários

Ontem a notícia revoltou-me porque é fácil e burocrata desaconselhar. Mais difícil é apresentar soluções e resolver problemas. E estes não surgem de nenhuma das teorias do Terreiro do Paço. Por mim, mesmo perto, não conheço a obra "in loco". Mas respeito-a e admiro-a como creio que deve fazer qualquer espírito sensato. Mas não é na sensatez que este país persegue a consolidação e regista a sua história!

Afixado por: Luís Vieira em dezembro 14, 2004 12:27 PM

Sem qualquer desprimor para a obra do Padre Américo e as impressões que tenhas da Casa do Gaiato, também não vejo mal em que se investigue (de forma séria, como é óbvio) eventuais desvios de comportamento e tratamento das crianças, que se verifiquem nessa obra.

Afixado por: catarina em dezembro 14, 2004 12:30 PM

Bem pelo contrário, Catarina, acho que antes de insvestigadas devem ser acompanhadas, acarinhadas, ajudadas e corrigidas se caso houver para tal.
O que não posso estar de acordo é que uma comissão que ninguém conhece de lado nenhum com gente que não conhecemos de lado nenhum venha loguinho para jornais e televisões publicitar a sua verborreia de que algo não vai bem na Casa do gaiato!
Se não vai bem, vão lá, digam o que está mal, ajudem a corrigir e, passados o tempo necessário, investiguem se foi ou não corrigido!
Agora quem vem para as luzinhas da ribalta dizer que o relatório não é muito abonatório e que proíbe que a Casa do gaiato receba mais crianças, com certeza, que as passará a receber em sua casa, ou deixá-las-á na rua ou a receber maus tratos de pais insanos?

Afixado por: carlos a.a. em dezembro 14, 2004 01:37 PM

Com certeza que sim, Carlos. Quando falo em investigar, falo em todo esse processo, de ver o que se passa e corrigir alguma coisa que haja para corrigir. Claro que nem sequer ponho em causa que tudo isso são processos internos, que devem correr sem boca no trombone...nem me tinha apercebido que tinha sido um relatório sem mais nem quê espetado nos media...!
Custa-me realmente que se continuem a usar crianças de todas as maneiras e feitios para vender jornais e televisão - isto é, publicidade nos entretantos.

Afixado por: catarina em dezembro 14, 2004 01:41 PM

assino por debaixo

Afixado por: Alexandre Monteiro em dezembro 14, 2004 01:57 PM

refira-se que a casa do gaiato encomendou uma investigação à universidade católica, segundo se pode ler aqui em despacho da agência lusa http://www.rtp.pt/index.php?article=141692&visual=5

Afixado por: ana em dezembro 14, 2004 05:02 PM

Desculpem lá, mas a coisa é mesmo escabrosa!
O Diário de Notícias de hoje dedica a sua pag. 19 e 20 ao processo Casa Pia, à pedofilia não sei onde e ao tal comunicado da tal comissão!
Isto é nojento!

ps: eu vi Catarina, que não percebeste logo o que eu condenava. Não são as investigações, nem as correcções, mas sim o abuso do bom nome destas crianças que, para todos os efeitos, foram agora muito mais mal-tratadas com um simples comunicado.

Afixado por: carlos a.a. em dezembro 14, 2004 06:29 PM

Sempre frequentei a Casa do Gaiato do Tojal (perto de Loures), tive colegas de escola que viviam lá e posso dizer que tinham uma formação irrepreensível, eram verdadeiros amigos! Lá brinquei muito e sempre fui bem recebida por todos. O ambiente era agradável e isso sente-se! Tal como o Carlos refere, as portas estão sempre abertas para quem lá quiser ir! Haja vergonha, que não se fale do que não se conhece!!!

Afixado por: sónia em dezembro 14, 2004 06:54 PM

Neste país, como diz o Piotr do 'Anarca', é Carnaval todos os dias...

Um abraço,
Francisco Nunes

Nunca fui à casa do gaiato, mas as histórias que tenho ouvido contar dessa casa sempre foram as melhores...

Afixado por: Planície Heróica em dezembro 14, 2004 08:19 PM

Como está a ser tratada a Obra do Gaiato de Pe Américo
Uma vergonha que nos envergonha

Caros Amigos.
Ontem (19/12/04), assisti a uma entrevista no programa “Diga lá Excelência” (Canal 2 da RTP), ao Sr. Padre Manuel Cristóvão, da Obra do Gaiato.
Tenho acompanhado o desenrolar de notícias relacionadas com uma “espécie” de auditoria oficial que decorreu às Casas da Obra do Pe Américo.
Fico incrédulo com as calúnias que os funcionários dos Estado têm sido capazes de produzir relativamente a esta Obra, talvez devido a uma grande incapacidade profissional de avaliarem a globalidade do fenómeno de Fé que é Obra do Gaiato, e principalmente por uma ignorância profunda para verem e sentirem com o coração a verdade da acção humana que, a cada minuto, nestas Casas acontece.
Compreendem-se as conclusões destes funcionários, e de quem os dirige, pois “trabalham” só algumas horas por dia e alguns dias da semana. Depois de marcarem o ponto, no fim de cada dia, regressam calmamente a suas casas para descansar e no fim do mês o ordenado está garantido.
Mas não se pode compreender a forma leviana como tratam os responsáveis por este Obra (que dão as suas vidas na totalidade pela vida de cada Gaiato), ignorando-os totalmente em todo este processo.
Na minha opinião, é uma vergonha que nos envergonha.
E são estas vergonhas que alimentam a maioria do tempo dos telejornais, as páginas os jornais e revistas. Estes meios de comunicação sobrevivem precisamente pelas vergonhas, tornando-as sensação.
É que é mais difícil e exigente ver a verdade. Ver o belo que se esconde no íntimo de cada um dos milhares de Rapazes Gaiatos que passaram pelas Casas da Obra da Rua e hoje são Homens activos na nossa sociedade.
O lixo da rua que ninguém quer ver, é recolhido, acolhido e transformado em “pedra angular”.
E os senhores jornalistas e funcionários públicos não têm tempo para ver isto que acontece, minuto a minuto, nas Casas do Gaiato.
O Estado, o Povo Português, todos nós, devemos muito respeito por aquilo que estes Senhores Padres são e fazem.

Num dos últimos números da Voz Portucalense, um grupo de leigos desfia-nos a manifestarmo-nos perante tais atitudes, próprias de um Estado prestador de serviços sem saber o que é prestar amor, dando a vida para que a vida aconteça.
Seguindo o desafio proposto por esse grupo de leigos, eu e a minha família, com mais alguns amigos, vamos manifestar-nos.
Entre 26 Dezembro e 2 de Janeiro, visitaremos uma das Casas do Gaiato da nossa zona, levando a nossa presença e amizade aos Senhores Padres da Obra e aos Gaiatos que nelas encontram o que lhes foi negado – Pai, Mãe e uma Família.
Participaremos na Eucaristia que terá lugar na Capela da Casa - 16 horas.
Assinaremos num Livro de Visitas preparado para o efeito, para que a nossa manifestação fique registada.
Venham também manifestar-se pois manifestar é dizer o que se sente no íntimo.
Levem mais alguém convosco.
Por favor, difundam esta mensagem.
Um abraço, obrigado pela atenção e votos de um Natal sereno.

Alexandre Leite

Afixado por: Alexandre Leite em dezembro 22, 2004 03:07 PM

Nem sei bem como começar
Fui à casa do gaiato de S. Antão do Tojal no dia 18 de Dezembro levar alguns brinquedos e mercearias. Confesso que nunca lá tinha ido apesar de viver relativamente perto. Fiquei extasiada com a educação, a serenidade e a alegria de todos aqueles rapazes. No dia seguinte enviei um mail para o Sr. padre Manuel Cristóvão perguntando o que os rapazes mais necessitavam, ao que o ser padre me respondeu:
"Diria que nos faz sempre muita falta ténis com os números entre o 39 e o 42. É material de muito desgaste e que os nossos rapazes apreciam e gastam muito."
No dia 22 Voltei novamente à casa do gaiato levando roupa, calçado e mais alguns brinquedos. E novamente fui recebia com extrema educação, serenidade e alegria.
Caros sus não falem mal do que não conhecem, tirem meia hora do vosso tempo e vão á casa do gaiato, convivam um pouco com os rapazes e vejam que ali eles tem um pai, uma mãe, uma família que os acarinha, educa e os ensina a enfrentar a vida, vida essa e família essa que antes de entrarem para a casa do gaiato só lhes trouxe amarguras e tristezas.
Ajudem e dignifiquem a casa que da tanto sem pedir nada em troca.

Afixado por: celia azevedo em dezembro 27, 2004 12:17 PM