junho 04, 2004

Excertos dos Radicais pela Ética

Não é demais chamar novamente a atenção para os últimos posts dos Radicais pela Ética sob a autoria de Piotr.
Deixo uns excertos para aguçar o apetite.

«O ideal (ambição, sonho) deste intelectual proxeneta, que sempre viveu do Estado, mas que escarnece com azedume distante dos seus companheiros funcionários público, ou de vagas encomendas de trabalhos de escriba serviçal, é a constituição de uma corte de aduladoures serviçais, (eles próprios dispostos a assumirem o papel de Brutus à primeira oportunidade). Uma corte de jovens platónicos do trabalho honesto sobre o qual exibem um constante escárnio e desprezo.»

«É um povo de indivíduos fracos, incapazes de relacionamento de iguais, que anseiam pela validação e afago do chefe (substituto do pai que impunha a disciplina sem nexo e sem racionalidade enquanto tirava cera dos ouvidos com uma unhaca). Mas é um povo sem individualismo, porque a individualidade é apenas uma mera expressão da diferença percebida ou desejada em relação ao outro, e não base de autoconfiança e crescimento próprio. Antes pelo contrário, dependente do reconhecimento do e pelo outro, que contudo nunca é suficiente, porque é sempre relativo, pedincha constantemente atenção e carinho que depois não aceita porque é incapaz de assumir uma relação igual em que tenha de se dar também. Espera pois adulação e não emoção

«Perigoso, é quando este portugueses se ocupam dos espíritos das almas e dos neurónios dos que ainda não têm responsabilidade e os vacinam contra a busca autónoma do saber e os desfloram com as suas sebentes cujos bolores já são tão velhos que deles se consegue extrair antibióticos em quantidades tais que a AMI podiam fazer campanhas inteiras em África. Quando estes cavalheiros e cavalheiras "avaliam" do que nunca possuiram nem sabem reconhecer nem que levem no focinho com a curiosidade genuína e interessada. Limitando-se a matraquear sem entusiasmo que de ano para ano a "coisa" piora, constatando o óbvio num exercício de preocupação higiénica que ocorre no intervalo para o café antes da próxima aula sobre qualquer tema sobre o qual escreveram há décadas atrás um artigo medíocre que jaz incógnito na cave da biblioteca municipal da terra do tio Ernesto

"Valapena" uma espreitadela demorada!

Publicado por ideias-soltas em 11:24 AM | Comentários (0) | TrackBack

junho 03, 2004

Um post excepcional

Este, de Piotr, nos Radicais pela Ética. Vale a pena ler e reler.

Publicado por ideias-soltas em 06:16 PM | Comentários (1) | TrackBack

Ó Blogosféricos, expliquem-me lá uma coisa

Porque é o "Pipi" (que eu não lia) foi acusado de "vendilhão do templo" e o Pedro Mexia (que lia) é parabenizado pelo mesmo motivo?

Publicado por ideias-soltas em 04:41 PM | Comentários (3) | TrackBack

Faz hoje 44 anos

Parabéns!

Publicado por ideias-soltas em 04:27 PM | Comentários (2) | TrackBack

Estudo da OMS desmaacara poderoso "lobbie"

Via A Verdade da Mentira vejo que um estudo realizado pela OMS e pela Harvard Medical School diz que 26% dos cidadãos norte-americanos sofre de problemas mentais.
Nada de assustador, deve estar dentro da média. O que me espanta é como é que eles chegam quase todos ao poder!!!
Um poderosíssimo "lobbie" certamente, a seguir com atenção!

Publicado por ideias-soltas em 03:41 PM | Comentários (0) | TrackBack

Ontem brincamos:

1 - com as quotas femininas de acesso ao curso de medicina. A Vertigem até disse «esta malta droga-se»! Depois de ouvir o Sr. Ministro da Saúde a explicar convicta e seriamente o porquê da medida, acho que não. Nem por sombras!
O gajo é mas é um careta do ......papá! Machista? Não, pessoal, o gajo é careta!
O machista precisava era de apanhar uma urologista quando fosse à consulta. O machismo recolhia-se tanto caté lhe chegava ao fundo das costas!

2 - com a careca e com a xenofobia, mas o certo é que depois de ouvir o careca vi que ele achou que lhe falavam da orelha (o que eu acho que sim) e disse que não devemos brincar com os doentinhos, que quem brinca com os tais seiscentos e tal mil deficientes é racista. Foi isto que eu ouvi e não posso deixar de lhe dar razão.
No entanto, se a orelha não pode disfarçar, um capachinho impõe-se! Já o livraria de metade dos reparos da senhora Manso.
É que isto de imagem e embalagem para o acto eleitoral é muito exigente, daí que, ó Sr. Prof., seja pragmático, capachinho já!

Publicado por ideias-soltas em 03:23 PM | Comentários (1) | TrackBack

junho 02, 2004

Os Insultos até serão aceitáveis

Ora leiam com os vossos olhinhos:

«Os Portugueses e em especial, os Baixo-Alentejanos têm uma dívida de gratidão com a união Europeia (...)»

Afirmação do Pisco, candidato pelo PS, proposto pela Federação Socialista do Baixo Alentejo, retirado daqui, do site da Rádio Pax.

O Ameixa sabe escolhê-los! A dedo!

Prefiro os insultos frontais! F********************************-se!

Publicado por ideias-soltas em 06:32 PM | Comentários (4) | TrackBack

Carlyle fora da corrida?

Num me digam! Depois de tantas reuniões preparatórias!
Tanto trabalho para nada! E agora qual vai ser a cruz do Martins?

Publicado por ideias-soltas em 05:09 PM | Comentários (1) | TrackBack

Pedido à Comunidade

Corre o boato que vai haver umas eleições em breve. Alguém me poderá confirmar e para que são, por favor.

É que uns disseram-me que era só para os cobardes, outros para xenófobos e outros prós carecas.
É que se for pra esta última categoria estou seleccionado e, a confirmar-se, aproveito para anuncar desde já:


VENDO VOTO


ACEITO OFERTAS

Só pra ver se o mercado funciona com a tal mão invisível!

Publicado por ideias-soltas em 04:48 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 01, 2004

Leilão de Mortos

O estudo do comportamento do Homem perante a morte tem-se revelado como uma das investigações mais profícuas para compreender a mentalidade no tempo, as permanências, as evoluções e as rupturas, depois de Philipe Ariès, em 1977, ter escrito um dos livros mais fascinantes da historiografia ocidental, «L'Homme devant la Mort".
Depois deste livro a história das mentalidades não foi mais a mesma - os estudos sobre o comprotamento do Homem perante as mais variadas situações que a vida lhe cria e na qual ele se insere multiplicaram-se, com especial incidência na famíla e nos laços que ela encerra.
Em geral estes estudos são levados a cabo por historiadores com maior ou menos formação sociológica, mas o certo é que, passe a redundância, a História é a ciência do passado, que nos ajuda a compreender o presente, é certo, mas uma ciência do passado. É esta sua característica que a distingue da Sociologia, o estudo das sociedades mais próximas no tempo e da Antropologia que, na longa duração, estuda a relação do homem em sociedade, mas também no seu habitat mais ou menos natural.
O certo é que estas ciências humanas e sociais que se entrecruzam, felizmente, cada vez mais, não estão preparadas para a análise do presente, do quotidiano; poderão ajudar-nos a compreendê-lo, mas a proliferação da do "positivismo factual" através da rápida, vasta e de fonte duvidosa da informação de hoje, obrigará os investigadores a concentrar, no futuro, a sua atenção na selecção das fontes e não na sua busca.
Este arrazoado que para aqui debitei vem da tentativa de perceber porque é que 2.000 e tal mortos (não é cinismo, não sei mesmo o número certo) nas torres gémeas, umas dezenas por mês no conflito do israelo-palestiniano, os que tombaram no Iraque captam mais a nossa atenção e incendeiam paixões na sua denúncia ou explicação que a previsão de 1.600 numa cheia nas Caraíbas, os milhares no Uganda e no Sudão e os milhões na África sub-saariana!

Os auto-proclamados "neo-liberais" apressar-se-ão a denunciar o empolamento da comunicação social das mortes no Iraque e no Médio Oriente enquanto os que se arregimentam contra os primeiros (os ditos de esquerda) denunciarão, precisamente, a comunicação social de empolar o 11 de Setembro ou terrorismo dos extermistas israelistas.
Se acreditamos no escasso valor que hoje se atribui à verdade nos órgãos de comnunicação, o certo é estas justificações de se lhes atribuir a responsabilidade de manipular os factos é tão insuficiente como obscurantista!


Com efeito, a deslocação do do zénite jornalístico da notícia para o comentário, retirou à comunicação social não a isenção (se é que ela é possível), mas a independência a que está obrigada, dando origem à indução de opinião, seja por incúria ou manifesta manipulação. No entanto, e não obstante o que disse, o alheamento, o desinteresse, o que não é notícia nem alvo de comentário é ainda muito mais hediondo que o que é divulgado.
Enquanto que os norte-americanos desvalorizam os mortos iraquianos, os europeus sobrevalorizam-nos, mas certo é que dos milhões que morrem anualmente não são sequer notícia.
Olhando para os recentes mortos nas Caraíbas, constatamos que a maioria da comunicação social deu nota. Digo bem, deu nota, nada mais, calcula-se que cerca 1.600 pessoas poderão ter perdido a vida por causa de uma cheia. Calcula-se e calcular-se-á pois nem sequer haverá condições para a remoção de escombros. Morrerem, ponto final, coitados! Não houve conferências de imprensa de Presidentes ou Primeiros-Ministros, nem comentadores acalorados na imprensa, rádio ou televisão ou nos blogues!
Porque é que isto é assim? Porque não há possibilidade de arremessar estas mortes contra ninguém que não seja a natureza; nem contra os americanos, nem contra os europeus, nem contra os russos, nem contra os israelitas, nem contra os palestinianos, nem contra a Al Qaeda, nem contra o PCP, nem se preparou previamente uma encenação que dela se pudesse fazer um espectáculo. Assim sendo, elas não servem a ninguém!

Poderemos então dizer que a morte tem um valor e tem um preço, tanto mais elevado quanto o a possibilidade de poder ser arremessada ou não contra alguém, de forma espectacular, capaz de audiências. Mas isto será novo. Não certamente, nem estes mortos caraibenhos são caso isolado. Representam para nós, os tais "senhores da democracia", o mesmo que os milhares que morrem com os aluimentos de terra nas favelas do Rio, o mesmo que o genocídio no Uganda, o mesmo que os que se matam no Sudão, o mesmo que os que morrem com SIDA e malária na África sub-saariana.
Mas não morrem, contrariamente ao que as notícias podem induzir, de causa natural ou em consequência de caaclismos da natureza!
Quem morreu nas Caraíbas, no Rio, no Uganda, no Sudão, em África, morreu por falta de alojamento minimamente condigno, por falta de condições de higiene, por falta de alimentação, por falta de cuidados médicos, por falta de instrução, morreu devido ao desdém a que os votamos.
Hoje a morte está em leilão, compra-se o que interessa para usar e deita-se ao lixo a que não serve ao poderosos do mundo. A morte leiloa-se diarimanete nas televisões, encena-se, qual arte performativa, há a que vende e é comprada e sobrevalorizada para conseguir mais-valia (em termos de poder, o que está em jogo, afinal?) e a que não vende é rejeitada, atirada para o lixo do mundo, esquecendo que para além de coveiros somos também os próprios contentores!

E esta gente gente que morre, que sabe que vai morrer, que está consciente da sua condenação, qual anátema da vida, revela uma elevação, um bom senso, uma serena espiritualidade, que nós julgamos impossível a seres que muitas das vezes sentimos de culturalmente inferiores, sem indignação proporcionada ao seu abandono, quase sublimando, na morte, a sua própria condição humana!

Da morte transaccionada pelos poderosos deste mundo, indígno-me. Da morte que é "lixo", que não serve para transaccionar, tenho vergonha.
Tenho vergonha porque democracia, antes de ser um voto por cada um, ou a liberdade de cada qual, é a necessidade do Homem em Homem se poder constituir, não um mas todos, sendo o respeito e a solidaredade com todos e por todos, em qualquer ponto do mundo, de qualquer credo ou nenhum, de qualquer coloração de pele, pelos Direitos Humanos e da Criança, proclamados em solenes Declarações Universais.

Feliz Dia da Criança!

Publicado por ideias-soltas em 03:59 PM | Comentários (5) | TrackBack